terça-feira, 30 de novembro de 2010

Sobre o que hoje é ventila-dor.


Tudo começou meio do nada. Um dia, enquanto deveria estar dormindo, uma garotinha amontoou um monte de palavras numa folha de papel e escondeu num caderno velho. Não era uma carta, nem nada que pudesse ser endereçado à alguém, era só uma história, uma daquelas histórias que vivem na cabeça de garotinhas que sonham acordada com o tal grande amor. Não sei ao certo como surgiu a ideia, mas um dia a menina pensou em publicá-la em algum lugar, talvez pra que soubessem que dentro daquela menina tímida com o sorriso fixo no rosto, existia um mundo inteiro de sonhos e amores. E assim o fez. Transformou o texto em foto e criou um porta-retrato pra ele. E veio um elogio. E depois outro. E mais outro. E logo depois as perguntas: será que é isso o que eu sei fazer? será que inventar histórias é mesmo o meu talento e não só algo que faço enquanto o sono não vem? será que nasci assim tão tímida e secreta pra que meus dedos tivessem espaço pra falar por mim? E a menina, cheia de dúvidas e inseguranças, se achando mais incapaz do que capaz, resolveu criar um blog, um lugar onde outras meninas sonhadoras pudessem descansar os sonhos e saber que não estavam sozinhas. Então criou: uunsaid-things. Coisas nãão-ditas. Eram isso mesmo. Eram tudo o que a menina não sabia dizer, o que sentia vontade de gritar quando ainda era rouca pra esse tipo de coisa, o que enxergava no mundo e não sabia se tinha o direito de dizer. Por um momento ela pensou que fosse covardia, que as palavras fossem uma forma de se proteger do mundo, mas depois descobriu que era coragem, cara limpa na hora de falar de amor, decisão de se expor sem medo de entenderem ou não. O que era blog virou coração. O que era hobby virou necessidade. O que era só mais uma coisa, virou uma coisa enorme que a aproximou de gente de verdade, gente que sentia como ela, gente que não tinha medo de dizer que o mundo de dentro existe sim e que é maior do que o exterior. O que hoje é ventila-dor, já foi coração e alma; terra do coração; flores, amores e blábláblá - e um dia será outro e depois outro e mais outro, são fases da vida, mudanças da alma, amadurecimento quiçá. O que hoje é público já foi secreto, coisa pra quem não a conhecia; já foi desativado por medo, vergonha, arrependimento; já teve outro endereço que só serviu pra lembrar o quão sem sentido era se esconder. Depois de tudo, tudo ficou. As palavras que um dia sumiram, voltaram ao lugar, com todas as devidas pontuações. A menina, que um dia pensou escrever pra alguém, descobriu que escrevia pra si. Pra que pudesse se conhecer, colocar os pingos nos seus próprios i's, saber o que existia e deixava de existir dentro daquele coração que só conhecera amor. Descobrira que tudo era dela. Cada vírgula, cada acento, cada travessão. Tudo fora parte do que hoje ela é e nada sumiria, nada se esconderia, nada a faria se arrepender. Era composta mesmo por cada texto publicado, por cada frase respirada e duramente pontuada. Desde o início fora aquilo que escrevera, nunca soubera mentir, disfarçar, criar personagens tão distintos de si. Hoje a menina sabe da necessidade do blog, da importância de escrever, de tudo o que esse mundo criado representa pra ela. Não pretende parar, nem ao menos se ausentar temporariamente, seguirá escrevendo. Mesmo quando não souber o que dizer, mesmo quando os nós estiverem prendendo as palavras, mesmo quando a felicidade for intraduzível. Mudará sim, de nome, características, estilos até, mas nunca de endereço. Estará sempre aqui com suas palavras nãão-ditas. Perdida num mundo que criou e de onde não consegue mais sair. Cercada de gente que diz, num comentário ou no silêncio, através das visitas, das procuras, do digitar o www no navegador, que nem tudo o que está aqui é material ruim, que alguma coisa sempre se aproveita e que o coração sempre fala melhor do que qualquer um. É a essa gente que a menina agradece. Porque tantas vezes pensou em desistir e em todas elas a impediram. Vocês, minha gente, são incríveis. Não desistam dessa menina que, mesmo sem saber nada sobre a vida, arrisca umas jogadas vezenquando e acaba acertando; que não sabe nada sobre o amor, mas que consegue falar o que tanta gente sente com ele. Me encontrem aqui e aí em seus respectivos blogs. Nem sempre comento, porque nem sempre sei o que dizer, mas sempre, sempre mesmo, confiro os textos, leio os antigos, sublinho frases importantes na minha mente. São mais de duzentos seguidores que eu consegui não sei como, são 9.000 visitas que vocês fizeram sei lá por quê, mas é tudo isso que me faz ter orgulho do que vou me tornando dia após dia. Obrigada por aturarem meu drama, meus questionamentos, minhas crises - de tristeza e de alegria. Continuem sempre, voltem todas as vezes possíveis, tudo isso aqui é meu, mas é também de vocês. Obrigada, obrigada, obrigada. É clichê dizer, mas é verdadeiro também, meu coração não aguenta ver todas essas visitas, todas essas procuras, todos esses comentários tão cuidadosamente escritos, fico imensamente feliz ao encontrá-los por aqui. Tudo porquê aquela garotinha que começou isso aqui hoje sou eu. E nós nunca imaginamos que o futuro faria isso. Que meus dedos teriam essa força. Que o meu coração tivesse tanto a falar e fosse capaz de alcançar tantos outros por aí.
Obrigada.
A palavra é a nossa arma.
E sempre que precisarem de reforço, me gritem.


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Oi, gente, bom, talvez esse texto seja um recomeço, porque eu estive bem afastada do blog, deixei de aparecer em outros, apareci pra postar e pronto. Não gosto disso e acho incorreto com vocês que sempre são super legais comigo, por isso me perdoem. Então, em agosto o blog fez 1 ano e eu planejei algumas coisas que não puderam ser feitas devido à minha falta de tempo e ao vestibular, portanto, agora nas férias, tentarei pôr o plano em prática, postarei todos os selos que vocês me dão de presente, indicarei todos os que de alguma forma são importantes pra mim. Perdoem minha ausência e esperem uma Nicole mais presente e mais dedicada à isso aqui. Obrigada por tudo.

3 comentários:

Luana Conti disse...

Bom...Você foi todas as mulheres em uma só nesse texto.

Como conseguiu, afinal?
Deixo meus sinceros parabéns

Ramos disse...

E volto com chave de ouro.
Também me ausentei do blog... mas e ai, acha que foi bem no vesti?
E que seu recomeço seja eterno \o/

Bjaum!


www.suportedamente.blogspot.com

Luiza disse...

ai que lindo amada! lindo mesmo, é bem assim que começamos nossa escrita. que coisa mais fofa mesmo :D
beijos

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