sexta-feira, 27 de abril de 2012

Sentimental


 É meia noite de um dia sem você e eu tô chorando feito criança mimada que não ganhou o que queria. Veja bem, eu não te amo e nem ao mesmo estou apaixonada por você, mas eu contava com a sua presença. Eu contava com você e você não veio, virou um cometa. Você é feito um daqueles cometas que a gente fica esperando pra ver passar e ele não vem, mas aí descuidamos, abandonamos por um momento a posição e ele passa. Passa e ninguém vê. Passa e deixa de alegrar uma noite - ou um dia inteiro. Passa e esquece de deixar um rastro que seja.
Eu precisei de você. Tava chovendo lá fora e chovendo em mim, precisei que você aparecesse e rasgasse as nuvens com o som do teu riso. Eu não tinha um guarda-chuva nem o teu abrigo invisível. Me encharquei de nostalgia e você não estava lá pra me secar com o teu vento de ares futuros. Hoje precisei de você pra alegrar um dia chuvoso. Precisei que você me sorrisse e enchesse meu coração de esperanças bonitas que pintariam um sol mesmo num céu tão escuro. Precisei de você pra curar uma vontade que só faz crescer: a de você. Ainda bem que você não viu quando, feito boba, deixei uma lágrima escapar de tanta vontade sua. Eu precisei que você aparecesse e me olhasse, me questionasse, segurasse a minha mão na hora do refrão. Andei sentimental demais, culpe o temporal. Andei querendo te trazer pra vida. Eu quero te trazer pra vida porque o sonho lotou. Não tem mais jeito: ou transborda pra vida ou eu dou um jeito de deletar um por um, feito a máquina que eu nunca soube ser. Não me ache louca por sentir tanto assim, porque parcela da culpa é tua, quem mandou você aparecer naquele dia vinte e tanto daquele mês que eu não sei mais e estar olhando pra mim justamente na hora em que virei pra trás? Eu te escolhi pelo teu mistério e queria te ganhar por alguma coisa que eu devo ter. Mas não me chame de louca, já me apelidaram de sentimental. 
Eu não sei o que você fez, eu não sei o que você tem, mas eu me quero de volta. Me devolve, vai. Devolve aquele coração leve que eu carregava, devolve minhas horas que não conometravam tempo nenhum e hoje fazem tic-tac querendo sua aparição. Quero de volta minhas canções favoritas, minhas linhas que se bastavam e não precisavam desse seu sorriso impreciso pra fazer de inspiração. Manda de volta minhas noites de sono, meu pensamento que flutuava pelo ar sem ter para onde ir. Bota no correio todo o sentimento que sem perceber investi em você e hoje faz falta quando alguém tenta conquistar alguma fagulha que seja. Você tem um daqueles controles que podem rebobinar o tempo e fazer de conta que eu nunca encontrei teu olhar naquele dia fatídico? Do mesmo jeito que você fez pra me conquistar, faz pra me devolver. Me devolve pra mim ou esquece tudo isso e só traz você. Traz você e não me devolve, me leva.

6 comentários:

Gabriele Santos disse...

Gostei bastante da forma de tua narrativa. Bem leve e carregada de sentimentos.
Entendo como deva ser o que a personagem esteja sentindo. É realmente perturbador quando alguem se vai e nos leva, mas de forma que permanecemos. LEvam-nos metades, partes. Bom mesmo seria se levassem o todo, não é mesmo?!

http://gabipuppe.blogspot.com.br/

deia.s disse...

Bom fim de semana, flor. :*
http://amar-go.blogspot.com.br/

Ana Flávia Sousa disse...

Ah moça do sonho, que encanto esse texto, essa narrativa toda bordada em cima do plano de fundo da chuva. Ficou lindo demais.
E ó, chega uma hora que tem que ser assim mesmo: ou vira realidade, transborda pra vida, ou tem que ir embora. Ou ele devolve, ou te leva.
Prefiro a segunda opção. rs

Beijos, e ótimo final de semana Nicole!

Ízis Carolina disse...

Adorei a forma simples e leve de escrever, sem deixar de passar tudo que está sentindo. Ficou realmente lindo, e adorei essa parte "Tava chovendo lá fora e chovendo em mim, precisei que você aparecesse e rasgasse as nuvens com o som do teu riso."

Beijos :*
www.asmemoriasdodiario.blogspot.com

Luciana Santa Rita disse...

Oi Nicole,

Boa tarde! Texto leve e sonhador. Penso que se posicionar no amor revela não só coragem, mas a essência do ser.

Beijos.

lucianasantarita.blogspot.com.br

Daniel Bovolento disse...

Quem é mais sentimental que ela? Só a chuva que passou chorando enquanto assistia à moça. E fez sua parte na história, se colocou de lado e fez dela protagonista. Uma pena que ele não tenha voltado.

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