quinta-feira, 23 de junho de 2011

Nota.

23/03/11 - Achei alguns pedaços soltos e na época juntei tudo nesse texto, por isso não há muita relação entre os parágrafos e nem pode ser considerado um texto - por isso o título "Nota", é apenas  isso. Nunca postei porque achei "mimimi" demais, mas whatever!, hoje tá chovendo e tô com saudade, é o dia perfeito pra "mimimis" haha. Enfim, não é totalmente verdadeiro, mas eu sei que foi quando escrevi, a questão é que o tempo passa e a gente aprende. Isso de deixar a vida passar sem vivê-la não é pra mim, descobri provavelmente no minuto seguinte ao que escrevi. Escrever esclarece.
 

"Vou escrever algo como antigamente, algo que rasgue o coração, doa o que - ou a quem - doer", penso enquanto abro a página em branco. Faz tempo que não escrevo algo e penso "falei demais", "me expus demais", "me entreguei demais". Faz tempo que não me deixo levar por esse coração, porque - pela primeira vez - esse coração não sabe para onde ir. Pela primeira vez esse coração se conformou, e essa é coisa mais triste que tenho a dizer. Ouvi muita gente dizendo que não tinha mais jeito, ouvi você dizendo que tinha coisa mais importante pra fazer, ouvi pessoas e pessoas dizendo que a vida é assim mesmo. Ouvi tanto que acreditei. Se não tem jeito, pra quê lutar? Se não vai dar hoje, então deixemos para amanhã. Se a vida é assim mesmo, então deixe-me sentar ali na calçada e esperá-la me atropelar. Tudo bem, ninguém luta, ninguém move uma palha, ninguém dá um basta na dor que está ali, também conformada. Ninguém, nada, nenhum. Palavras tristes e vazias, que circulam na mente de alguém que não queria ser assim.
Sou dessas malucas que lutam pelo que querem. Que dedicam tempo, palavras, atenção. Que não param em obstáculos, mas usam para pegar impulso para o próximo passo. Que vivem o hoje porque sabem que o amanhã pode não chegar ou chegar atrasado demais. Que correm lado-a-lado com a vida e jamais sentam como espectadores para vê-la passar. Então, o que faço estacionada nesse ponto? não sei, só não vejo outra direção, outro caminho, outra solução além desse conforto. Só fico aqui, cansada demais pra correr, pra lutar, pra me doar por algo que já tanto fiz. Não sofro, não me movo e quase não sinto. Apenas sento e espero que o amor me atropele. Que me provoque náuseas ou arrepios, mas provoque. Quero sentir. E, dessa forma, voltar a mergulhar palavras em sentimentos e sair com a sensação de vitória.
Por agora, me espelho em músicas e histórias alheias, sinto por todos os casais formados, reatados, terminados, perto de mim. Escrevo por eles, mas ao ler percebo que estou também nas personagens que criei enquanto assistia a vida passar. Eu estou ali, na força daquela moça que, cansada de tantos jogos e subjetividade, saiu correndo daquele sétimo andar, em direção à um lugar que nem ela sabe aonde é. Eu estou em cada pergunta que aquele apaixonado faz em busca de respostas que eu também não sei: cadê a menina que vai à luta pelo amor? pra onde aquele carro me levou naquela manhã? não sei. Estou naquele barco que fica, que cuida, que espera pelo que foi, jogando esperanças no mar pra que ele volte. Estou na menina deitada no sofá, desejando que me cuidem, tão cansada de ser a parte que corre, escreve, luta. Estou na moça parada na beira da estrada, cansada da ausência de sentimentos, do comum, do que não encanta nem comove. Estou em cada entrelinha do que minha personagem diz, desejando que me deem um choque e me levem novamente a sentir. Eu, camuflada, disfarçada, escondida, estou sempre em cada linha que escrevo. Em forma de desejo, confissão ou lembrança. Em forma de fuga, criando situações em que gostaria de estar, mergulhada dos pés à cabeça em qualquer coisa semelhante à uma emoção. Uma vez li em algum lugar que escrever é apenas um jeito de procurar novas formas de contar sua história, de falar de si mesmo, e é isso o que inconscientemente arrisco: me reinvento.

8 comentários:

Ariana disse...

"Eu, camuflada, disfarçada, escondida, estou sempre em cada linha que escrevo. Em forma de desejo, confissão ou lembrança."

Sou exatamente assim e penso que usamos a escrita para nos libertar, tentar entender o que ninguém entende e depois de algum tempo relemos textos antigos e vemos o quanto já mudamos.

Escrevemos o que não conseguimos dizer, demonstrar.

Adorei o texto flor!

Beijos

Luiza disse...

Pra mim fez sentido. E ficou ótimo. Não adianta, se você está escrevendo, vai ficar bom e bonito. E eu sou sua humilde fã.
Chega uma hora que as coisas estabilizam, e só fica uma saudade vezenquando ficando na gente. Mas sei que logo começam as suas aulas e sua vida vai ter gente nova, coisas novas e muitos sonhos sendo realizados. E o que ficou pra traz vai virar poeira moça. Abre e o olho e olha para os dois lados, porque eu sei que o amor logo logo vai passar na sua rua. Beijões.

Amanda Menezes disse...

"Vou escrever algo como antigamente, algo que rasgue o coração, doa o que - ou a quem - doer", penso enquanto abro a página em branco. Faz tempo que não escrevo algo e penso "falei demais", "me expus demais", "me entreguei demais". Faz tempo que não me deixo levar por esse coração, porque - pela primeira vez - esse coração não sabe para onde ir."

Mais uma vez, depois de muito tempo, eu me vi escrevendo isso. Acho que vc não faz ideia do quanto eu senti falta disso tudo aqui. Acho que ninguem faz ideia do quanto eu precisava voltar pra ca. E mesmo sabendo do quanto isso faz parte de mim, eu me deixei ficar. Meio perdida no tempo, tentando crescer. Esquecer essa ideia de final feliz. Enfim, quando eu li esse teu texto, pode acreditar, eu entendi o que realmente tava faltando. Eu tava me controlando, tava agindo de uma forma mais racional possivel. Deixei de lado aquela menininha que sonhava com tudo perfeito acontecendo. Mas ao ler isso daqui, eu acordei. Eu voltei. Eu quis voltar. :) E, pra falar a verdade, me deste força mais uma vez pra sonhar. Coisa que eu já não tava mais fazendo.
Crescer é bom, é essencial. Mas a gente não precisa crescer como os adultos chatos que existem. Eu quero crescer sim, lógico. Mas eu vou crescer do meu jeito. Sonhando com finais felizes e principes encantados. Eu quero isso, eu mereço isso. Essa sou eu. :)

Tava com muita saudade daqui. Espero não desistir de tudo outra vez.
Beijoos Nicole Furtado.
Amanda Menezes

Amanda Arrais disse...

Nem acredito que não comentei no texto "Quem sabe". É exatamente como a Luiza falou, tem algo que me faz vir aqui sempre que tu atualizas. Tuas palavras prendem de uma maneira suave que eu não sei explicar. Um prazer sempre esse blog, adoro ler os textos antigos.

PS: essas "notas" também tão maravilhosas.

"Só fico aqui, cansada demais pra correr, pra lutar, pra me doar por algo que já tanto fiz. Não sofro, não me movo e quase não sinto. Apenas sento e espero que o amor me atropele."

Sinto exatamente o mesmo.

=*

Support Lover's disse...

Seguindo *-*
Blog muito fofo =D
"Eu, camuflada, disfarçada, escondida, estou sempre em cada linha que escrevo. Em forma de desejo, confissão ou lembrança."

Nossa descreveu muito bem, sou exatamente assim. A escrita me liberta

Rebeca disse...

Ah, menina, moça, mulher. É tão lindo te ver sonhar, espairecer, crescer. Ha tempos eu não vinha lhe visitar, mas cada vez que venho, não importa quanto tempo passe, você está mais bonita, mais forte, mais firme. Continue assim, moça. Adoro sonhar os teus sonhos.

Yohana SanFer disse...

E mais uma vez você nos encanta! Impossível nãos nos encontrarmos e nos perdermos em nossas entrelinhas...belo texto moça! Belíssimo texto! bjs

Ana Flávia Sousa disse...

Está tudo tão claro! Mesmo quando você escreve, sem escrever, mesmo com uma nota, você arrasa nossos corações.

"Sou dessas malucas que lutam pelo que querem. Que dedicam tempo, palavras, atenção. Que não param em obstáculos, mas usam para pegar impulso para o próximo passo. "

Adorei isso. Ando com pensamentos meio malucos, julgados pelos outros, mas sei o que quero e mesmo que seja difícil, vou usar cada obstáculo como degrau em busca da alegria de cada dia!

Grande beijo.

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