quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O menino do sorriso na escada.


Fazia tempo que eu o observava, rindo com os amigos, falando com seu jeito peculiar, fazendo graça sem nenhum esforço. Talvez tenha sido isso o que atraiu meu olhar, ou talvez algo que ainda não descobri. Não sei ao certo o que vejo para não tirar os olhos dele, como também não sei o que não vejo para conseguir mudar a direção do olhar. Assim como ele também não sabe. Mas há entre nós algo que prevê acontecer. Por trás dos nossos desvios de olhares quando passamos, da nossa falta de jeito de nos mantermos inteiros quando próximos, da nossa procura disfarçada. Talvez seus olhares sejam apenas curiosidade e sua procura apenas dúvida se aquela menina calada fala e sua falta de jeito nada mais que inabilidade para tratar com pessoas que não se entregam facilmente, seja numa conversa ou no que for. Também pode ser que, apesar de verdadeiro isso que acontece entre nós e que não cabe a mim nomear, nada mude e continuemos assim: correspondentes de olhares e sorrisos, fuga um para o outro numa multidão, distantes e próximos. O que importa para mim é saber que alguém presta atenção em mim e que eu, mesmo com tantas feridas e marcas, ainda sou capaz de atrair olhares que não de pena. Fazia tempo que meus olhos não se encorajavam a desviar do chão ou do céu ou daquele ponto fixo na parede. Agora eles o procuram em meio a multidão e quando encontram, brilham. Fazia tempo que eu não esperava pela presença de alguém e não acreditava que alguém pudesse esperar pela minha. Até ele aparecer. Talvez nossa aproximação nunca aconteça e jamais passe de um "Oi" sussurrado. Contanto que ele continue a sorrir para mim, tudo ficará bem. Como naquele dia, naquela escada escura, quando lá de cima ele olhou e sorriu. Foi a primeira vez que meus olhos não fugiram quando encontraram os dele. Foi a primeira vez que ousei sorrir e encarar a nova possibilidade que a vida colocava diante de mim. E foi ali, pela primeira vez, que os olhos dele disseram que fugir do mundo não era a solução. Então agora todos os dias decido dar um passo para fora desse esconderijo que criei para mim.
Só que embora em meus sonhos eu já me sinta pronta para outro rumo e já tenha ido além do que nós dois somos e possuímos hoje, a questão é que não quero forçar nada. E, principalmente, não quero usá-lo como tampa para os buracos que possuo, ou apenas como preenchimento para os vazios que surgiram em mim. Se hoje ele ousasse avançar mais um passo, eu o rejeitaria como quem rejeita uma fruta tirada fora de época. Ainda não estou pronta para colhê-lo, caso fosse necessário. Meus olhos ainda precisam aprender a focar nele - e só. Meu coração precisa de tempo para aprender a batida que sai do coração dele e jamais compará-la a qualquer outra que ainda soe dentro de mim. Espero que ele perdoe os meus olhos que dizem o que querem, mas que meu coração ainda não decidiu se quer. Devo avisar que sou dessas loucas incomuns hoje em dia que só se entregam quando têm certeza e que quando têm certeza jamais abrem mão. Se ele quiser me ouvir além do que os meus olhos e dedos contam, ainda deverá aprender a lidar com a minha timidez - esse monstro invisível que carrego e um dia ousaram supor irreal. Ainda não é o tempo, e caso ele chegue, o ajudarei. Enquanto não nos aprontamos nem temos certeza do que acontece, o continuarei observando calada, deixando que o sentimento tenha o livre arbítrio de existir ou não. E que ele, ali onde está, faça o mesmo. Me observe de canto de olho, me encare no meio da multidão, e, sobretudo, sorria para mim. Que ele me ensine todo dia, como naquela escada, que é chegado o tempo de sorrir para o que a vida trará.

(Um misto de sonho com realidade inventada e um narrador que - infelizmente - não sou eu.)

9 comentários:

Jéssica F. disse...

Nossa, achei lindo esse post *_*

Dryka Sales disse...

adorei seu blog *-*

Lua disse...

Intenso e bonito seu blog.

beijos ;)

dear sarah disse...

Tempos que essa sensação de paquera se foi de mim...

Ju Fuzetto disse...

Que texto mais doce. Lindo!!

beijo flor

Marie Raya disse...

Um dos melhores textos que já li nesse meu um ano de blog. Lindo, real e dá pra sentir todas essas emoções. Tá faltando alguém assim pra mim. Tá faltando reciprocidade na minha vida amorosa, uahsua. Amei, parabéns! Cada palavra :*

Jaci Macedo disse...

Texto incrível, de verdade. cheio de sentimento, cheio de verdade. Aprendi muito arduamente que as coisas são como tem que ser. No tempo certo. O que tiver de ser, será.
beijos, coração.

Jaynne Santos disse...

Tem selinhos pra você no meu blog!
Dá uma passadinha lá, assim que puder!
Beijos;

Anônimo disse...

sentimento e timidez

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