terça-feira, 24 de agosto de 2010

Amortecedor, Amor Tecedor.

Encontrei uma palavra curiosa: amortecedor. A encontrei hoje escrita no painel de uma oficina, nada de incomum, afinal, ali se consertava amortecedores. Só que a minha mente de criança imediatamente gostou da palavra e a repetiu inúmeras vezes até que perdesse o sentido. Em determinado momento a palavra não existia mais, tudo o que existia era uma junção dos termos amor e tecedor. E aí começaram minhas filosofias. Tudo porque minha amiga que após uma baita queda, se assustou com a tristeza que sentia: nenhuma. Daí deduzi que ela tinha um amortecedor dentro dela. O amor é o maior tecedor da vida. É ele que sempre encontra um jeito de criar sorriso onde não tem, de costurar com uma linha fininha o coração que há pouco quebrara, de fazer uma teia de coisas bonitas que bloqueie a imundície do mundo lá fora. O amor tecedor amortece ciúmes tecendo a certeza de que ele te ama e jamais te trocaria por ninguém. Amortece dor com música, choro com sorrisos, coração partido com amigos. O amor tecedor e sua teia de coisas bonitas amortecem a queda quando depois de ir às nuvens, somos lançados abruptamente ao chão. O amor tecedor encontra sempre um jeito de tecer a esperança naquele cantinho esquecido do coração. Em todas as vezes que pensei em desistir, o amor veio e teceu a vontade de continuar, a força que havia ficado no meio do caminho. O amor tecedor sempre encontra um jeito de trazer a memória os dias de paz e nos lembrar do que foi tecido naquela época: os abraços à luz da lua, que eram um jeito mudo de dizer que não queríamos mais nada desse mundo; os sorrisos sem razão pela simples felicidade de se estar junto; todos os sonhos sonhados a dois. O amor tecedor insiste até o fim e sabe quando é a hora de parar de tecer em conjunto com um coração e ir procurar outro. Nessas horas o amor tece a esperança de encontrá-lo numa próxima esquina e a vontade de ser uma pessoa melhor e não cometer nenhum erro dessa vez. O amor tecedor tece borboletas num estômago que há muito não sabia o que era tê-las. O amor tecedor tece mãos dadas nos abismos, abraços nas despedidas, beijos onde haveria dor. O amor tecedor nunca para. Se faz frio, nos tece um casaco de lã; quando chega a primavera, nos despe de toda aquela capa e continua a tecer pro próximo inverno. O amor tecedor vai, dia após dia, construindo o colchão fofo que nos acolherá se cairmos. Todo mundo tem um amortecedor dentro de si, a gente descobre que ele existe quando começa a sorrir quando provavelmente choraríamos. O amor tecedor está sempre aí e aqui dentro, tecendo dias felizes, enchendo a gente de esperança e nos incentivando a ir. Porque quedas fazem parte do caminho e inverno sempre vai ser uma estação. Mas vamos ter sempre um colchão fofo, um casaco quentinho pros dias de frio. O amor tecedor estará sempre a amortecer nossos passos. O amor tecedor é o que nos faz suportar os dias - e principalmente as noites.

4 comentários:

Luiza disse...

pobre de quem não tem um amor tecedor. e quem não lê teus textos também perde tempo. teu blog é fantástico, tuas palavras sempre inspiram dias melhores. beijo grande;

Emi disse...

Nicole, eu sempre fico impressionada com a sua inteligência. Menina, você tem noção que de uma palavra tão comum do nosso cotidiano acabou fazendo um texto completamente perfeito? Que genialidade, Nic, meus parabéns!
Achei lindo cada pensamento, cada ligação que fez!
''O amor é o maior tecedor da vida. É ele que sempre encontra um jeito de criar sorriso onde não tem, de costurar com uma linha fininha o coração que há pouco quebrara, de fazer uma teia de coisas bonitas que bloqueie a imundície do mundo lá fora.''
Você brilha, brilha muito!*-*
Mil vezes parabéns!
Beijos!

Mandy disse...

Nossa Nick, adorei viu. E bom, pelo pouco que eu ja entendo, vais ser uma ótima publicitária :) Ficou muito lindo.
To sofrendo de falta de criatividade, acho que vc ja deve saber.. enfim, espero que minha cabeça volte a ser como antes.
Saudades daqui.
Beijão
Mandy

Adrielly Soares disse...

Ah que bonito seu comentário no meu blog. Eu agradeço imensamente o seu elogio. Sempre venho ao seu blog e se não comento é porque não sei me expressar muito bem. Estava lendo os posts anteriores e gostei muito do 'Para o menino da casa ao lado' e 'Carta para além dos muros.'. Esse último em especial me tocou tanto!
Gostei, de verdade.
Principalmente da frase: "mas eu sinto todos os dias que o que me mantém de pé ainda é o amor. Estamos de pé, amor?"

Muito bom, parabéns.

Beijos.

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