quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Só sei dançar com você.


Você apareceu do nada. Vou começar falando assim, e só não completo com "você mexeu demais comigo" porque ai vira uma música que fala sobre adeus, e não é essa que você me faz dançar. Mas você apareceu do nada. E me escolheu pra ser seu par. Você me tirou pra dançar e eu tirei toda minha armadura de medos pré-fabricados pra dançar com você. É que pra dançar e pra voar, a gente tem que ser leve. A gente tem que se desprender. Como eu me desprendi do que eu pensava pra olhar o mundo pelo teu ponto de vista. Você me tirou pra dançar e eu resolvi seguir seus passos, entrar no teu ritmo, ver no que aquilo tudo ia dar.
Um passo de cada vez. Um pra frente e dois pra trás. Um conforme o ensaiado, outro meio improvisado e desajeitado. Um pra perto, outro pra longe. Escorrego por um lado e me aproximo por outro. Passos de quem nunca dançou e de repente se vê bailarina. Eu, feito bailarina que nunca soube dançar, escolho as palavras mais bonitas e danço a dança de quem nunca arriscou um passo tão grande antes: ser teu par. Na chuva, no sol, quando o filme acabar, por onde quer que a gente vá: só sei dançar com você. Meio bailarina que eu nunca fui, meio bailarina que você me faz ser pra me encaixar na fôrma certa dos teus sonhos. 
Você me faz bailarina e eu aceito minha condição. Bailarina que dança com verbos. Bailarina daquelas caixinhas de música: você dá corda e eu danço. Você me chama e eu vou. E fico bem ao alcance das suas mãos, não fujo: prisioneira da caixa que me abriga e toca nossa canção. Bailarina de uma música só: a nossa. Prisioneira dessa dança que não precisa acabar e que eu só danço com você. Feito bailarina, feito moça apaixonada, feito aquela menina boba que encosta o rosto no teu e sorri feliz sentindo sua respiração e seu coração que não disfarça e dispara pra gritar que é meu. Eu aceito a responsabilidade, os riscos, a fe-li-ci-da-de. Eu aceito você. Você vestido do que você é. E me visto do melhor de mim pra te receber. E me faço bailarina, me refaço em você. Me apresento bailarina que só sabe dançar pisando em nãos e você segura minha mão e me ensina a dançar e dizer sim. Me mostra os passos e eu digo sim. Largo o mundo, os medos, as interrogações e seguro sua mão de volta. E fico aqui, não fujo. Não mais. E te digo que sim, moço. 
Sim, eu não sei o caminho, mas vamos juntos. Sim, eu não sei dançar, mas me ensina. Sim, eu não sei dizer, mas tudo o que eu quero é ser teu par. Sim. E não importa o que vem depois. Importa esse agora com você. Importa a gente ter disposição pra nunca mais parar de dançar. Sim. E não importa o que tem lá fora, a gente pode se esconder nesse mundo que a gente criou. E não importam as horas, a previsão do tempo, a programação da tv: importa só estar com você. Danço com você, louca por você: você-meu-par, você-sem parar. Só quero se for assim. Só sei dançar com você.

"Toda vez que eu errava cê dizia 
Pra eu me soltar porque você me conduzia
Mesmo sem jeito eu fui topando essa parada 
E no final achei tranquilo 
Só sei dançar com você 
Isso é o que o amor faz"

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

A calma - e de onde ela vem.


Escolho uma música bonita, aciono o aleatório, deixo tocar e fico em silêncio, calo até os pensamentos, para ouvir o que a vida tem a dizer. Tem vezes que a gente fala com a vida, tem horas que é ela quem diz. Aposento a caneta e as folhas em branco que me convidam a escrever e fico quieta, parada no meu lugar te observando chegar. Não falo nada para não atrapalhar, não invento rimas para não te obrigar a rimar comigo, não uso verbos para não forçar uma ação. Somos só eu e você e nosso silêncio e todas essas coisas acontecendo ao nosso redor, através e apesar de nós. Somos só eu, você, e essa calma. A calma de ter um monte de coisas a dizer, mas não ter pressa nenhuma para contar. A calma que vem desse teu sorriso, que não me apressa, só me abriga e me diz que tudo bem, tudo bem não saber o que dizer, tudo bem não conseguir traduzir, definir, enquadrar o que se sente em algum padrão qualquer. Sem nomear emoções, sem estipular prazos, sem prever. Só o ir-em-frente da vida, só ela se revelando aos poucos, só a gente de olhar curioso descobrindo o que é que ela tem a dizer. 
E então ela diz, enquanto você brinca com minha mão e meus medos dançam balé dentro de mim, e eu estendo uma rede no seu sorriso e descanso ali. E a vida canta para mim, mostra de onde vem essa calma, e assina com o teu jeito bobo de olhar que me faz sorrir e dizer que vai-dar-tudo-certo-eu-posso-descansar-aqui. Faz de conta que o tempo não existe, que não existe a pressa, que lá fora não tem ninguém. Deixa essa calma permanecer, deixa eu descansar em você e não ter pressa para sair do teu ombro. Deixa o depois para mais tarde, deixa o inverno, deixa tudo-o-que-pode-dar-errado para depois do café. Se o depois não chegar é culpa nossa, se ele chegar também é. Culpados por culpados, vamos ao menos aproveitar. Aproveitar que a gente se esbarrou pela vida, aproveitar o esbarrão. A gente começa assim: com um esbarrão. Não como se fôssemos duas pessoas atrasadas indo em direção contrária por um corredor lotado, mas como dois caminhos que de repente se esbarram numa esquina ou dois estranhos que se esbarram nessa mesma esquina onde os caminhos se cruzam e um pergunta como quem não quer nada "para onde é que você vai?" e o outro diz "para o mesmo lugar que você". E eles vão sem pressa, em direção à calma que só o outro traz. A verdadeira calma vem daí: de saber que há alguém do seu lado e que ele não se importa com os vendavais. De saber que se houver vendaval, tem um sorriso que acalma. Se houver medo, tem um abraço que cala. Se houver solidão, tem um olhar que acolhe. 
Não dá para explicar e tira as palavras, mas não é guerra, é paz. É calma. É sorrir concordando quando  o aleatório toca e diz para a morena que tá tudo bem. Está. O coração acalmou, você chegou, a vida sorriu. Deixa assim como está, sereno.

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