sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Branca.


- Ô Branca, acordei você? Desculpa, vai. Vira pro lado e dorme mais. Me deixa aqui, te olhando. Tô aqui pensando: já escreveram tanto por aí, já tantas morenas inspiraram canções, e você, minha Branca? Não, não é que te esqueceram, é que você tava guardadinha pra mim. É como se todo mundo fosse uma música em potencial, esperando só alguém pra compor, reparar nos traços, na cor, no jeito bonito de dormir, e transformar enfim em canção. Eu te achei, Branca. E te compus. E te contei pro mundo. Sorri pra mim, Branca. Não, não sorri, vai dormir mais um pouco, vai, desculpa se te acordei. Mas é que você é tão bonita assim, Branca, sabia? Enrolada nesses lençóis que tentam roubar tua cor, com esses olhões que não sabem a cor que têm e seus cabelos pretos esparramados pelo travesseiro. Não, não prende o cabelo, Branca. Ou prende, vai. Deixa aquele caidinho do lado, isso. E aquele outro lá atrás, perto da nuca, assim. Tá linda, Branca. Minha Branca. Ah, Branca, se você soubesse como é bom te ver assim, como é bom te ter por perto, como é bom acordar com você. É tudo céu limpo com você. Branco no branco. Assim. Não tem sujeira, não tem mau humor, não tem nuvem negra, não tem espaço pra mancha de café. Não dá pra explicar, Branca. Só dá vontade de repetir teu nome o tempo todo, e gravar na mente e me convencer de que você está mesmo aqui: amanhecendo comigo. Ah, Branca, quero todo dia um amanhecer com a cor desse teu olhar. Quero acordar com você. Quero me ancorar em você, meu amor. Deixa eu ficar? Não te acordo mais assim, prometo. Eu só quis aproveitar você e te fazer uma cantiga. Não quero dormir, não, Branca, só quero te olhar. Meu sonho tá aqui, não preciso dormir. Não quero te perder de vista nunca mais, esses meus olhos gostaram de você. Ô Branca, desculpa se te acordei, é que acordei com você e nunca mais dormi. Tenho medo, Branca, de perder algum momento teu. Desculpa, amor, mas se te acordo é porque quero sonhar junto contigo. Dorme, Branca, que no silêncio te canto uma canção. Você virou poesia, amor, sorria.

"Branca,
Acordei você, nunca mais dormi
Nem tô querendo mais
Eu tô querendo te olhar."
(Branca - Palavrantiga)

Vale a pena o clique.

14 comentários:

Déborah disse...

Belo texto (: Dá mesmo vontade de conhecer a Branca rs

Ariana disse...

Essa branca tem sorte hem? rs
Como sempre um lindo texto/poema!
Saudades de ti la no blog!

Beijos

Cizim Alves disse...

Boa noite, Nicole.

Fui lá e gostei da música, para fechar com chave de ouro a narrativa.

Ótimo final de semana para você!

Nina disse...

Quantas desejam ser musicadas, acabam tornando-se canções por conta de um nome. Mas a característica é universal. Também me sinto branca. Também sou.
Abraços.

Ana Flávia Sousa disse...

Ai Nicole, poxa vida!
Você sempre me aparece com esses textos tão lindos, tão cheios de entrelinhas e sentimentos impressos.
Acho demais como você consegue prender o leitor assim, tão bem preso.

Vai, escreve um livro só com esses contos e me manda um dedicado? Combinado?

Essa Branca inspirará o mundo, vais ver.
Todos esses pensamentos que nos vem à cabeça enquanto o outro dorme, acorda, amanhece.
Tão lindo. Sempre tão lindo.

Um beijo Nicole.
E que todo este talento seja conservado, preservado.

(me tocou profundamente este escrito, fim).

Yohana Sanfer disse...

Tanto tempo sem vir aqui e novamente este retorno como um presente, como uma certeza: tuas palavras continuam bailando em sintonia!
Lindo de se ler!
Bjs moça!
Yohana Sanfer

Mariana disse...

Nossa, amei seu blog. Faça um livro. Por favor, faça. Eu não hesitaria em comprar! Devia pensar com seriedade num projeto desses. =)

Mariana

V. disse...

Nicole, tem tempo que não venho aqui, mas o blog continua lindíssimo! Parabéns.

António Jesus Batalha disse...

Vim à net para encontrar novos amigos e ao mesmo tempo divulgar meu blog, encontrei o seu blog, e estive a ver algumas postagens e achei o seu blog muito bom, tenho de lhe dar os parabéns, pois é um blog que dá sempre vontade de vir aqui mais vezes.
O meu blog é o Peregrino E Servo, se tiver tempo ou se desejar pode fazer-lhe uma visita e se gostar faça o sentir no seu coração, saiba porém que nunca deixei alguém ficar mal.
Desejo paz e saúde para si e para o seu lar.
Sou António Batalha.

Suellen Ferreira disse...

Nossa adorei o seu texto e seu blog muito fofo e original, parabéns e sucesso *--*

http://segredosdeblogueira.blogspot.com.br/

Camila disse...

Leve e belo texto ..

Luiza disse...

É sempre tão lindo, tão poético, tão doce e meigo, tão tu. Sempre que a ente vem pra cá com o peito machucado, tu vai lá e cola, deixa ajeitadinho, põe um sorriso no nosso rosto com essa beleza que é te ler. beijos meus

Paula Luz disse...

Que lugar lindo, que texto lindo... Que vontade de conhecer Branca rs :)

http://vivapaulatinamente.blogspot.com.br/

Anônimo disse...

http://diversita.blog.br/.../
Esta é a entrevista do autor da música explicando a letra. Vale a pena assistir.

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