segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Des(encontro)


Viajei no tempo essa noite. Não sei se sonhei ou se realmente estive lá. Não consigo definir. Mas fui até o futuro, até o lugar que tanto me assusta hoje. Era um noite quente, no céu imperava uma lua cheia, o mar calmo ia e vinha com pequenas ondas. Estávamos nós dois na praia, ninguém mais passava, éramos nós e a natureza, nós e nossos pensamentos, nós e eu ali parada observando. A praia era só nossa, entretanto estávamos um em cada ponta, não nos sabíamos ali. Eu pensava estar sozinha com a minha solidão e você com a sua. Os dois sentados na areia, de frente pro mar. E isso era tudo o que eu podia ver. Não conseguia ver nossos rostos, não sabia se sorríamos ou chorávamos. Talvez estivéssemos fugindo da agitação da nossa vida, talvez buscando respostas. Talvez esperássemos alguém pra nos encontrar e carregar a nossa solidão no colo, talvez nossa única esperança de companhia fosse a própria solidão. Não conseguia saber se estávamos felizes, se nossas vidas estavam no rumo certo, se acabamos nos tornando o que tanto sonhamos. Imaginei quando teria sido a última vez que nos vimos ou a última vez em que pronunciamos algumas palavras; imaginei se você ainda lembrava de mim, ou se eu era apenas mais uma lembrança de fundo de gaveta, guardada junto com alguns papéis amarelados pelo tempo. Imaginei se eu ainda pensava em você, se ainda esperava que em algum momento o telefone tocasse e fosse sua a voz do outro lado ou se eu havia sido convidada por outra voz. E minhas palavras? o que teria acontecido com elas? talvez eu estivesse ali para entregá-las ao mar, com esperança de que chegassem até você ou com a intenção de  que fugissem de mim. Talvez estivéssemos pensando um no outro, você lembrando de quando eu disse que te amava pela primeira vez e eu lembrando de quando você disse que eu era a melhor coisa que havia acontecido na sua vida. Talvez estivéssemos sufocados em nossa nova vida e tenhamos ido ali com o propósito de relembrar os nossos tempos. Mas talvez pra esquecer. Queria ver se você sorria, mas o seu rosto não virava. Daí me ocorreu que fomos por tanto tempo mestres na arte de esconder a dor, que um sorriso seu em meio à solidão da noite poderia significar resistência e não felicidade. Eu também não via meu rosto, mas me escutava sussurrar baixinho, talvez uma poesia ou um texto sobre mar, lua e solidão. De repente, juntos, cada um em sua ponta da praia, erguemos a cabeça e admiramos a lua. Imaginei em quem pensávamos, pra quem compunhamos versos e canções, pra quem dedicávamos aquele momento de luz em meio à escuridão. Mas não soube. Nos levantamos e fomos em direção um ao outro. E eu fui embora sem saber. Não soube se estávamos ali porque havíamos marcado e o nosso tempo a sós foi apenas pra colocar as ideias em ordem e sabermos o que dizer ou se passamos direto um pelo outro com aquela ligeira sensação de já ter visto aquele rosto em algum lugar. Fui embora sem saber. Deixei pro vento, pro mar e pra lua, a missão de me contarem depois. Quando eu chegasse ali, eu descobriria. Não agora. Agora eu viveria o hoje. O amanhã continuaria sendo o daqui a pouco. E do daqui a pouco eu cuido depois. O presente me espera. E é dele que eu vou cuidar. O amanhã depende do hoje, e o futuro é a gente quem constrói.

Um comentário:

Súu disse...

Lindo *--*

Consegui ver tudo acontecendo...

Parabéns!!

beijos

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