segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Anúncio da despedida.




Enfim, chegamos à linha final. Com uniformes desbotados, neurônios queimados e cansaço além do normal. Vamos embora com a nossa mochila vazia de livros e cadernos, mas cheia de histórias pra contar. Passaram-se três anos. Todo mundo mudou, as pessoas nas fotos do primeiro ano quase não são mais reconhecidas, saímos com a certeza de estarmos diferentes. O primeiro, o segundo e o terceiro ano se passaram. E agora, o que será de nós? Sabemos que além daquele portão um mundo inteiro espera e exige de nós o sucesso digno de um ex-aluno do Pedro Segundo. Dá um certo medo ao lembrar de todas as responsabilidades que caírão sobre nossos ombros, dá vontade de voltar no tempo, começar tudo de novo, não pra fazer diferente - talvez, sim, pra estudar um pouco mais - mas pra prolongar e quem sabe tornar eterno o momento que foi o melhor das nossas vidas. Tentamos não ver, disfarçamos a dor que sentiríamos enquanto pudemos, mas o fim chegou. É impossível não sentir medo do futuro e de não conseguir que todos os nossos sonhos sejam realizados, mas nós carregamos a vantagem de termos aprendido com os melhores. Aprendemos da filosofia de Nietzsche à filosofia da vida. Mais do que resolver equações impossíveis e elaborar dissertações polêmicas, aprendemos a construir um futuro. Aprendemos com quantos livros se perde um feriado e com quantos alunos se forma uma família. Aprendemos a lidar com as diferenças, à sobreviver às notas baixas, à entender que nem sempre se ganha. Aprendemos a dividir um história linda, a sermos protagonistas da nossa e à fazermos participações especiais nas histórias vizinhas. De uma fábrica abandonada, instalou-se um hospício em Realengo: o Pedro Segundo - onde habitam loucos que ainda acreditam num amanhã melhor do que o hoje. Saímos todos loucos daqui e seremos jogados no mundo pra contaminá-lo com nossa loucura do bem. Tantas e tantas vezes gritamos que não aguentávamos mais, mas tenho certeza de que sentiremos falta quando amanhã dermos conta de que aquele emblema um dia tão pesado em nosso bolso, tornou-se apenas uma parte enorme de nós a ser guardada numa caixinha em algum lugar da nossa memória. Sentiremos falta do calor insuportável, das aulas intermináveis, dos rostos conhecidos e da sensação de estar em casa, rodeado de gente com o mesmo sangue: o de aluno do Pedro Segundo. Sem dúvida fomos isso: Família. Alguns irmãos e outros primos distantes, mas ainda assim família lutando junto pelo mesmo ideal. Eu descobri, em um minuto de silêncio quase eterno, que na nossa família quando um vai, leva consigo uma parte enorme do resto. Eu percebi que o individualismo do mundo lá de fora não era capaz de ultrapassar os muros daqui e nós fomos encontrando um jeito de dar força um ao outro e de continuar sempre. Se me pedissem pra traduzir o Pedro Segundo com uma palavra e uma imagem, seria essa: um quadro enorme com a foto de um terceiro ano inteiro de mãos dadas no pátio - quando nenhuma palavra foi necessária e apenas uma palavra ficou: família. E família não tem jeito, é pra sempre. Ninguém deixa de ser família porque não mora mais na mesma casa. Torço pra que fiquemos sempre assim: de mãos dadas. Assim vamos longe, pois já avisaram por aí que a união é quem faz força. E a família CP2 é forte porque é feita a base da união. O mundo lá fora bem sabe que sempre acaba levantando pra aplaudí-la. Sejamos assim então: brilhemos com as três estrelas que com muito suor conseguimos e acrescentemos mais quantas forem possíveis. O mundo há de levantar pra nós. Porque ao Pedro Segundo é sempre TUDO e ao aluno daqui não pode ser diferente.
Formandos 2010 - ao infinito e além.

10 comentários:

@juusep disse...

acabando o ano, cada um toma um rumo :\

Gabriela Machado disse...

posso dizer que eu estou chorando aqui, as lágrimas começaram a cair sem querer, só de pensar em todas as nossas aventuras juntos, todos os dias que ficamos a tarde pra estudar, mas estudar que é bom nada só ficavámos conversando, todos os trabalhos em grupo, todas as idas ao shopping, todas as vezes que ficávamos na graminha conversando e comendo, tudo isso e muito mais vai ficar pra sempre no meu coração, pode-se passar 30, 40 ou 50 anos, mas essa época vai ficar marcada como única, onde sofremos, rimos, aprendemos e principalmente amadurecemos, agora estamos prontos para encarar esse mundo fora do CPII.E não pense que vai se livrar de mim a urca nem fica assim tão longe do centro e vou sempre visitar o campus da comunicação.

PS: Sinta-se orgulhosa vc foi a primeira que conseguiu me fazer chorar com um texto

Ariana disse...

eu morro de saudades da época da escola, sinto falta ate dos professores! rs
É a melhor epoca de nossas vidas, deixa uma grande saudade, uma grande lembrança e um belo aprendizado!

Linda homenagem a sua!

Amei seu blog!

Beijos

Lαís Pαmelα :) disse...

Porque ao deixar a escola, deixamos um vazio no coração.
Beijos.

dianaBruna disse...

Lindo!
oradora da turma?
Belíssimo sentimento, de ter essa família guardada no brasão da camisa e no peito eternamente.
Beijos.

Mandy disse...

Dá uma tristeza muito grande quando chega o final de tudo. Todas aquelas brincadeiras, todas as aulas intermináveis e cansativas, tudo chega ao fim. Aparece o medo, claro, mas junto com ele vem a esperança de no futuro nada mudar.
Espero que seja assim com você também Nicole :) Te adoro.
Beijoos
Mandy

Flavia C. disse...

Fazem exatos cinco minutos que eu estou chorando feito besta com esse seu hino. Porque isso não é um texto, é definitivamente, um hino. Acho que por estar vivendo exatamente a mesma situação eu me emocionei tanto, e me apaixonei tanto. Você precisa ser oradora da turma e mostrar isso para o mundo. Ele merece ouvir.

Lindo, lindo, lindo.

Amanda Menezes disse...

Nicole, te indiquei pra um desafio no blog. Espero que goste.

laura b. disse...

aiii nics, de chorar. mas faço minhas TODAS as suas palavras.
os momentos nunca mais serão apagados da caixinha de coisas do coração na minha memória. amo todos vocês, da forma apropriada a cada um - a mais perfeita de todas.
e claro, parabéns nicole, por conseguir dar palavras ao que passa na cabeça de todos nós nesse 'finzinho' de cp2. o mais intenso, o melhor do mundo.

Anônimo disse...

eu amei esse texto

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