quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

I'm a believer.


- Como pode, menina, me diz? Como você ainda acredita nessas coisas? No quê? Você sabe: nas pessoas, no amor, num amanhã melhor do que o hoje. Te vejo suspirando pelos cantos, traçando planos mirabolantes, jogando palavras ao vento, e me pergunto como você consegue, de onde você tira tanta determinação? Deve ser algum tipo de predestinação, alguém um dia decidiu que você carregaria esse peso sobre os ombros: ser uma sonhadora. E você se apoderou do título. Teu sonho conduz tua vida, direciona teus passos, molda teu caminho. E você não desiste até alcançá-lo. Não cansa não? acreditar na vida assim, procurar tanto por um amor, quando o mundo lá fora grita que não há mais espaço para finais felizes, muito menos para "felizes para sempre"? Onde já se viu sonhar com amores eternos num mundo tão fugaz? Contos de fadas não existem mais, menina. Todas essas loucuras com que você sonha, as cenas de filme, os pores de sol, as declarações inesperadas, o amor maior do que tudo, tudo isso talvez seja coisa de outro mundo. Me perturba vê-la aqui parada nessa estação a espera do trem que te levará a esse outro mundo. E se ele não mais existir? E se uma onda gigante destruiu o que restara dele? E se todas as pontes que permitiam o acesso foram destruídas? E se? Existem tantos outros trens com tantos outros destinos diferentes, por que insistir nesse destino desconhecido? E se não chegar nunca? Eu sei, você vai dizer que não desiste até chegar lá. Mas em algum momento a espera deve machucar, não? Como naquela vez em que fostes arremessada de forma abrupta do trem que te levaria até lá. Te observei em silêncio, menina, e dessa vez achei que fosse o fim, que você não voltaria jamais a esse ponto de espera que poderia te levar novamente àquela dor incessante que sentias. Mas você voltou. Rasgou pedaços de papel, chorou, sumiu daqui por uns dias, se trancou em seu mundo, mas voltou. Quando eu menos esperei, te vi sorrir ao sentar em frente à plataforma. Lá estava você: cabeça erguida, malas prontas pra começar tudo de novo, esse amor pela vida exposto em cada poro do teu rosto. Você ressurgiu com esperança. De onde sai tudo isso, menina? Que chama de esperança é essa que não apaga nem com as chuvas e rajadas de vento que a vida lança sobre ti? E essas lágrimas que vez ou outra caem? não te ensinam nada? não te dão uma lição? Não, a resposta provavelmente é essa ou então algum daqueles clichês de gente lunática que falam sobre volta por cima e lágrimas serem parte da vida. Lembro daquele dia em que te vi chorar e você sorriu em meio as lágrimas quando me viu e disse baixinho: "Eu ainda acredito." Esse deve ser o teu grito de guerra, menina. Suspeito que no meio da tua angústia, você levanta e brada que ainda acredita. Admiro você. Admiro a sua coragem e sua entrega. Mas me diz, menina, mesmo assistindo de perto a todas essas chegadas e partidas dolorosas, você ainda acredita?
(Eu acredito até o fim.)


 "Mas como quem não desiste de anjos, fadas, cegonhas com bebês,
ilhas gregas e happy ends, ela queria acreditar."
(Caio Fernando Abreu)

9 comentários:

Milena' disse...

Nicole, Nicole, você continua sendo a porta-voz de todos os corações que insistem em acreditar. Porque não há outra saída, não existe o desacreditar.
orgulho da 5 *-*
:*

R disse...

Impossível nao reconhecer essa tua forma ÚNICA de escrever.
Olha, vou te dizer, que por mais que eu quebre a cara milhões de vezes, nunca deixo de acreditar.
"Mas me diz, menina, mesmo assistindo de perto a todas essas chegadas e partidas dolorosas, você ainda acredita?" É isso aí.

Emi disse...

Me identifiquei bastante com o texto, o que não é nenhuma novidade, né? Rsrs
''Não cansa não? acreditar na vida assim, procurar tanto por um amor, quando o mundo lá fora grita que não há mais espaço para finais felizes, muito menos para "felizes para sempre"? Onde já se viu sonhar com amores eternos num mundo tão fugaz?''

Mas acredito que a gente nunca deve deixar de acreditar na vida, e muito menos no amor. Tropeços vamos ter, isso é fato. Mas se desacreditamos, tudo perde a graça, e acabamos por iguais ao resto das pessoas que aceitam esse mundo ''fugaz''.
Beijos, Nic!
Feliz Natal pra você também, minha flor!

R disse...

Feliz Natal, linda, muita prosperidade e realizações. Independente de crença ou religião. :D

Will Lukazi disse...

vc escreve muito garota...tens um mundo de sentimento dentro de ti....
''Mas me diz, menina, mesmo assistindo de perto a todas essas chegadas e partidas dolorosas, você ainda acredita?
(Eu acredito até o fim.)''...hsauaah..
Genial !!!!!PARABENS..

PS: A PARTIR DO MEU POST 0064 ESTARREI COMENTADNO OS COMENTARIOS....

Ramos disse...

É refletida na sua história, a história de outras dezenas de milhares de pessoas. Imagina, se conseguissimos alcançar todas as pessoas que passaram pelas mesmas situações que você e que agora acreditam mesmo MESMO!
Quantas e quantas pessoas não viriam aqui e diriam: essa é minha história!
Por que você acabou de escrever também, parte da minha história ^^

bjaum!


www.suportedamente.blogspot.com

Naia Mello disse...

Esse texto tem tudo haver comigo. De verdade.

Eurico Rocco disse...

Lindo texto..adorei mesmo

te sigo

http://delitosperdidos.blogspot.com

Luiza disse...

Posso dizer que não, mas quando estamos apaixonados, a gente acredita sim. por mais que seja bobo, ou nos iluda, acreditar é só o começo. e para quem ama muito com o coração, o começo já é espaço suficiente para sonhar, esperar, acreditar.
beijos e continue sempre assim, não perca isso, apesar de tudo.

poderá gostar de:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...