sábado, 26 de fevereiro de 2011

Sétimo andar.


Você entra num táxi a caminho de lugar nenhum e eu, da janela do 7º andar, sorrio o sorriso irônico de quem sabe que na próxima esquina você mandará o táxi dar meia volta e te levar ao lugar de onde você sabe que nunca deveria ter saído. Mas o relógio na parede indica o tempo passando e parece que a esquina desenhada no roteiro apenas pra você virar, foi apagada por alguém que, sabendo do meu jogo, resolveu que era a hora do feitiço virar contra o feiticeiro, como diz naquela frase clichê que você tanto odeia. E agora, se nem do 7º andar consigo te ver, me pergunto onde andará o táxi que naquela manhã de sol te levou pra cada vez mais longe de mim. 
Não era pra ser assim, entende? Eu só queria que fosse seu o próximo passo. Reconheço que criar esse jogo foi um passo em falso meu, mas é que em meio à tantas decisões e separações que ameaçam vir sobre nossas cabeças, eu precisava ter a certeza de que a decisão de te levar comigo por onde quer que eu fosse, decisão que eu já havia tomado desde a primeira vez que você disse baixinho, meio com medo de dizer, que me amava, era realmente a coisa certa a se fazer. Eu precisava saber se pra você também era fundamental que estivéssemos juntos, não importando o que a vida jogaria sobre nossos ombros. Eu te mandei embora naquela manhã porque achei que a prova de amor que eu precisava viria logo em seguida, quando você viraria aquela esquina planejada por mim e viria correndo dizer que me amava. Entende meu medo, pequena, eu só precisava saber que você me amava além do que costumava me dizer.
Só agora vejo que o seu amor era provado quando você largava compromissos para estar comigo, quando surgia, sem que eu ao menos esperasse, um eu te amo na tela do meu computador, quando você sentava comigo num meio fio e me ouvia como se meus problemas fossem a coisa mais grave do mundo e você precisasse resolvê-los um por um. Não precisava, amor, estar contigo era a resolução perfeita, eu descobri agora quando eles ainda existem e dessa vez sufocam meu peito porque não te tenho aqui para dividi-los. Cadê você, pequena, pra onde aquele carro te levou naquela manhã? Por onde você anda enquanto a sua secretária eletrônica diz com aquela sua voz envergonhada que você no momento não pode atender? Me assusta pensar que a sua decisão seja realmente estar longe de mim, visto que se fosse apenas orgulho você jamais se manteria distante. Talvez meus argumentos para nossa distância tenham te convencido, mas você é teimosa, lembra? Cadê a menina cabeça dura que vai à luta pelo amor? Luta por mim, amor? Luta contra todas essas minhas convenções e frases feitas. Luta contra esse coração orgulhoso e arquiteto de jogos perversos que carrego comigo.
Tenho te procurado pelas esquinas, morena, em sorrisos e rostos que não são os seus. Vira aquela esquina de uma vez por todas e vem me lembrar o quão burro eu sou. Mesmo que eu não mereça, me dá essa prova de amor. Dessa vez não uma prova de que vale a pena estar comigo, mas uma prova de que ainda há amor dentro de você. Eu não mereço, amor, mas vem, faz a curva e entra de novo na minha rua, na minha vida, no meu 7º andar que desabou sem você.

"Fiz aquele anúncio e ninguém viu
Pus em quase todo lugar
a foto mais bonita que eu fiz,
você olhando pra mim
Alto aqui do sétimo andar
longe, eu via você."
(Los Hermanos)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A viajante.


De novo, a hora chegou. Você adiou enquanto pôde. Escondeu a passagem no fundo falso da gaveta, deixou a mala onde não era possível vê-la, fez de conta que tudo seria o mesmo quando os relógios do tempo completassem a volta. Mas a hora está cada vez mais próxima e o fim da estrada há algum tempo aponta na linha do horizonte. Você já pode vê-lo, quase tocá-lo, completamente sentí-lo. As suas malas já estão cheias, o álbum de retratos repleto de rostos conhecidos, a viagem tem data marcada. É hora de deixar a cidade. De ir habitar em outro lugar que ainda não se sabe. Uma cidade nova inteirinha pra você, novos sonhos, novos rostos no álbum, novas histórias, novas coisas a aprender. Vai ser bom respirar ar puro e novo. Os olhos gostarão de observar uma nova paisagem, procurar novos abrigos, encontrar novos rumos. Os ares de uma nova cidade sempre nos impulsionam a correr, a buscar o melhor, a descobrir de uma vez todas as ofertas. O novo é bom, mas ainda não te pertence. O velho é teu. E é dele de quem você se despedirá em breve. Fará falta a rotina, as vozes conhecidas, os rostos inconfundíveis. É difícil deixar uma cidade onde os vínculos foram formados a base de muita união, onde tudo foi verdadeiro e intenso: as lágrimas, os sorrisos, os gritos. É difícil aceitar ir, é impossível não olhar pra trás, é inevitável precisar partir. Mas a vida é feita de partidas e chegadas, acostume-se. Nessa sua nova jornada, leve isso como lição: estamos todos partindo o tempo todo. Os lugares não são pra sempre, são apenas estações. Onde paramos pra esvaziar a mala, colocar coisas novas, descobrir a próxima parada. Não se assuste com os ponteiros que não param. Não se assuste com as pessoas que vão, porque além delas, existem aquelas que ficam. Os lugares não são pra sempre, mas as pessoas que importam são.
Do passado, do lugar que fica pra trás, leve apenas o que for bom. Carregue com você aquele vento e aquela velha sensação de noite chegando. Grave todas as cores, todos os cantos e quinas que têm história, todas as risadas que um dia ao ecoarem te fizeram se sentir em casa. Não se assuste se um dia a bagagem estiver leve demais e parecer ter havido esquecimento; não é nada disso, acontece que certas lembranças impregnam na gente e viram uma parte de nós, ficam conosco em tudo o que somos, às vezes adormecem, é verdade, mas logo um cheiro, um som, uma imagem, a fazem acordar e você as sabe presentes.
Devo dizer que a saudade será sua companhia diária e que aquela lágrima solitária que cai sem som algum, é só o coração querendo estar perto, querendo estar junto, querendo estar pra sempre onde esteve um dia. Não tenha medo do futuro, ele em breve chegará e cobrará de você coragem. Pra se arriscar no incerto. Se atirar sem cinto de segurança no que há pra ser descoberto. Haverá gente nova. Haverá sorriso, choro, grito, dor. Haverá todos esses ingredientes que fazem a vida ser o que é. Não tema. Vá com tudo o que és. Torne-se o que você sonhou. Conheça aquele tipo de gente que faz seu coração vibrar. Ame o novo, mas não abandone o velho. Reveja sempre os cartões-postais da sua antiga cidade, mantenha contato, mostre se importar com o que aconteceu e se orgulhar de tudo o que fostes. Dance feito bailarina, com pés suaves e sem pressa, todas as músicas tocadas pela vida, especialmente aquelas que te fizerem sorrir. Você, viajante, tem um mundo inteiro pela frente e todos esses sonhos sonhados antes de dormir são sinais importantes sobre o que deves fazer, não os abandone, não deixe que digam ser impossível. Lute. Por cada um deles. E se algum deles se perder pelo caminho, um novo sonho cairá de para-quedas no teu coração.
Boa Viagem.

Escrito em 17/11/10, em época de término do colégio e incerteza sobre o futuro.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Madrugada.


É tarde da noite e penso em você. Deitada na cama reviro meu quarto com os olhos e não encontro nenhum vestígio seu aparente, mas sei que por trás da porta do armário você se esconde em pequenas caixas, em palavras quase desbotadas numa folha de papel. Por um momento me sinto como o meu quarto - sem nenhum vestígio de você por fora, mas por dentro um poço de lembranças e saudades que compõem o você que carrego comigo. Sonhei com você três noites seguidas e acordei com o coração acelerado acreditando que o telefone tocaria ou chegaria um e-mail, qualquer coisa que dissesse que o amor encontrara enfim forças pra vencer. Mas depois, o mesmo coração assolado bateu mais forte ainda, ao som da ficha que antes de cair rodopiou cem vezes no chão - não havia você, nem a esperança da sua voz, nem a possibilidade de te encontrar no dia seguinte. Não há você. Em nenhum canto aparente da casa, em nenhuma dobrinha do meu sorriso, em nenhuma foto do outdoor da minha vida. Tudo o que há agora é um você escondido, um clandestino que abrigo contra a vontade de todos os que me cercam, um sequestrador de sonhos e coração que eu mantenho na memória mesmo que doa e que o preço do resgate seja alto demais pra mim. Só há você nos meus pensamentos - em todos eles. Só há você numa pasta escondida do computador, numa caixa entulhada em algum canto não visitado do meu armário, no mundo dentro de mim que ninguém conhece. É tarde da noite e a saudade não me deixa dormir. É tarde da noite e penso em você. Não porque seja tarde da noite, mas porque te amo, vinte e quatro horas por dia, sem intervalos.

Da série "achados em meio aos rascunhos", escrito em 15/12/10.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Parabéns à moça do sonho.


Para mim, qualquer coisa escrita com o coração é digna de ser lida e admirada.
Você pode realmente nunca ter me dito isso, mas tomei essa frase como seu principal ensinamento ao longo desses últimos meses. Como eu aprendi com você? É fácil. Observando-te. Aos poucos aprendi a traduzir seus textos e a ler seus olhos, a identificar tons de alegria e infelicidade em seus gestos ou palavras. Formei em mim um ser apaixonado, um amante, e aprendi a ler e a escrever para jorrar emoções, a expressar o que eu sinto sem medo algum. Consegui entender que não devo tentar controlar as ações do coração, mas sim deixar que ele me leve por caminhos novos e me aventurar, conquistar novas áreas da vida e, consequentemente, crescer.
Quem diria que aquela que se dizia uma garotinha sonhadora e magricela cresceu pra se tornar uma mulher mais sonhadora e magricela ainda? Eu diria. Assim como todas as pessoas que um dia te conheceram, eu também soube no exato momento em que realmente te vi, com os olhos da alma, que você nunca mudaria, nunca abandonaria seus objetivos e desejos, nunca deixaria de ser criança, de pular, gritar, brincar quando desse vontade.Não minta pra mim, não negue que brincava junto às outras estrelas no céu que um dia foi azul (hoje pintaram de amarelo, sacanagem né?), não venha me falar que nunca rodopiou ou jogou três cortes com uma latinha ou copinho em pleno pátio do colégio ou que apaixonadamente se perdia no meio dos livros e pensamentos distantes. Pois é, eu estava lá, mesmo estudando ou vendendo trufas, eu vi e muitas vezes, mesmo que parecesse estranho, participei dessas brincadeiras infantis que aos poucos foram me deixando incrivelmente mais forte.
Devo confessar que andei me perdendo em seus textos e viajando em seus sonhos, mas foi porque fui contagiado pela paz que eles me transmitiam, paz essa que gostei tanto que comecei a produzí-la sozinho e pouco a pouco fui vendo que os seres humanos ainda têm esperança, que litros de dor e medo podem ser facilmente superados por gotas de amor e bondade, que brilhar e vencer não são atitudes difíceis, são apenas trabalhosas.
Várias vezes li sobre uma moça que ficava acordada até tarde escrevendo, lendo ou ouvindo música, mas eu sei que ela estava fingindo, sei porque você é uma poetisa, e todos os poetas são fingidores, nós (ou vocês) inventamos coisas para nos sentirmos melhores, para aliviar e sossegar um coração perdido ou ferido, são apenas verdades contadas com uma pitada de criatividade e um toque de imaginação. 
Você não é assim, pelo menos não inteiramente, é uma líder em potencial, uma organizadora de eventos pouco operacional e lá no fundo, bem no fundo, é decidida mesmo que suas decisões te levem à incertezas.
Aprenda agora algumas coisas comigo: não existe muro alto o suficiente que não possa ser pulado com ajuda, não existe dor que não possa ser superada com amizades e não existe sonho que não possa ser realizado por você. Essas foram algumas das lições que você me ensinou, inconscientemente, sem falar uma palavra e sim conversando com os olhos.
Parabéns pra você e muitos anos de vida, seja feliz pra sempre e continue rindo da maneira engraçada de sempre. Olhe, sorria, fale, abrace, escreva, leia, ame e exista. Faça isso e continuará fazendo dos seus sonhos únicos e especiais. Brilhe onde estiver.

(Escrito por João Pedro, o futuro blogueiro.)

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Para a Amiga que descobri.


Pensei muito sobre como começar isso aqui. Só que tudo pareceu clichê demais e nada me agradou, não que eu não goste de clichês, porque gosto, mas porque acho que clichê não combina com a nossa amizade. Resolvi começar então com uma confissão: a sua amizade foi uma das maiores conquistas - e revelações - desse ano que passou. Agora imagino você vermelha de vergonha ao ler isso e eu ficaria também se tivesse que te dizer pessoalmente - e, confesso, provavelmente não diria. Mas ainda bem que consigo me expressar com palavras - ainda que bobas - escritas, acho importante deixar que saibam o quanto sinto, me importo e agradeço. Taí, Gabriela Machado do Amaral, ou Gabs para os íntimos, é nesse ponto que eu queria chegar: eu me importo muito, te agradeço muito e te amo muito, ainda que nem sempre pareça e ainda que ambas tenhamos outras amizades maiores e mais frequentes. Sabe, é que eu nunca imaginei que a bebezinha do primeiro ano, aquela menina que olhava torto quando comentávamos "gastar dinheiro", que não podia combinar 393 e saia, que nem sempre compartilhava da mesma opinião que as estrelas, fosse se tornar minha Amiga - assim mesmo, com A maiúsculo. Claro, éramos amigas sim, convivíamos, fazíamos trabalhos, ríamos juntas, mas mesmo assim ainda havia uma distância - um abismo entre nós. E agora olhando com clareza de onde estou, vejo que foi no momento em que as turmas mudaram que nós - todos nós - percebemos o quanto a nossa amizade era importante, essencial, vital. Daí corremos e nos agarramos em nós, numa espécie de nó impossível de desatar. Então, quem não olhava pra direita começou a olhar, quem não olhava a esquerda resolveu mudar a direção dos olhos e, de repente, te vi. E te emprestei livros, compartilhei músicas, autores, histórias. E me permiti seus livros, suas histórias, seus modos de pensar, seus vícios e paixões. Tá certo que nem sempre entendi, como você também nem sempre entendeu os meus, tenho certeza, mas sempre permaneci aqui. Me permitindo conhecer mais da amiga que em breve você se tornaria. E se tornou. Me abraçou quando o meu mundo desabou, me fez companhia quando eu precisei estudar, disse tantas vezes também ter ido mal nas provas - mesmo tendo se saído super bem - pra me confortar. Dividiu suas paixões, seus sonhos, suas taras. E se isso tudo não for amizade, eu juro que não sei o que essa palavra significa. Não, não é uma amizade comum, eu não te mando depoimentos todos os dias, não te abraço a cada 5 minutos, não te ligo pra fofocar como as migs devem fazer. Martha Medeiros, aquela moça em quem te viciei, disse em algum texto bem escrito que existem vários tipos de amizade, inclusive aquelas em que essas demonstrações não são necessárias porque estão implícitas nas atitudes que são tomadas. E, como diria você, posso dizer? eu vejo amizade em pequenas atitudes que você toma. Esse é o jeito Gabs de ser amiga, eu aprendi com o tempo. Vai parecer papo de mãe, tia, ou sei lá o quê, mas eu posso dizer que te vi crescer. Da viciada em Páginas da Vida à viciada em Bones. Da protegida que não pegava 393 à noite à destemida que foi pro Centro à noite - sozinha. Da chatinha que revira o olho diante de nossas programações estrelares à super badalada migs que topa qualquer parada. Da metida que não suportava a ralé à supersimpática que vivia mais na ralé do que na "elite". Da menininha segundo lugar que entrou no primeiro ano à universitária que saiu do terceiro ano. E é pra lá que você vai agora. Uma criança de 17 anos numa faculdade, uma descontrolada solta no centro da cidade, uma maluca que resolveu prometer me acompanhar em surtos teatrais. Pra terminar o texto, eu ia dizer pra você não se afastar e lembrar pra sempre de mim, das estrelas, dessas coisas todos que dividimos. Mas alguma coisa me diz que não preciso. Alguma vozinha aqui na minha mente me diz que você vai ser a louca que me acompanhará em outras grandes aventuras, que trocará sms comigo durante as aulas, que fará os telefones das outras estrelas tocar e tentará marcar novos encontros que não deixem o brilho que hoje existe se apagar. Então, vou só desejar feliz aniversário. Muito sucesso e muita sabedoria pra essa sua nova fase. Um namorado tipo o teu Caquinho. Um futuro brilhante. 
Eu te amo, Amiga. Fico muito feliz por ter escrito tudo isso e depois ao ler ter certeza de que tudo o que escrevi é verdade. Sem exageros. É tudo sincero. Meio dramático, eu sei, mas o Edshow já disse como eu sou né? você sabe.


"Afeto, certamente. Cumplicidade? Mais do que cumplicidade. Sintonia? Acho que é amor.
Oh, céus! Santa pieguice, Batman! Amor? Esta legalenga de novo?
Sério, só mesmo amando um amigo para permitir que ele se jogue no seu sofá e chore todas as dores dele sem que você se incomode nem um pingo com isso. Só mesmo amando para você confiar a ele seu próprio inferno. E para não invejarem as vitórias um do outro. Por amor, você empresta suas coisas, dá o seu tempo, é honesto ns suas respostas, cuida para não ofender, abraça causas que não são suas, entra numas roubadas, compreende alguns sumiços, só que liga quando o sumiço é exagerado. Tudo isso é amizade com trato. Se amigos assim entraram na sua vida, não deixe que sumam."

(Martha Medeiros)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O menino do sorriso na escada.


Fazia tempo que eu o observava, rindo com os amigos, falando com seu jeito peculiar, fazendo graça sem nenhum esforço. Talvez tenha sido isso o que atraiu meu olhar, ou talvez algo que ainda não descobri. Não sei ao certo o que vejo para não tirar os olhos dele, como também não sei o que não vejo para conseguir mudar a direção do olhar. Assim como ele também não sabe. Mas há entre nós algo que prevê acontecer. Por trás dos nossos desvios de olhares quando passamos, da nossa falta de jeito de nos mantermos inteiros quando próximos, da nossa procura disfarçada. Talvez seus olhares sejam apenas curiosidade e sua procura apenas dúvida se aquela menina calada fala e sua falta de jeito nada mais que inabilidade para tratar com pessoas que não se entregam facilmente, seja numa conversa ou no que for. Também pode ser que, apesar de verdadeiro isso que acontece entre nós e que não cabe a mim nomear, nada mude e continuemos assim: correspondentes de olhares e sorrisos, fuga um para o outro numa multidão, distantes e próximos. O que importa para mim é saber que alguém presta atenção em mim e que eu, mesmo com tantas feridas e marcas, ainda sou capaz de atrair olhares que não de pena. Fazia tempo que meus olhos não se encorajavam a desviar do chão ou do céu ou daquele ponto fixo na parede. Agora eles o procuram em meio a multidão e quando encontram, brilham. Fazia tempo que eu não esperava pela presença de alguém e não acreditava que alguém pudesse esperar pela minha. Até ele aparecer. Talvez nossa aproximação nunca aconteça e jamais passe de um "Oi" sussurrado. Contanto que ele continue a sorrir para mim, tudo ficará bem. Como naquele dia, naquela escada escura, quando lá de cima ele olhou e sorriu. Foi a primeira vez que meus olhos não fugiram quando encontraram os dele. Foi a primeira vez que ousei sorrir e encarar a nova possibilidade que a vida colocava diante de mim. E foi ali, pela primeira vez, que os olhos dele disseram que fugir do mundo não era a solução. Então agora todos os dias decido dar um passo para fora desse esconderijo que criei para mim.
Só que embora em meus sonhos eu já me sinta pronta para outro rumo e já tenha ido além do que nós dois somos e possuímos hoje, a questão é que não quero forçar nada. E, principalmente, não quero usá-lo como tampa para os buracos que possuo, ou apenas como preenchimento para os vazios que surgiram em mim. Se hoje ele ousasse avançar mais um passo, eu o rejeitaria como quem rejeita uma fruta tirada fora de época. Ainda não estou pronta para colhê-lo, caso fosse necessário. Meus olhos ainda precisam aprender a focar nele - e só. Meu coração precisa de tempo para aprender a batida que sai do coração dele e jamais compará-la a qualquer outra que ainda soe dentro de mim. Espero que ele perdoe os meus olhos que dizem o que querem, mas que meu coração ainda não decidiu se quer. Devo avisar que sou dessas loucas incomuns hoje em dia que só se entregam quando têm certeza e que quando têm certeza jamais abrem mão. Se ele quiser me ouvir além do que os meus olhos e dedos contam, ainda deverá aprender a lidar com a minha timidez - esse monstro invisível que carrego e um dia ousaram supor irreal. Ainda não é o tempo, e caso ele chegue, o ajudarei. Enquanto não nos aprontamos nem temos certeza do que acontece, o continuarei observando calada, deixando que o sentimento tenha o livre arbítrio de existir ou não. E que ele, ali onde está, faça o mesmo. Me observe de canto de olho, me encare no meio da multidão, e, sobretudo, sorria para mim. Que ele me ensine todo dia, como naquela escada, que é chegado o tempo de sorrir para o que a vida trará.

(Um misto de sonho com realidade inventada e um narrador que - infelizmente - não sou eu.)

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Hoje é dia de (Marcelly) Maria.


São quase onze horas da véspera do seu aniversário e eu começo a me desesperar por ainda não ter feito o seu texto - que já é uma tradição pra mim e não, não pode deixar de ter. Os textos que escrevo pra você, em forma de depoimentos, recados, ou seja o que for, sempre saem naturais, sem preocupação com o que vou dizer, as palavras simplesmente vão vindo e se encaixando em seu devido lugar, sem maiores trabalhos e dores de cabeça. Confesso que pensei em não te escrever nada, devido a minha notável falta de inspiração/vontade de escrever, mas no fim decidi abrir a página e deixar a amizade me levar pelo caminho que ela quisesse seguir. E olha, tenho então muito a dizer. Porque comecei como sua segurança, quando você ainda era uma menina meio estranha, que não falava com ninguém, mas tinha o (des)prazer de ser perturbada pela nossa querida ave de estimação e terminei te tendo como bebê oficial. A menina que mesmo ainda quietinha, mostrou-se tão - e acrescente intensidade ao tão - engraçadinha. E assim, de agregada das estrelas, foi conquistando espaço - e corações - e acabou sendo peça fundamental, perninha que mantém o grupo de pé e que quando esconde o seu brilho faz todo mundo sentir a diferença e sair correndo pra procurar a tomada que a ligue novamente e faça acender todo a luz que tentou se apagar.
Talvez hoje você esteja nos seus dias de isolamento - lembra deles? -, passeando pelo pátio com seu casaquinho preto mesmo debaixo do sol de Realengo, com seus bracinhos cruzados ou passando o recreio trancafiada numa sala. Dias assim acontecem, quem sou eu pra dizer que não? Às vezes parece mesmo que o sol lá fora, por mais que possa ser visto, não pode ser sentido e só o que há é frio e solidão. Às vezes a gente precisa mesmo se guardar, economizar o brilho, reunir forças pro amanhã - chamam isso de auto-conhecimento. E, claro, mesmo cercado de um monte de gente, todos têm o direito de se sentir especialmente sós - por tantos motivos que não vêm ao caso. Eu sei disso tudo, eu passei por isso tudo, mas eu escolhi não deixar isso tudo me dominar. E é só o que eu quero dizer pra você: escolha vencer. Escolha levantar hoje, no seu dia, e olhar pro sol e arriscar sentí-lo, não importa a barreira, dispense o casaco e todos os protetores, deixe o sol tocar em você e ir clareando todos os quartinhos escuros da sua mente. Entre a esperança e a descrença, opte pela esperança. Não importa se te chamarão de louca, se não puderem enxergar a luz que você vê no fim do túnel, o que importa é que você sinta e essa esperança te faça caminhar. No meio do caminho tudo se resolve, se explica, se adequa ao sorriso no nosso rosto. A vida é assim mesmo, gosta de surpresas. O nosso coração então, gosta de se enganar. A gente vai lá e cisma com algo até que pareça o melhor, mas existe alguém lá em cima que sabe o que está fazendo, que sabe por onde conduzir nossa vida e nossos sonhos. É, concordo que nem sempre dá pra entender, o melhor parece o pior aos nossos olhos, a gente pensa que não vai dar, que o sol que hoje não se pode sentir amanhã vai deixar de aparecer, mas não. Disseram por aí que Deus sabe o quanto a gente pode suportar. E, quer saber, bebê? você é forte. Você saberá lidar com toda mudança de planos, porque eu tenho certeza que você é daquelas que deixa a vida nas mãos de quem entende das coisas: nosso querido Papai do Céu.
Hoje é dia de Maria e eu venho te convidar pra sair dessa sala fria e correr pelo pátio comigo. Me deixa tirar a moleca do teu pé, te fazer rir com alguma piada idiota, deixa que as estrelas te ajudem a brilhar mais forte. Você nunca estará sozinha, e por isso mesmo não há porquê se esconder. Nós sempre iremos te encontrar, fazer seu telefone tocar, onde quer que você esteja. Um dia prometemos que seria pra sempre e será. E pra sempre, na minha visão, não só significa algo que vai durar por todos os dias da nossa vida, mas também algo que existirá nos dias ruins e nos dias felizes. Mesmo que você - como sempre rs - prefira não falar, ficaremos de pé ao teu lado. E quando você for dar o seu grito de vitória, tenha certeza de que estaremos lá, nos unindo a sua voz e fazendo-o ser mais forte. Porque se amigos são pra essas coisas, imagine estrelas. Estrela sozinha não sobrevive à escuridão da noite. Estrelas precisam de estrelas. E nós estamos aqui dispostos a sermos o que o nosso nome diz: Estrelas. E sabe o que estrelas fazem? Brilham na escuridão. Então, o que você está esperando pra tirar esse casaco preto e sair dessa sala? Vem. Do lado de cá você tem abraços, sorrisos, felicitações e agradecimentos. Você é muito importante, Marcelly Maria, e todos nós sabemos que uma Marcelly como você, Marcellyy com dois y's, a gente não encontra todo dia.
Feliz Aniversário, bebêzinha, os votos a gente não precisa dizer, porque ficam subentendidos em cada entrelinha dessas linhas definitivamente escritas com o coração.
Eu te amo, amiga, bora ali ser feliz?

E pra você sorrir, eu pago até mico expondo uma foto dessas. Nem ligo.
(HUIAHSUIAHSIUHASIUHAISUHAUSHIUASHUAHS) 

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