quinta-feira, 7 de junho de 2012

Adeus você.


Essa não é uma carta de amor. Sei lá, é que andaram dizendo por aí que uma carta de amor não pede nada, e essa aqui vai ser cheia de pedidos, então quem sou eu pra chamá-la assim e contrariar os românticos? Não, meu bem, não é uma carta de amor, é uma carta de bem-me-quer, tudo bem? Bem-te-quero. É isso.
Sabe o que é? Eu tava ouvindo sua banda favorita hoje. Justamente aquela canção que a gente discutiu sentados naquela rede enquanto o céu desabava em chuva e você desabava em meus ouvidos sobre o quão sentimental eu não era. Não, não é essa música que você tá pensando, é aquela do adeus, lembra? Lembra quando você, com os olhos marejados, disse que não tinha que ser assim? Que ir não é amar? Que se o cara amasse mesmo, ele ficava? Então... você me odeia agora? Porque foi o que eu fiz, fui te amando. Por isso eu defendia o cara da canção, você entende? Porque às vezes a gente tem mesmo que se perder e se encontrar num lugar novo, que pode ou não ter o endereço desse teu abraço. Esse cara que você odeia está a milhas de distância pensando em você, te querendo bem, te querendo sã. 
É aí que entra essa carta. E essa música. E minha preocupação com essa chuva, com esse céu que sempre que desaba faz o tempo esfriar e o seu nariz ficar vermelho-strawberry, lembra? Tô escrevendo pra cuidar de você, pra te lembrar de não andar descalça, não pegar sereno, não esquecer o guarda-chuva; não quero você embaixo das cobertas, não quero você refém daqueles remedinhos cor-de-rosa que a gente encontrou depois de muito correr por farmácias fechadas naquela madrugada fria. Não quero que suas madrugadas sejam frias. Te quero feliz, viu? Quero ouvir notícias suas e saber que você está muito bem, melhor sem mim, levando sua vida em frente. Quero que você pinte as paredes do seu quarto da cor que você quiser. Vai, arrisca, se não der certo compra outra lata de tinta e vai tentando até seu olhar sorrir satisfeito. Pinta logo um sol nesse céu, não deixa as nuvens vencerem; você não precisa chorar e borrar sua maquiagem, você não precisa sofrer, vamos combinar uma coisa? Olha pra trás e sorri pelo que a gente viveu. Aproveita que semana que vem vai ter um show daquela banda que você adora e compra o ingresso, inaugura aquele vestido azul, não deixa a minha ausência te privar de sair por aí. Vai com você mesma, você é uma pessoa incrível, aposto que vai gostar da companhia. De repente você encontra alguém, por que não? Mas não se contenta com qualquer um, por favor. Ele tem que saber como pegar sua mão, te fazer sentir guiada e aceitar a viagem, e saber te abraçar em silêncio e te contar segredos mesmo assim. Não se menospreze, você vale muito, sou aquele cara sortudo do restaurante chinês que foi o único a tirar uma sorte realmente boa daqueles biscoitos engraçados. Você foi a melhor sorte que já tirei, sabia? 
É sério, pode acreditar. Vão dizer que não, que eu não te amava, mas eu fico com o cara da canção: não pensa que eu fui por não te amar. Eu tive que ir, talvez um dia você entenda. Mas saiba que essas coisas vivem acontecendo, a gente tem que arriscar. Eu arrisquei te perder pra ir me encontrar, me encontrar pra te encontrar de novo um dia. Vou pensar em você em todas as manhãs enquanto tomo meu café sem açúcar, lamentando por você não estar comigo insistindo em colocar algumas colheres. Vou contar cada dia longe como um dia a menos. Um dia eu vou voltar. E pode ser que você ainda esteja aí. Se cuida, cuida de você e desse coração de menina bonita, enquanto eu não posso estar aí. Porque eu vou voltar. E quando voltar, quero que você esteja bem, tão bem, que eu não vou ter escolha a não ser me apaixonar novamente. Adeus você, meu bem, hoje e sempre: bem-te-quero.

"Cuida do teu
Pra que ninguém te jogue no chão
Procure dividir-se em alguém
Procure-me em qualquer confusão
Levanta e te sustenta
E não pensa que eu fui por não te amar
Quero ver você maior, meu bem
Pra que minha vida siga adiante"
(Adeus Você - Los Hermanos)

10 comentários:

Camila Gomes disse...

Muito bom!! Que beleza de texto! Parabéns Nicole!!

Abraço
Camila Gomes

Carolina Hermanas disse...

Nossa, que texto lindo :)
Uma visão diferente de carta de amor né?Aliás,seu blog INTEIRO é um doce *O*
Gente,amo textos assim.HAHAHAH.Sério,doce..salgado..cheio de cores *_*


amei tudo aqui <3

beeijos

Marie Raya disse...

Queria escrever mil coisas que pudessem expressa o que eu senti lendo esse texto. Me vi em cada palavra. Chorei. Porque é isso. Eu fui amando. Porque eu precisava ir. Quem dera pudesse voltar...

Marie Raya disse...

expressar*

Ana Luísa disse...

Perfeito, Nicole! Perfeito!

Áurea disse...

Lindo, menina, como tudo que brota de você!

Nina disse...

Certos vestígios destroem: música alta e lenta, palavras, etc. Já tive a minha fase de desamor e hoje dou risada do Grande Amor (diria Chico Buarque, se visse).
Gostei daqui, moça. E voltarei. Abraços!

Fer Castro disse...

Acho que é isso mesmo, amor tem de deixar a gente solto né.. mais um lindo texto, Nicole!!

Brenda Quintino, disse...

Gente, que carta mais linda! É tão... sei lá, é tão o que eu precisava ter dito, mas disse diferente... E quem sabe um dia eu também não volte?

Ana Flávia Sousa disse...

Nossa, uau!
Que carta é essa dona Nicole?!
Que arraso de texto! Nossa!
Não sei o que dizer... Senti tanta coisa lendo essa carta-de-não-amor, senti amor. Senti saudade, senti verdade...

LIN-DO Nicole, Lindo!
Beijo grande, e obrigada pelo carinho no Pratododia! (:

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