segunda-feira, 18 de julho de 2011

Ah, não sei, só deixa eu te olhar.


Ah, não sei, não foi nada. Ou foi? O quê? Saudade, talvez. Amor? Amor não sei. Não diz nada, só deixa eu te olhar. Deixa eu te varrer com meus olhos e descobrir quem você agora é. Quem é você? Quem sabe te observando assim fique claro. Tão estranho te conhecer há tanto tempo e ainda e me perguntar baixinho quem é você. Você, que já foi o primeiro-amor, o amor-da-minha-vida, o nada-a-ver, agora, quando tudo se misturou e acordamos no tempo, me diz, quem é você? De repente novamente te vejo; de repente você existe nítido na minha mente; de repente minhas certezas evaporam. Não sei, e o que se diz numa hora dessas?
Seria sincero dizer que nem por um minuto sequer, esqueci de te desejar coisas boas, de me preocupar com a sua felicidade, de comemorar o teu crescimento. Sempre que te via aplaudido, elogiado, comemorado, sentia um orgulho besta, dava um tapinha discreto no peito, feliz por te conhecer há tanto tempo, feliz por nem lembrar da minha-vida-sem-você, feliz por ter te conhecido e, de alguma forma, te marcado. Mas não é amor. Ou é? Mas existem tantos tipos, não serei eu louca a ponto de cometer o mesmo erro duas - três, cem, mil - vezes e confundir tudo.
Sabe, você sempre esteve presente. Começo mesmo a acreditar naquela história de que o-primeiro-amor-a-gente-nunca-esquece, culpa sua.  Não, fica calmo, não vou fazer alarde, nem dar corda pra esse sentimento que ameaça despertar daquele sono profundo. Não se assuste quando me encontrar te olhando, só quero descobrir você. Só isso. Só quero voltar a associar minhas lembranças bonitas à você, aquela nossa foto no bosque, todos os sonhos que minha mente de criança bolou pra nós dois.
Quero lembrar desse tempo, deixa eu te olhar só mais uma vez e sempre. Deixa eu te transformar em literatura, porque de todos os amores e desamores, é você o único que nunca ganhou um parágrafo sequer. E você, ah, querido, você merece tanto. Foi você, e aquele nosso amor utópico, que me colocaram no caminho que sigo. Às vezes solto risadas quando lembro que desde pequenininha tive um pé no drama, uma tendência às loucuras, uma força gigante pra lutar pelo que meu coração escolhera. Ainda não sei de onde me vem tanta determinação. Do amor? Não, não coloca ele na história - não ainda, não de novo, não nesses termos.
Sabe? não, não sabe, então deixa eu dizer: de repente voltei a sonhar. Não sou mais aquela criança, parecia que a vida tinha tirado essa capacidade de mim, mas olha só o que você fez, quebrou o (des)encanto: eu posso sonhar novamente. Nesses tempos de vazio sentimental, encontrar você me faz querer plantar pequenos jardins no coração, lançar sementes e ser boba por acreditar que elas podem sim germinar. De repente lembro de todos aqueles acasos que me levavam até você e os trago de volta. Não quero mais me afastar, quero te conhecer. Esquece esse intervalo de tempo que passou em aberto, olha pra esse abismo entre nós e pensa que é hora de plantar flores ali, de construir pontes, porque somos grandes agora, sem aquele medo infantil que nos afastou.
Ah, pequeno grande primeiro amor, só deixa eu te olhar e quase acreditar que não precisa ser assim: você lá e eu aqui, no meio: abismo. Não, não diz nada, me olha. Vai que um dia esses olhares se encontram e a gente se pega rindo da obviedade da vida. É, de alguma forma, te amo. Não há escapatórias para o primeiro amor, ele é sempre um só. Mas eu já disse: não vou confundir nada, vou fazer tudo certo dessa vez. Só deixa eu te olhar, é bom poder sonhar novamente, você me faz bem.

15 comentários:

Ju Fuzetto disse...

Todos os abismos se desfazem quando os olhos conseguem tocar a imensidão do coração.

Ah Nick, vc me emociona, sempre.


Um beijo

Marie Raya disse...

Acho que primeiro amor a gente nunca esquece mesmo. E talvez seja o amor mais puro, porque a gente não sabe que é amor. Mas é. É amor puro e de atos estabanados. Que lindo seu texto, que lindo todos os teus textos :) Um beijo!

Viiviih M. disse...

Primeiro amor é para sempre,para ser guardado com carinho,conservando sempre a inocência com que se amava.Acho linda essa sua forma de fazer com que os textos pareçam diálogos.

Amanda Arrais disse...

Não tem como não se identificar/encantar com o que tu escrever. E eu penso parecido, talvez por não ter tido ainda o segundo amor. Acho que o primeiro amor só tem esse impacto até surgir o próximo que, dizem, vem com ainda mais força. Pra mim, por enquanto, tudo que foi sentido primeiro, e de maneira incomparável, ainda é uma magia. Magia essa que tu soubeste escrever divinamente bem, como sempre.
Me sinto repetitiva ao dizer o quanto gosto da tua escrita já.
Parabéns!

=*

Gabriela Freitas disse...

meu primeiro amor, ainda é o meu amor.
Lindo texto.

Carolina Almeida disse...

Por ser primeiro amor ,ainda não é podado,controlado a conta gotas.É completo e a mais pura e verdadeira concentração de amor.
Lindo demais esse texto e mais ainda sua forma de escrever .
Beijos

Anônimo disse...

thanks

Ana Lu disse...

O primeiro amor sempre fica tão marcado né? Lindo demais o texto!
Beijos!

Louise R. disse...

como sempre seu texto foi perfeito e eu me identifiquei demais... o abismo hoje é fato pra mim, mas nem por isso apagou tudo o que foi sentido e vivido no primeiro amor.
beijos !

Emi disse...

É, quando a gente pensa que ele foi embora, olha o danado de novo batendo a nossa porta! De quem a culpa? Do destino. Dele, e só dele.
Lindo texto, Nic! Mais um para a lista dos que mais me encantam por aqui.
Beijos!

Ariana disse...

A realidade de suas palavras me surpreedem Nicole.
Texto maravilhoso como sempre!
E como tu mesma disse, o primeiro amor é inesquecível, deixa grandes aprendizados, várias lembranças.

Beijos

rz disse...

e quando a gente gosta só olhar basta pra sorrir gigante.

Natália disse...

Todos os abismos se desfazem quando os olhos conseguem tocar a imensidão do coração.[2]

Adorei o texto...

Maria Fernanda Probst disse...

Tenho medo de olhar demais e enxergar o que não posso. Ou imaginar coisa onde não tem.

Acho a tua escrita fantástica, moça!

Baaah disse...

Lindo!
Será mesmo que ela só de olhar vai conseguir saber o que ele é, o significado dele na sua vida?Parece até obvio ser amor, mas será que ela enxergará o mesmo nele?E a vida não os escreveu assim: para serem apenas o primeiro amor um do outro, um abre alas fantástico para outros que virão?Chega de se pegruntar melhor ela simplesmente sentir.;)

Não canso de repetir estar de volta é sempre bom!
=****

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