quarta-feira, 27 de abril de 2011

Cadê você?


O relógio mostra cada vez mais minutos da hora que combinamos, as pernas dão sinal de cansaço e o coração passa a assimilar o fato de que você não aparecerá. Já faz um tempo desde o dia chuvoso em que sua carta chegou às minhas mãos, o dia em que aquele papel me disse sobre a sua fuga. Você fugiu, não só de mim, mas do que sentia. Você trancou tudo num quarto escuro por ter medo, por não acreditar que dessa vez tudo pudesse ser diferente, por não entender que do amor não se foge, se vive. Você fugiu dizendo me amar, prometendo voltar um dia se estivesse pronta. O dia é hoje, você marcou e não veio.Você se perdeu em sua fuga e me deixou aqui: perdido à sua espera.
Você pediu tempo e eu programei meu relógio às suas vontades, você pediu espaço e eu me afastei, você nunca pediu meu amor, meu lugar, minha vida, e ainda assim te dei. Mas quando foi a minha hora de pedir e eu pedi que você apenas confiasse à mim seus medos, você fugiu. Foi embora dizendo precisar de um tempo para se conhecer, para tirar o pó da sensação antiga que é se sentir apaixonada por alguém, pra ter certeza de me querer não pelo que faço por você, mas pelo que sou - pra você e por você. Pra você sou louco, por você sou tudo e mais um pouco, mas cadê você? Há meses atrás você disse ser hoje, desde então vivi meus dias em função dessa data e como um prisioneiro da sua ausência, risquei num pedaço de papel os dias que faltavam pra te ter. E agora, o dia chegou, o papel riscado de cima a baixo avisa que não há mais como contar um dia sem você e meu coração, sangrando a cada segundo a mais dessa hora que passa, avisa que não há como sobreviver a mais um dia sem você. E então, cadê você?
Cadê você além dos meus sonhos? Cadê você além desse pedaço de papel que sobrou na minha mão? Cadê você tornando real as palavras do meu texto? Cadê você na paisagem da minha janela, me esperando lá embaixo enquanto eu acordava preguiçoso e olhava o mar da sacada, te vendo como parte daquele espetáculo que a vida fazia acontecer à minha frente? Cadê você que não canta mais minha canção favorita pra me fazer sorrir, que não me espera pra ir embora ao teu lado, que não me liga pra contar o quão engraçada foi aquela piada que te fez lembrar de mim? Cadê você que eu não sei? Pra onde fostes enquanto eu te esperava e me enganava com ilusões de te esquecer? Cadê você que não vem me explicar o que nunca teve explicação?
Já decorei suas desculpas e sei de cor seus argumentos, mas sei melhor do teu maior desejo: abandonar tudo isso e pular em meus braços. Sem essa de não estar pronta pra isso que te invade, te consome, te sacode pra realidade: o amor. Eu não me programei também, não me preparei pra me entregar tanto à alguém como sou entregue à você. E estar pronto, então? me diz, quem é que um dia esteve pronto pro amor? Você tem medo de que dê errado, de que o amor não seja amor, de que um dia tudo acabe e faça as lágrimas borrarem a maquiagem e manchar o seu sorriso? Pois então, meu bem, dê-me a mão porque somos dois. Somos dois e somos muitos nesse mundo. 
O amor não tem manual de instruções nem placas pelo caminho indicando o que você encontrará lá na frente. O amor é arriscar, é mergulhar no que você não sabe, é calar a voz do medo quando o outro nos dá a mão. O amor é subir a montanha sem saber se lá em cima havera o voo ou a queda. O amor é o que não se sabe, o que se assusta por não saber,  mas o que não desiste por ter medo do que descobrirá. Se lá na frente houver a queda, o choro, o coração jogado ao chão, não se preocupe: o amor também é isso, também é a superação, a extração do que foi bom de algo que não terminou como o planejado. 
Você tem medo do que pode ser, sem nunca ter experimentado o que é. Não há maneira de descobrir o futuro desprezando o presente, assim como não há maneira de descobrir a vida desprezando o amor. Eu queria poder te dizer que não haverá dor, que tudo dará sempre certo, que o final feliz certamente será o nosso, mas não posso. Por isso só peço seus medos entregues aqui nas minhas mãos e prometo fazê-los silenciar.
Ainda faltam minutos da hora que escolhestes e eu não sei onde estás, mas onde quer que você esteja, olhe o relógio e venha. Não deixa ser tarde demais, não deixa tudo isso ficar pra depois se o depois pode não existir, não deixa que o amor seja desperdiçado e vencido pelo medo. Me salva da tua ausência, porque ainda falta uma eternidade da vida que podemos começar quando você chegar.

"Então, minha querida Amélie, você não tem ossos de vidro. Pode suportar os baques da vida. Se deixar passar essa chance, então, com o tempo, seu coração ficará tão seco e quebradiço quanto meu esqueleto. Então, vá em frente, pelo amor de Deus."
(O Fabuloso Destino de Amélie Poulain)

terça-feira, 26 de abril de 2011

Relato sobre uma relação de ódio eterno.

Algumas notas antes de começar: 
1 - Não se emocione ao ler o texto.
2 - Fica proibido usar qualquer uma dessas palavras contra mim.
3 - Eu fui assustadoramente sincera em tudo o que disse, por isso não estranhe a fofura e o amor - no fundo, eu sou assim.
4 - O tamanho é grande porque é a única vez que serei fofa contigo, anota isso aí.


5 -Seu idiota, boboca, peido, eu te odeio.

Eu começaria esse texto com alguma "ofensa", mas sou legal demais pra começar assim. A questão que importa é: você não faz meu texto, mas eu faço o seu. (Pegue o seu "A ladra" e mande para o lugar encantado onde está aquela borracha rosa neste momento!) Aqui estão, palavras meio bestas, mas verdadeiras. Coisas que a gente só diz uma vez na vida porque no restante do tempo estamos ocupados demais sendo idiotas, contando piadas, trocando xingamentos da boca pra fora. E, se me permites dizer: Eu te odeio! Odeio a sua mania de ser irônico a cada respiração e não enxergar que às vezes os outros podem ter razão. Odeio suas piadas de mau gosto, seu time, seus cálculos, sua letra e, principalmente, a burrice do seu coração. E é aqui o lugar onde todos os seus adjetivos se encaixam: BOBOCA, PEIDÃO, e, sobretudo, TROUXA, TROUXA, TROUXA. Como pode alguém se entregar tanto à todas as paixões que a vida coloca à sua frente? Como pode alguém não questionar, não racionalizar, não ver que daqui à pouco tudo acaba, as palavras mudam, os pensamentos também? Como? Sendo Felipe. Enxergando possibilidade de eternidade no fugaz, facilidade onde a outra parte só vê complicação, ingenuidade onde o mundo há muito tempo não a vê mais. Talvez eu também seja meio Felipe e te odeie por isso, e você, por odiar esse teu lado, odeie também a mim. Eu odeio essa sua determinação quando bem sabes que não dará certo, quando todas as placas sinalizam o caminho oposto pra você, quando eu grito berro ordeno que de uma vez você dê meia volta. Mas suas experiências só confirmam o quanto você sempre desprezou todos os meus conselhos e alertas, visto o senhor cabeça dura que sempre fostes, e isso só prova que você quando cisma que quer, saiam todos de baixo, porque acima das nuvens, completamente fora do chão, voa um pássaro que só sossega quando encontra lugar no ninho que decidiu mirar. Se aprovo esse seu comportamento? não sei, mas disseram por aí que a determinação é um dos fatores que nos fazem ganhar o mundo e, disso, você entende. Não de ganhar o mundo, mas de determinação. Ou talvez de ganhar o mundo também, afinal, como explicar a súbita atração que você provoca em todas as mães desse Brasil? As levando a pensar que o mundo deveria ser composto por Felipes: que sabem matemática, física e ainda por cima escrevem; que tocam teclado, violão, guitarra, harpa, bandolim, tambor; que são compromissados com a  igreja; que fazem correndo o que ordena a voz de uma - tia - mulher; e ainda por cima querem ser engenheiros. Mas se fosse o mundo de Felipes, eu não sobreviveria, visto que um já me exige paciência, palavras, sorrisos e, confesso, admiração que quase não cabem mais em mim. 
Talvez você espere que a próxima confissão seja a de que és o meu BFF, mas não se iluda: não és. Mas não se deprima: és mais do que isso. Se existem amigos mais chegados do que irmãos, você, felipe, é a prova deles. Você é meu irmão. Aquele tipo implicante, mais chato que a palavra chato consegue passar, que me bate, me xinga, mas que no fundo me ama. O cara com quem invento maluquices, piadas internas, infantilidades que me ajudam a sorrir. O bebezão que vem contar sobre os casos - desastrosos - amorosos, as sagas familiares, as aventuras dos três mosqueteiros: piu-piu, gleydsom e diogo. Um amigo que é amigo sem precisar receber títulos de honra ou me fazer sentir merecedora de um. Você é Felipe e eu sou Nicole. Amigos apenas. Sem o peso de sermos melhores, sem a responsabilidade de honrar os adjetivos, sem a normalidade que algumas amizades cismam em exigir. Somos só dois bobocas, peidões, imbecis, e, vou me incluir pra não te deixar sozinho nesse barco, trouxas que se odeiam, mas que encontraram no ódio um grande abrigo pra uma amizade acontecer. Ao contrário do que você se iluda todos os dias: eu não quero ser sua BFF - até porque sua relação com esse título não é muito normal, e nem que você seja o meu, contanto que tudo continue dessa forma pra nós. Contanto que sejamos sempre essas duas crianças idiotas que se batem, se xingam e riem juntos da própria desgraça - vide nossas vidas amorosas - pra no momento seguinte se confortarem com algumas palavras de incentivo que entram por um ouvido e saem pelo outro - cabeça dura que somos. No fundo, você me ama. E, no fundo, eu te amo também. Ainda que você queira distância disso que chamam de amor e bata orgulhoso no peito segurando a bandeira do "eu não amo mais", você ama sim. E, me permita dizer, se você não amar, você deixa de existir, seu carma é ser assim, sorria e aceite.
Sabe, com toda essa baboseira sentimental, eu só quero chegar ao ponto em que agradeço. Por todas as nossas piadas terrivelmente idiotas e tantas vezes malvadas. Pelos personagens que inventamos - a Hebe, o seu bróder da biblioteca digital, o seu professor favorito, as coleguinhas, o cotista, os seus "amores", os seus "adversários" da música do mamonas assassinas, as suas tias, os seus amigos e todos os outros que não cabem aqui. Obrigada pela confiança que você tem em mim, por me procurar pra contar desde a sua mais nova piada ao seu mais novo caso amoroso. Obrigada pelos infinitos e infinitos e infinitos risos. Obrigada pelas vezes em que você transformou o motivo do meu choro em piadas e me ajudou a sorrir. Obrigada pela sua ajuda, pelo seu companheirismo, por ter andado do meu lado. Obrigada por ter tantas e tantas vezes me salvado em física, matemática, desenho e biologia e por não ter desistido de mim quando eu dizia: "Olha, a pergunta é idiota, mas eu vou fazer". Obrigada por ter me dado a opção de não te amar, ainda que eu não consiga escolhê-la.
É, porque eu te amo mesmo e tudo o que eu quero é que você seja absurdamente feliz. E que me leve contigo por onde você for. Me convide pra sorrir contigo, chorar contigo, comemorar contigo. Me procure pra contar sobre suas novas investidas, seus novos voos, seus novos alcances. Quero ver de perto o seu sucesso, em todas as áreas possíveis, pra poder olhar pra trás e rir junto contigo de todas essas besteiras e decepções que há pouco tempo pareceram ser o fim do mundo. Vou conhecer sua esposa e dizer pra ela todas as baboseiras que você mencionou um dia, vou no aniversário dos seus filhos e incentivá-los a não ser de exatas e flamenguistas como o pai, vou tocar tua campainha todos os dias possíveis pra cobrar minha mesada, afinal, engenheiro tem dinheiro e vou bater a porta "di cum força" se você se recusar.
Tudo de bom, passarinho carente, que você encontre seu ninho e um coração que possa te amar com toda essa entrega que você oferece. E, lembre-se, se der errado uma vez, tente outra. Se precisar de alguém pra conversar, tô aqui, você sabe, desrespeite com minha autorização o status do meu msn. Acredite em cada sentença da frase: Eu vou estar sempre aqui. Vou mesmo.
Por fim, pequena ave, felipe, piupiu, irmão, guarda isso porque é momento raro: Eu amo você. E não ouse usar minhas palavras contra mim quando, um dia, eu jogar na tua cara que te odeio. Eu te odeio, mas também te amo. E, se o ódio é o caminho mais curto pro amor, você, felipe, é o caminho mais curto, praquilo que um dia disseram ser amizade verdadeira.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

(É)ra amor.


De todos os amores nunca usados que tive, você foi o mais real. O único que me fez perder noites e ganhar dias pensando em táticas de aproximação. O único que me fez sentir verdadeiramente apaixonado, como se nada mais importasse no mundo além do fato de você existir. O único que me fez comparar formas de sorrir, ganhando disparado na disputa pelo sorriso que era capaz de iluminar a maior parte dos meus dias. O prêmio era o meu coração, e esse sempre foi teu. Desde aquele dia, naquela escada, quando sua voz disse meu nome e eu olhei, sem saber que na verdade você chamava o outro. Se soubesse da armadilha que me esperava, não teria olhado - embora continue a pensar que a qualquer momento seus olhos acabariam me capturando. Você me teve durante todos aqueles dias de todos aqueles anos. Era amor, sim, mas eu não soube te dizer.Era amor aquele repertório de piadas ensaiadas pra quando fosse a hora de ter tua atenção. Era amor quando, debaixo daquela escada escura, todos os outros sumiam e eu só via você. Quando os outros tinham sua atenção e eu jogava frases pra te pescar de volta, quando eu, sorrindo, te avisei que o cara que estava dando em cima de você há dias havia desistido, quando eu disfarcei e esperei que você saísse pra poder te acompanhar: amor, amor, amor. Era amor, sim, todos estavam certos. E continuou sendo amor por tantos outros anos.
Naquele dia em que te encontrei e te disse depois que não imaginava do que você fosse capaz, eu estava sendo sincero: eu nunca imaginei que esse amor fosse durar tanto, que resistiria ao tempo e a distância. Por isso corri e tentei recuperar o tempo que havíamos perdido e resolvi me mostrar, te dizer nas entrelinhas que te amava, quando você se fazia de boba e levava tudo à tecla da amizade. Você nunca acreditou quando eu disse que o que mais queria era estar contigo, nunca acreditou que eras sim a pessoa que mais importava, nunca acreditou numa só palavra que fosse. Você se martirizou por sentir algo que sabia que não daria certo, se culpou por ter deixado um sentimento que você não conhecia tomar conta do sentido, jogou no lixo o que nunca sequer começara. Não te culpo por isso, a culpa foi minha, eu não soube te prender, não soube arriscar, não soube cumprir o que há muito tempo prometera: te devo um jantar e você me deve uma história de amor concretizado. Saiba que o amor estava em cada uma daquelas palavras tão bem escolhidas que surgiam sem que você ao menos esperasse. Só palavras, eu sei, faltou coragem pra te provar que as ações condiziam com todas elas. 
Hoje eu lembrei de você, como vem sendo durante todos esses anos. Lembrei da gente e reli tudo o que foi dito. Ah, o amor, era ele mesmo. E agora é só falta, uma saudade sufocante, um desejo de fazer seu telefone - aquele que eu nunca pedi - tocar. A vontade é de te chamar pra andar por aí, de te ver chegar e correr ao teu encontro como naquelas fotos e só dizer que era tudo verdade. Que sim, eu nunca amei ninguém dessa forma, eu nunca conheci alguém tão incrível, eu nunca desejei estar tanto num lugar como quis estar ao teu lado. Não como aquele amigo que você jurava ter muita sorte por ter encontrado, eu sempre quis mais. Mais do que aquele que te lembra o quanto você é especial e diferente de todas aquelas garotas lá fora, eu quis ser aquele que te prova isso. Eu tive medo de querer tanto mais e acabar tendo nada, eu preferi ser seu amigo do que ser apenas uma lembrança escura de alguém que foi mais um do time dos "apaixonados por você". Só que agora você está longe e eu nem sei mais se pensas em mim. Me recuso a acreditar que tenhamos nos perdido um do outro, tenho medo do "nunca mais você". 
Só me diz: se eu te chamasse hoje, pra olhar o céu comigo, pra conversar sobre tudo e sobre nada, você viria? Mesmo que o seu coração tenha outro dono e a porta esteja trancada pra um amor de infância, como eu corro o risco de ser rotulado, você viria? Eu ainda preciso saber se sou importante pra você, se você ainda sente minha falta e se realmente lembra de mim quando passa por aqueles lugares. Preciso te encontrar pra corrigir um erro na conjugação do verbo: não era amor, como essa distância te faz acreditar: é amor. Há chance de ser real dessa vez? Me liberta do sonho, vem?

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Do outro lado da porta.


Três batidas seguidas anunciam sua chegada, você chama meu nome e eu, cansada demais das antigas desculpas, me recuso à abrir a porta. Sua voz embargada diz que pensou melhor, que foram erros tolos e que podem ser corrigidos, suas pausas revelam o ato heróico que assumistes e eu, pequena demais, sentada no canto da parede, me pergunto até onde posso acreditar naquela voz tão conhecida e desejada, que um dia prometeu me amar para sempre. No momento é tudo tão lindo, tão assustadoramente romântico, que a gente não para pra pensar que o "para sempre" não é logo ali. Só agora, quando tudo se confude e os erros acumulados sob o tapete da sala vêm à tona, a gente percebe que o "pra sempre" é longe demais. É uma viagem interminável, alternando entre as subidas íngremes e o chão lisinho, entre as paisagens bonitas e o vazio descampado, entre o prazer e o cansaço da viagem. Eu sei que prometemos, mas será que as promessas feitas quando some a razão e o coração impera têm valor? Será que faz sentido acreditar em "pra sempre" quando somos tão jovens e temos uma vida inteira pela frente? Aqui dentro de mim eu quero acreditar em tudo isso, quero continuar contigo nessa viagem que começamos, quero mais do que te amar, viver esse amor. Mas hoje, sentada e despeçada nesse chão, com cacos de vidro espalhados pela casa, confesso não saber o que fazer.
Foi mais um erro tolo, eu sei, mas o que é um erro tolo para um coração tão cansado de erros? Muito mais do que erro, vira pedra de tropeço, gota d'água, bandeira branca. Eu cansei de tentar correr e consertá-los, de te ver quieto enquanto o céu desabava sobre nossas cabeças e eu, com a minha falta de tamanho compensada em força de vontade, enfrentava o que fosse necessário para pintar novamente o sol. O fiz, com orgulho e com prazer, enquanto tive força, enquanto meus ombros aguentaram o peso, enquanto meu coração encontrou motivos para acreditar que um dia seria diferente. Sempre tive esse eu descontrolado que assume pra si todas as responsabilidades e luta, doa, entrega completamente, mas por trás disso tudo, eu só queria que você chegasse e jogasse pela janela todas as minhas listas pré-elaboradas, assumisse o controle desse trem desgovernado que eu tento há tanto tempo colocar nos trilhos e provasse estar comigo. Por trás de alguém que surpreende, demonstra e luta, há alguém que espera a hora de assistir a tudo isso com um sorriso no rosto. Não que tudo o que faço seja com a intensão de receber em troca, é só que se sentir especial e amada, de vez em quando faz bem, renova as forças. As forças que me faltam nesse momento.
Como a sua voz faz hoje do outro lado dessa porta, eu só queria que fosse você a parte que diz o que sente, sem esperar adivinhações; que corre atrás, sem esperar que a "mulher maravilha" resolva tudo antes; que luta pelo amor por saber que sem ele as coisas perdem o seu sentido. Não quero que seja necessário dias de ausência para que percebas o quanto me amas. Quero que enquanto me tens, enquanto suas mãos seguram as minhas e seus olhos leem os meus, você perceba que ao seu lado anda o seu grande amor. Aquela a quem um dia você prometeu amar para sempre, ainda que tudo fosse novo e arriscado demais. Aquela que está com você nessa viagem em prol do amor, colocando em risco o coração e a sanidade. Aquela, que do outro lado da porta, se pergunta se vale mesmo a pena, se as palavras realmente fazem sentido, se essa viagem desprogramada leva mesmo à eternidade ou à algum precipício na beira do caminho. 
Essa menina que depois de, enfim, ouvir o seu coração falar, te diz tudo isso, em meio à cacos de vidro que mais se parecem pedaços do coração, enquanto se levanta e abre de uma vez a porta para você, dando segundas, terceiras e quartas chances, porque o amor grita e vence.  Erramos sim, os dois, incontáveis vezes, erros de quem só queria acertar; sofremos desvios nessa viagem, temporais e secas; mas enquanto houver amor, estaremos bem. Vamos lá, mais uma vez aprender com os erros, pintar sóis, dividir o controle desse trem. Mantenho a porta e a vida abertas pra você, porque o outro lado da porta, o outro lado da vida, aquilo tudo que acontece sem você, não faz sentido algum.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Previsível.


Atrás dessas lentes grossas, além desses livros, dessa pose, dessa menina que todos os dias, no horário de sempre, entra por aquela porta, faz o mesmo pedido e senta no mesmo lugar, o que existe? Já sei que estudas na universidade do bairro, vi naquele dia em que sua agenda caiu; sei que você lê Clarice, Caio, Martha e Tati, devido aos inúmeros livros que lês, sublinhas e rabiscas, sentada naquela mesa no canto, mordendo os lábios ao destacar um texto, sorrindo ao se encaixar no texto, fechando os olhos a sonhar com o texto. Sei que ouves Los Hermanos, te ouvi cantarolar um dia desses aquela canção que pergunta em meio ao desespero "quem é mais sentimental que eu", pela forma como cantavas, posso acreditar que essa é realmente mais uma de suas dúvidas? Sei das suas dúvidas mais banais, daquelas entre o  pão de queijo e o crossaint e a coca e o café, mas tudo o que eu queria era te ouvir dizer sobre o que ninguém sabe, sobre o que só você e esse seu eu perturbador ousaram questionar. Te observo todos os dias ao entrar, sorrir para o dono da loja e cumprir fielmente o seu ritual. Previsível demais pra alguém que tem o olhar tão imprevisível como o seu. Talvez essa organização entre as quatro paredes dessa lanchonete, essa sequência perfeita na ordem dos fatos, essa simetria de movimentos, seja uma espécia de fuga, como se a sua vida lá fora - ou aí dentro - fosse corrida e inconstante demais e não desse para controlá-la, como fazes aqui. Talvez aqui seja o seu repouso e tenho medo de quebrar a ordem que criaste por esse motivo que seus olhos escondidos por trás dessa lente nunca ousaram me contar. Mas tenho vontade de interromper seus movimentos perfeitos e perguntar se há espaço pra mim nessa sua rotina, se posso deixar de ser o figurante da mesa ao lado e passar a ser o mocinho da cena que começa a acontecer toda vez que seu perfume preenche o ar. E aí está mais uma coisa que sei sobre você: és doce, como o seu perfume.
Você não sabe nada de mim e talvez nunca tenha percebido esse cara estranho que não só te percebe, como te . Você não sabe sobre meus gostos, minhas dúvidas, meus sorrisos, mas eu não canso de pensar que passaria dias inteiros te fazendo saber. Você não sabe, mas procurei pelo amor  em todas as esquinas, curvas e encruzilhadas dessa vida. Vasculhei cada canto escondido e quando desisti de procurar, te olhei naquela mesa do canto, no único canto que não procurei. Seja paixão, amor, ou qualquer outra coisa que a gente não sabe nomear nem definir, só sei que é algo que acontece à primeira vista e que continua a acontecer por todas as outras seguintes. Você faz desse lugar sua fuga e eu faço de você a minha, pensando sempre que poderíamos unir nossas fugas e formar um encontro. Posso quebrar sua rotina? Inserir novas cores, novos ares e roteiros? Me diz que essa mesmice te incomoda, que essa falta de ação te sufoca e que o previsível é apenas um disfarce do que você não mostra pra ninguém. Amanhã, quando você chegar e de repente me ver na sua mesa, não mude de lugar. Sente-se ali, como todos os dias, que eu faço de conta que sempre estive  lá. Me dá da tua ordem que eu te dou do meu caos, não prometo o previsível, porque ao amor não cabe essa palavra. Mas te garanto, meu bem, surpresas e sonhos a mais no desenho dos teus dias. Previsível aqui, só o meu encantamento, nada mais.


Queridos, perdoem a ausência e os textos que ultimamente são tão raros, pouco verdadeiros, clichês demais e quase sem sentimento, mas nesse momento é a única coisa que ouso escrever e postar, o restante fica no rascunho e não sai de lá. Vou me esforçar ao máximo para não deixar isso aqui morrer e para não abandonar vocês, tô voltando pra cá, vou passando nos blogs de vocês aos poucos, me esperem e, por favor, não me esqueçam.

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