terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Dos erros e das faltas de nós dois.


Não, não faz assim. Não diz que foi um erro ter me dado à mão naquela manhã cinzenta ou ter acreditado naqueles sorrisos que eu te dava através do vidro da janela quando nossos olhares se encontravam por querer ou atração ou paixão mesmo. Não resume tudo o que a gente viveu à isso, à um erro que não merece ser lembrado. Não foi um erro, pelo menos acho que não merecemos ser lembrados assim. Não foi errado, foi uma criação nossa, que fugiu do convencional e de nossas expectativas, mas erro não é a palavra certa. Foi errado porque não aconteceu como deveria, mas como deveria? O que é o certo quando se trata de amor? Você não acha bom saber que existe um tipo de amor circulando por aí com as nossas credenciais? Fomos inéditos. Fomos a pré-estreia de um amor que não teve tempo para estrear e se tornar um sucesso de bilheteria porque os críticos nos convenceram de que não valia a pena investir na produção. Era barato demais, complicado de um jeito muito simples, repleto de clichês e ficou faltando aquelas cenas hollywoodianas que eles tanto gostam. 
E faltou mesmo. Faltou aquela dúzia de meias verdades que não arranquei de você enquanto deixei o nosso velho silêncio roer as bases da nossa construção até que ela viesse abaixo; faltou gritarmos um com outro, quebrarmos alguns vasos ao atirá-los na parede; faltou eu assumir sem medo o controle que você não soube tomar. Foi cheio de faltas, mas não foi um erro. E se foi erro, eu erraria de novo e de novo se em todas as vezes o seu sorriso mostrasse ser o melhor investimento que fiz na vida. A gente não pode chamar algo tão bonito de erro. Foi cheio de dor, eu sei, mas foi bonito, foi sincero, foi uma tentativa, e tentativas, mesmo as que não dão certo, são um gesto nobre de coragem.
Tentamos. Não deu. Que se há de fazer? Faz chorar hoje, mas ontem fez rir. Não tem mais poesia nem seu abraço quente no final do dia, mas tem aquele bocado de lembranças bonitas que a gente esconde na maioria das vezes pra não sofrer, mas vez ou outra vasculhamos e choramos saudade. Não foi erro, nunca foi errado tentar ser feliz. Foi nobre, já disse. Não é todo dia que alguém se lança em algo como nos lançamos em nós mesmos. Nos lançamos no que não sabíamos e, embora agora caiamos em queda livre, em alguma manhã de sol conseguimos voar e aproveitar a paisagem. Tivemos sorte, nem todos se amam assim como a gente se amou, nem todos conseguem encontrar o canto de um pescoço que traga a paz, nem todos sofreram como a gente sofreu quando tudo acabou e o amor ficou. E isso também é sorte, prova o quanto a gente foi capaz de amar, ainda que tenha faltado a doação e tantas outras coisas. É como dizem por aí: só o amor não sustenta ninguém, o amor é o primeiro degrau de uma escada repleta de outros sentimentos. Amor tínhamos, mas não soubemos passar desse primeiro degrau. 
Faltou coisa demais. Foi uma falta, uma casa sem móveis, um sofá vazio, mas não um erro, não um desabamento ou um sofá lançado ao fogo. Tínhamos a base - o amor - só não soubemos preencher todos os espaços, mobiliar a casa e manter nossos corpos aquecidos sobre o sofá. Não foi um erro, foi apenas incompleto. Erro teve, claro, quem nunca errou? Eu sei que errei quando deixei de te procurar, de te sacudir, de me enroscar em você. Mas foram erros derivados das grandes faltas. Foram pequenos grandes erros dentro do espaço maior que foi a nossa tentativa. Bonita, doída, saudosa. 
Dessa nossa história de faltas, erros e incompreensões, guardo um sorriso bonito. Queria que você também fosse capaz e não se prendesse apenas ao que foi errado, meio contramão. Depois de todas as nossas faltas, hoje tudo sobra: espaço no abraço, o seu lado da cama, a saudade no final do dia. O grande erro, plagiando a canção, foi crer que estar ao seu lado bastaria. Não bastou. Mas teria sido um bom começo se nós fôssemos os protagonistas da nossa história. Quer saber?, taí, O erro: fomos coadjuvantes demais para um amor que nos queria em primeiro plano e todo o resto do mundo como um barco cada vez menor e cada vez mais distante indo em direção à linha do horizonte até sumir de vez e nos deixar a sós.

"Tá certo que o nosso mal jeito foi
Vital pra dispensar o nosso bom
O nosso som pausou
E por tanta exposição a disposição cansou
Secou da fonte da paciência
E nossa excelência ficou lá fora

Só me resta agora acreditar
Que esse encontro que se deu
Não nos traduziu melhor
A conta da saudade quem é que paga
Já que estamos brigados de nada
Já que estamos fincados em dor"
(O Teatro Mágico)


(Escrito em 27/01/12, numa nota no celular)

11 comentários:

Paty Oliveira disse...

Meu Deus,você consegue se superar cada dia mais em? Muito bom esse texto tbm

Áurea M. disse...

Muito bom esse texto.. Muito bom tudo o que você escreve!
Te 'descobri' esses dias pesquisando algo interessante, em que eu me encontrasse e me encantasse, eis que me deparei com teu blog, teus textos, teu você e seus personagens, que parecem reais, que parecem eu (algumas vezes)!
Enfim, te desejo inspiração sempre, criatividade a cada dia, e que estas notas do teu celular se repitam por mais vezes!
Se cuida mocinha.. E põe pra fora, em palavras, o mundo lindo que há dentro de ti!

Thayrine disse...

Menina você é demais

"E faltou mesmo. Faltou aquela dúzia de meias verdades que não arranquei de você enquanto deixei o nosso velho silêncio roer as bases da nossa construção até que ela viesse abaixo; faltou gritarmos um com outro, quebrarmos alguns vasos ao atirá-los na parede; faltou eu assumir sem medo o controle que você não soube tomar. Foi cheio de faltas, mas não foi um erro. E se foi erro, eu erraria de novo e de novo se em todas as vezes o seu sorriso mostrasse ser o melhor investimento que fiz na vida. A gente não pode chamar algo tão bonito de erro. Foi cheio de dor, eu sei, mas foi bonito, foi sincero, foi uma tentativa, e tentativas, mesmo as que não dão certo, são um gesto nobre de coragem." ...


tudo que você escreve eu me causa aquela sensação : esse é pra mim.

emyhouseplus disse...

Sabe... eu acho que quando um relacionamento acaba por coisas pequenas é porque não houve vinculo ou amor suficiente para aguentar a barra. Quando ele acaba por algo grande foi porque um dos dois foi idiota. No seu caso, eu acho que foram coisas pequenas que foram se amontoando até virar uma coisa grande [desculpe a minha sinceridade, estou falando como leitora do blog]. Mas, acima de tudo isso, acho que a gente tem que saber ir adiante. Esquecer, deixar o passado e só viver. Aprender com os erros, sempre, claro. Porém,não deixar nosso passado nos abalar.

Suzi
http://suzilima.tumblr.com/

Juliana disse...

êe *--* feito aqui em casa, né nics :) meu aniversário é inspirador, não acha? hahahaha
sorteeee!

Juliana disse...

AHHHHH lindo nicole :) quero um celular com teclado de computador porque assim não vou mais perder meus textos que escrevo dentro da cabeça enquanto volto pra casa...
PARABÉEEEEENS Amiga linda :)))

Mariana Solis disse...

Que texto mais fascinante... Nicole, quanto talento. Esse texto tem uma essência tão pura, uma forma tão exuberante de algo que parece que sentimos juntas. Um texto que exala detalhes minuciosos e envolve de uma compreensão tão surreal que fiquei pensando: esse texto é a minha vida. Indescritível, eu AMEI.
Ah, essa é a primeira vez que acesso seu blog e nossa, como fiquei fascinada! O conteúdo e o layout são apaixonantes. Garota, você tem mais que talento, é DOM, você nasceu com isso Nicole *-* Continue assim! Sabe, vendo o que faz aqui, fiquei com a impressão de que encontrei um refúgio, um texto legal, um conteúdo original, minha história de vida nas suas palavras... Eu nem preciso dizer que eu gostei o seu Blog, não é? Porque eu não só gostei.. eu me encantei, eu amei! O mínimo foi clicar ali e te seguir! Que bom foi ter encontrado seu espaço! *-* Parabéns e muito sucesso, viu?
Seria uma honra vê-la no meu blog, e se gostar, seguir também! ♥ Tem posts novos por lá! Beijos!

Antes de Sonhar

Camilla Leonel disse...

uma das melhores coisas que li nos ultimos tempos...

Deyse Batista disse...

A descoberta do seu blog fez do meu dia até então cinzento uma coisa mais límpida e real. Tuas palavras me doeram muito, mas também sou de uma beleza inegável. Tudo por aqui é muito lindo.
Beijos, Deyse.

Ana Flávia Sousa disse...

ah moça, que envolvimento este escrito nos trás.
Nunca foi um erro, você tá certa.
Essas coisas tem de acontecer desse jeito as vezes, confunde, magoa, eterniza também.
E, sim, o amor nos quer ali, nos papéis principais, de mãos dadas, nas manhãs cinzentas, e nas ensolaradas. Juntos. Sucesso você, sempre.

Luiza disse...

Quando houve amor, nunca á erro e sim benção. Realmente não é pra muitos tanta entrega, amor de verdade que supera limites bestas, saudade aguda, palavras lindas, sentimento na pele.
Não foi erro não, foi tentativa e por termos tentado, mostramos a vontade de ter algo bonito e real em nossas vidas, de termos pessoas especiais e significativas ao nosso lado.
Beijão

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