quinta-feira, 19 de julho de 2012

A culpa é das estrelas.


Importante: esse não é um blog literário, eu não sou uma escritora de blogs literários e essa não é uma resenha. É só que... eu preciso falar. Eu, que tenho trauma de livros sobre doenças por culpa de um senhor chamado Nicholas Sparks e eu, que tenho certo pé atrás com livros muito comentados, fui elegantemente surpreendida por um moço chamado John Green. Não vou falar sobre o que é o livro, isso você pode ler aqui ou aqui, quero mesmo é falar sobre como nós somos mesmo granadas e sobre como a gente não pode controlar essas coisas, por causa das estrelas. Sim, a culpa é delas, culpem-nas!
Existe um momento no livro em que a personagem conclui ser uma granada, prestes a explodir e ferir todos os envolvidos com os estilhaços. É, seus pulmões não funcionam muito bem e podem parar de uma hora pra outra. Mas eu queria dizer pra Hazel que não é só ela que tem o privilégio de se sentir uma granada, todos nós somos. A gente vive se relacionando com todo mundo, fazendo promessas, gritando ao vento palavras como "sempre", "sem saber que o fim já vai chegar". O fim é um vilão sempre à espreita, a gente vai na esquina, toma um sorvete, dá uns abraços, faz de conta que é eterno e finge não ver, mas ele está lá. Doenças chegam, carros batem, aviões caem, tragédias acontecem, sim! lá vai granada explodir e deixar marcas, gente sofrendo, livros pela metade, ingressos nunca usados na gaveta. Mas existem tantos jeitos mais simples de explodir, de dizer chega e deixar tudo pra lá. Às vezes a gente muda de opinião, decide que não quer mais, simples assim e, bomba! Às vezes a gente precisa ir pra longe, outras vezes não tem mais combustível pra continuar com certos relacionamentos e, bomba! Somos granadas. Não tem como fugir de ser, não tem como fugir de conviver. 
E aí entra o Gus, ou o Augustus, pra fazer mais honra ao seu jeito de ser, e diz que não, a gente não pode mesmo escolher não se ferir nessa vida, mas a gente pode escolher quem vai nos ferir. É isso! Todo mundo algum dia vai explodir e nos machucar um pouco, explosões em diversas proporções vindas de todos os lados, não seriam nossos relacionamentos nada mais do que isso? É inevitável a decepção, mas a vida é um convite ao risco. A gente tem que se comprometer, a gente tem que ir. E aí a gente escolhe, alguém que tem um sorriso bonito, outro que sabe bem o que dizer pra te fazer sorrir, aquele que tem o mesmo gosto musical que o seu. A gente escolhe quem vai ser amigo da gente. Nesse caso, o máximo que as estrelas fazem é colocar as pessoas no nosso caminho, mas é a gente que escolhe quem vai ficar. A gente escolhe quem vai ficar e é um jeito mudo de dizer: eu aceito o risco de ser machucado por você, eu aceito sua explosão iminente, eu aceito caminhar por esse não saber que é a vida ao teu lado.
Hoje eu olhei pra trás e vi algumas pessoas que explodiram, mudaram demais pra que eu acompanhasse, e fiquei triste. Mas depois pensei que valeu a pena o que a gente viveu. Valeu a pena ter me machucado um pouco no fim, mas ter aproveitado muito mais o início e o meio. 
A vida, Gus, é sim uma montanha-russa que só sobe, mas quando fica alto demais a gente precisa ter alguém ao lado, pra segurar a mão e ajudar no grito da queda. O fim ninguém sabe, mas o durante é agora. Deixa que quando vier a explosão a gente sente a dor, porque ela precisa ser sentida, e depois a gente arruma um jeito de consertar o que sobrou. Não dá é pra se privar do início com medo do fim. O fim chega, mas a gente sobrevive, as estrelas dão as mãos, entram num copo e a gente bebe num lugar bonito com alguém que nos faz sorrir. Como vocês. Isso tudo é só pra dizer que foi uma honra ter meu coração partido por vocês, Hazel, Gus, Amigos e Amores de ontem.


E, sr. Augustus, se eu não consigo ler esse trecho sem chorar, a culpa é sua.

7 comentários:

Nina disse...

Escrevo em um blog essencialmente literário, mas sem a chatice das regras de blogs dessa estirpe. Fato é que sou como você: não confio em livros super comentados e Nicholas Sparks é motivo de repúdio. Mas "A Culpa É Das Estrelas" vai me conquistar, sem dúvida. Ainda não alcancei a leitura do dito cujo, mas não duvido que ele será um dos melhores livros que lerei este ano.
Depois lhe dou o meu parecer. Abraços!

Cândida Schaedler disse...

Acabei de ler dois posts sobre o livro, guria. É muita coincidência! Assim fico morrendo de vontade de ler a obra. Gostei muito da reflexão que fizeste. Além de atiçar a curiosidade dos leitores mesmo não sendo uma resenha, mostra que conseguiste extrair algo do que leste.
Beijos.

Ana Flávia Sousa disse...

Não, não foi uma resenha e nunca tinha ouvido falar do livro, mas agora, fiquei extremamente curiosa para fazer parte desta história. Parece ser um livro tão gostoso de se envolver...

Olhando pra trás, vejo as granadas que deixei, que me tornei e que me feriram... é inevitável.

Larie Ribeiro disse...

Li esse livro em tempo rapidíssimo, mas queria que fosse uma coisa devagar, para parar pra pensar, sabe? Só que não consegui. O livro é totalmente excelente mesmo e só de ler seu post já tive vontade de chorar de novo. Com certeza esses personagens me marcaram como marcaram a você também.


Beijo :)

Thamires Freitas disse...

Moça, quanta essência, quanta sensibilidade, quanto sentimento em cada palavra. Acompanho seu blog e gostaria de lhe agradecer por compartilhar conosco um pouco mais de NÓS. Acabei de ler o livro e gostei muito, Hazel Grace, Augustus Waters, Nicole, a moça do sonho...cada um nos afetando de alguma forma, porque está é a vida! Um beijo

Anônimo disse...

Fazem só dois dias que estou lendo esse livro e já estou quase no fim! Na verdade, já podia ter terminado ele, pois é um daqueles livros em que não dá para parar de ler enquanto não chega ao fim, porém não sobra tempo. Mas literalmente, este livro é simplesmente INCRÍVEL! Após ler seu blog, só confirmei o que eu já sabia. É, o livro é mesmo muito bom! Para quem não leu ainda, ou para quem acha clichê demais livros que falam sobre doenças, câncer ou algo do gênero como já ouvi dizer por aí,(não que o livro fale sobre doenças, mas enfim, tire suas próprias conclusões) só tenho a dizer: LEIAM! ABRAM UMA EXCESSÃO! Tenho certeza que não vão se arrepender. Com certeza irá entrar topping the list of best books of the year "A culpa é das estrelas". Um dos melhores livros em que estou lendo/já li, até hoje! Pura emoção.

Anônimo disse...

Eu n acompanho seu blog, eu não vim aqui massagear seu ego, mas vc fez um texto maravilhoso e muito cheio de emoção, eu simplesmente arrepiei... obg.

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