quinta-feira, 5 de abril de 2012

Deu na previsão que vai chover.


Acredita que andei sonhando com você? Assim do nada mesmo. Juro que não pensei em você nas horas anteriores, nem vasculhei fotos e muito menos desejei te ter por perto. Juro. Só sonhei. Quem vai ser o louco de tentar explicar essas coisas? Só sonhei com você e foi inevitável não acordar pensando em nós dois. Pensando se, sei lá, em alguma dessas noites inexplicáveis você já sonhou comigo também; se, por um descuido, seu pensamento voou até mim, antes que você se desse conta da chuva que estava se armando no céu e abrisse de uma vez o guarda-chuva que nos separa. Ia chover saudade. Ia chover vontade. No fundo é tudo a mesma coisa. 
Por aqui choveu ontem, e a TV esqueceu de anunciar pra que eu me preparasse. Andei perguntando às janelas do ônibus onde você estaria. Não tive resposta. Sei lá, se perdeu, armou um guarda-chuva e um colete à prova de paixões? Por onde é que você andou enquanto eu sonhava com você? Em que ruas você se escondia enquanto aqui só chovia saudade? Você tem medo de algo que eu nem sei o que é. Você tem medo do que eu posso vir a querer, e tudo o que eu quero é te fazer feliz. Tá difícil perceber? 
Um dia desses quis parar um táxi e pedir pro taxista me levar pra sua vida. Falar assim mesmo, feito louca, "ei, moço, me leva pra vida dele". Mas aí ele ia fazer a pergunta difícil: onde? Algum endereço, mapa ou ponto de referência? Não, nenhum, moço, deixa pra lá. Soa triste, não acha? Mas até mesmo a tristeza tem seu lado bonito e rende poesia que só, só que nunca, anota aí: nunca tanto quanto o seu abraço. Aliás, me diz: pra inspirar poesia como você, a gente tem que respirar o quê? Eu queria saber do que te move e do que te comove. Do que te provoca o riso, o choro, o olhar; do que você fazia antes de aparecer por aqui e mudar o rumo desse meu olhar mal acostumado. 
Desculpa, desvirtuei do assunto, não era isso o que eu queria dizer. Desculpa, não sei o que acontece comigo, mas às vezes me dá essa urgência de você. Às vezes me vem essa urgência hollywoodiana de aproveitar a chuva e correr praí. Ou te chamar pra cá. Tanto faz. Tipo coisa de filme, sabe? Deixar tudo pra lá e te procurar, como se não houvesse tanta coisa além do querer-estar-junto. Às vezes me vem essa urgência de você. Coisa que dá e passa. Coisa que dá enquanto você não passa por aqui e me arranca de uma vez desse apartamento inundado de saudade. Tá chovendo demais e o coração não aguenta esse aguaceiro, cadê você? Me diz como te alcançar que eu encaro a chuva, corro o mundo e vou te ver. Porque, sei lá, se ainda não desisti e ainda estou aqui, embora tantas vezes já tenha desistido e ido embora pra nunca mais voltar, deve ser porque alguma coisa é verdadeira nisso tudo. Talvez o meu encanto? Ou, quem sabe, aquele sorriso que você disfarça quando me vê? 
Olha, isso tudo é pra te dizer: Se cuida, viu? Deu na previsão que vai chover, não esquece teu guarda-chuva. Se esquecer, passa aqui na rua e aproveita essa desculpa pra me ver.

6 comentários:

Camila Gomes disse...

Ola Nicole,

Adorei o texto e senti como se eu quem tivesse escrito,eu e essa vontade "dele" que nunca passa.

Abraços querida!

Camila Gomes

Luciana Santa Rita disse...

Olá Nicole,

Tudo bem? Conheci o seu blog pelo facebook. O texto é lindo e revela o desejo do abandono. Essa vontade que não passa porque não tem endereço.

Beijos.

Lu
http://www.lucianasantarita.blogspot.com.br/

Danielle Eloi disse...

Olá,
O seu texto é tão bonito que cheguei a fazer da sua saudade a minha.
Bj

Ana Flávia Sousa disse...

Ei Nicole! Que encanto essa carta viu?! Que aguaceiro de poesia e chuva de inspiração!
A gente não controla nossos sonhos e as vezes eles funcionam como um táxi, o seu te levou pra vida dele assim como você queria, por um instante, uma saudade.
Que lindo, lindo, lindo!

Sem contar que a nova "roupa" do blog está maravilhoso! (:

Um beijo!

Emi disse...

''Mas até mesmo a tristeza tem seu lado bonito e rende poesia que só, só que nunca, anota aí: nunca tanto quanto o seu abraço.''
Algum tempo eu estive em falta com esse blog lindo, mas olha só o que encontro quando retorno: uma enxurrada de sentimentos tão lindamente colocados em palavras. Sobre um sonho inesperado, uma vontade que, na verdade, parece nunca ir embora, e uma moça do sonho que sempre tem sonhos lindos pra compartilhar.
Lindo, Nicole! Sempre muito lindo tudo o que você escreve.
Beijos!

Rebeca disse...

Ei, moça de sonhos... E que sonhos! Lindos, todos eles. Talvez você não se lembre de mim, mas fiz você twittar um comentário meu certa vez. Algo sobre deixar o barco andar, dois barcos na verdade, ou qualquer outra coisa do tipo. Aquele barco que partiu no ano passado já foi e voltou várias vezes. E eu continuei aqui. Imóvel. Intacta. Inquebrável. Ou quase isso. Choveu aqui, essa noite. Gotas pesadas demais pra suportar sozinha. Feito granizo que faz arder a pele da gente quando nos pega desprevenida, sabe? Então eu corri pra cá. É sempre assim. Me encharco d'água e venho me secar com as tuas palavras. Me envolver com as suas estórias, e me aquecer e me esquecer do mundo lá fora. É tão bom quando a gente se sente fraca mas sabe onde se fortalecer... Sabe, menina? Já disse isso, me faço forte nas tuas palavras, minha força é tua, e sou grata por isso. As chuvas passam, hora ou outra, elas sempre passam. E aí vem o arco-íris, não é mesmo? Espero que ele traga mais do que sete cores a minha vida, porque essas ultimas chuvas foram de arrasar.

Eu sei, não disse coisa certa. Falei, falei e não disse nada. Só quis deixar algo aqui. Fique bem, menina bonita. Voltarei mais vezes, é bom sonhar os teus sonhos. Eles nos fazem realizar. Você merecia um prêmio Nobel por isso. Eu adoro você - e suas palavras mais ainda.

Um beijo no coração,
de quem muito lhe admira.

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