quinta-feira, 29 de julho de 2010

Sobre cartões, opostos que se atraem e surpresas da vida.

Em uma de minhas sagas pelas livrarias desse mundo, tive o prazer de ler partes do livro doidas e santas, da martha medeiros. Muito em dúvida sobre qual crônica ler antes de ir embora, fiz aquela brincadeirinha básica e disse a mim mesma: a primeira em que o olho bater, você lê. Se for boa, vai embora, se não, parte pra próxima. Meu olhinho sagaz foi direto numa crônica titulada "O Cartão". É sobre uma menina que era apaixonada pelo cara mais bonito do colégio e vivia a sonhar com o dia em que deixaria de ser invisível pra ele. Até que no dia do aniversário dela, o porteiro a entrega um cartão e ao ler, ela descobre que é dele. Sim, o cara-mais-lindo-e-mais-impossível a estava mandando um cartão dizendo coisas lindas, que provavelmente iam além do sonho. E o que ela fez? correu atrás dele? não, duvidou. Ligou pra todas as amigas e disse que tinha descoberto a pegadinha e que quase havia caído, mas era mais esperta, afinal, ele jamais a olharia. Era perfeito demais e ela, coitada, não chegava nem na unha do dedinho do pé dele. O cartão foi esquecido porque as dúvidas o soterraram. A crônica continua e a menina encontra com o tal cara andando na rua, ele não perde tempo e pergunta: recebeu o cartão? a menina, pra não dizer que o achava superior a qualquer ser e demais pro pobre e fraco caminhãozinho dela, pergunta: Que cartão? Finge que nada aconteceu, que um cartão não mudou uma noite, que o coração dela não ficou gigante com as palavras que leu. E seguem suas vidas, até se relacionam alguns anos depois, mas nada é como antes e a menina se pergunta todos os dias o que teria acontecido se no dia em que recebeu o cartão ela tivesse ligado pra ele. No final a autora, mais caridosa impossível, nos ensina que o medo é o que nos boicota todos os dias. A menina, temendo cair numa piada, perdeu o possível grande amor que ela tanto almejava. Temendo ser inferior, perdeu a chance de crescer e se tornar maior. A autora encerra e diz que pessoas especiais se apaixonam por pessoas normais o tempo todo. Por quê? Ninguém sabe. Mas talvez seja porque todo mundo, desde o mais pequenininho, até aquele ali esquecido no canto com vergonha de sorrir e mostrar seus dentes amarelos, merece um presente e uma surpresa da vida.
Esses dias, conversando com umas amigas sobre uma conhecida em comum, nos surpreendemos porque a dita cuja, que está longe dos padrões de revista, longe de ser a mais bonita de qualquer lugar em que esteja - pasmem! - está noiva. Encontrou a tampa da panela, a metade da laranja, o chinelo velho pro seu pé tão cansado. Atire a pedra quem nunca olhou um casal na rua e se perguntou o que um havia visto no outro. O quê aquela executiva faz com aquele motoboy que não tem onde cair morto? O quê aquele cara sarado faz com aquela menina que há meses não segue a dieta que seu médico receitou? Digo isso porque a minha pedra continua escondida e com vergonha dentro do meu bolso. Não consigo contar nos meus dedos as vezes em que minha mente trabalhou e me fez questionar o amor. São coisas assim que nos fazem nos perguntar todos os dias, por que não eu, que sou culta, me visto bem, tenho cabelo liso, formas de causar inveja em muita capa de revista? Por que o amor insiste tanto em fugir a toda e qualquer regra? A gente se pergunta tudo isso mesmo sabendo que o amor não sabe nada sobre regras. O cupido vai lá, acerta a flecha e pronto.
Terminei nossa conversa dizendo que acreditava e apostava todas as fichas no fato de que cada um tem sim a sua metade reservada e perdida por algum canto desse planeta. E um dia ela chega. Nem sempre do jeito que a gente espera, nem com o corte de cabelo ou com a conta bancária dos sonhos. O amor da sua vida pode chegar suado, com roupas velhas e fusca. Baixinhos se apaixonam por jogadoras de vôlei. Nerds se apaixonam por garotas com boletim representando o mar vermelho. Patricinhas se apaixonam por bandidos. Rockeiros se apaixonam por funkeiros. Acontece o tempo todo. Opostos que se atraem? Não sei. Mas prefiro ficar com minha filosofia de menina apaixonada e acreditar que em algum lugar lá em cima, alguém já determinou uma companhia pra cada coração solitário num sábado à noite. É tudo uma questão de tempo. Um dia desses seu material vai cair no chão, um cara vai te ajudar a pegar e pimba! cupido entrando em ação. Um dia desses o telefone vai tocar e vai ser aquele cara pra quem você já nem lembrava mais que tinha dado o número. Um dia desses o porteiro vai te entregar um cartão. Não tenha medo de acreditar, de responder o telefonema e aceitar o convite pra jantar. Não tenha medo de ser uma farsa, coisa da sua cabeça, tenha medo de não viver. Se a gente cair, arruma-se um jeito de se levantar. Choro um dia acaba, decepção dói mas passa. A dúvida que fica na mente quando a gente não tenta, fica pra sempre.
Já dizia Martha, pessoas especiais se apaixonam por pessoas normais o tempo todo. É um presente da vida. Abra-o. O coloque em lugar especial. Se coloque em lugar especial e logo o será. Se seu caminhão estiver sem forças, reabasteça-o com uma dose de amor próprio. Se o espelho estiver contra você, olhe-se naquele em que a luz te favorece. Dia ruim? permita-se ser fútil por um dia e arrume-se. Faça cabelo, unha, coloque sua melhor roupa pra ir dar uma volta no shopping. É aquele velho clichê, se você não se amar, os outros também não verão motivo pra isso. E se a menina da crônica decidisse que era especial também e que era óbvio que o cara se apaixonaria por ela? Com certeza haveria um cartão respondido e um abraço resgatado do sonho.
O chinelo pro seu pé cansado está andando por aí e espera te encontrar disposta e pronta a ir com ele. Descobrir novos mundos. Comprovar que o amor não segue nenhuma regra. Não ligue se ele não for como o cara dos seus sonhos provavelmente seria. A vida adora nos pregar peças e o mundo precisa mesmo de casais que fogem à regra pra provar que o amor fala mais alto. A gente precisa de um amor que bagunce todas as certezas pra provar que cada um tem lá sua especialidade. Os corações precisam de surpresas da vida pra continuar acreditando.
Cartões aparecem todos os dias na nossa frente, em diversas formas. Cabe a nós jogá-los no lixo ou lê-los com mais cuidado e descobrir quem está por trás dele.

_________________

Falei muito, eu sei. Fiz uma mistura enorme e que talvez não faça sentido, mas que disse tudo o que tava preso aqui durante o dia todo.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Para o nome na minha borracha.


Há quem diga que a distância é o ponto final pra qualquer amizade. Mas com a gente não é assim. Tive a sorte de encontrar em você um amigo como eu jamais havia tido antes. Não lembro de ter te mostrado vezes suficientes o quanto você era importante pra mim nos dias em que sua companhia era uma certeza e talvez fosse mesmo preciso seguir caminhos diferentes pra perceber que nossas linhas, apesar de tortas, deviam estar unidas pra sempre. Te descobri um pouco tarde, por isso aprendi contigo à fazer algo crescer mesmo à milhas de distância. Fiquei feliz um dia desses por perceber que lá se vão uns três anos que a gente não se vê, mas o que vem é uma amizade que arruma sempre uma forma de crescer. Nossos contatos, antes tão raros, vão se tornando presenças constantes nos meus dias. Nossas conversas, um dia tão superficiais, vão se tornando conselhos, advertências, cuidado de um com outro. Hoje bateu uma saudade enorme, você não tem ideia. Uma saudade boa, mas dolorida. Uma saudade mais forte do que antes, mais verdadeira também. Tive vontade de te encontrar em qualquer esquina pra te dar o abraço que eu guardei desde aqueles dias. Hoje, eu pararia o meu mundo pra te encontrar. Porque abri aquela caixinha em que te guardo e você tomou conta de toda a minha memória. O barquinho de papel que você me fez em uma das aulas, o recado que você me escreveu e que dizia que seu coração apertava por saber que um dia não nos veríamos mais, a minha borracha preta. Te guardo ali pra não te perder nunca. Pra lembrar sempre porque um dia eu resolvi te chamar de melhor amigo. Lembrei disso tudo hoje e a saudade preencheu todos os cômodos. Deu saudade de te encontrar todas as manhãs e acabar esquecendo o mundo inteiro só pra poder jogar teus jogos. Eu sempre vencia, lembra? Acho que você fazia de propósito, porque aí poderia dizer que era hora da revanche e assim teríamos mais momentos só nossos. No final sempre acabávamos rindo da nossa bobeira e sabíamos que a nossa bobeira era o que nos mantinha de pé. Foi essa bobeira que te fez naquele dia arrancar uma borracha preta da minha mão e mudar a minha forma de te enxergar. Eu ainda tenho ela aqui. Aquela borracha preta onde eu vivia escrevendo o nome do "amor-da-minha-vida". Eu nunca vou esquecer do dia em que você demonstrou todo seu ciúme e arrancou a borracha da minha mão e disse a coisa mais linda que alguém já havia me dito, você disse que o seu nome podia estar escrito ali também. E você escreveu. Com letras garrafais. Mas que foram levadas pelo tempo. A sorte é que naquele dia, mesmo sem saber, você também escreveu seu nome no meu coração. Ali eu me apaixonei por você, que também era apaixonado por mim. Mas não fomos além, porque éramos novos demais. E porque hoje eu entendo que você chegou na minha vida pra ser amigo mesmo. Aquele tipo de amigo que acaba virando irmão no meio do caminho. E o que ficou depois disso tudo, foi justamente isso: uma amizade enorme e indestrutível. É por isso que o dia do amigo sem você não é completo. Eu sei que daqui a pouco o dia vinte vai embora, mas amigo que é amigo é lembrado todo dia. E pra você sempre vai ter espaço na minha agenda, inspiração pra qualquer texto, saudade a todo momento. Na minha vida sempre vai ter espaço pra você. Pro cara que largava todas as garotas lá fora pra ficar comigo, porque sabia que o meu mundo era diferente demais daquele em que viviam. Pro cara que salvou e alegrou minhas manhãs com simples jogos de pontinhos ou "adedonhas". Pro cara que riu comigo pelo microfone do msn e salvou a noite de um sábado que tinha tudo pra acabar como uma outra qualquer. Pro cara que confiou mais em mim do que em todas as garotas lá fora. E eu sinto falta dele. De saber sobre a vida dele, de rir com ele, de o ter todos os dias reforçando seu nome na minha borracha - e no meu coração. Talvez eu tenha vacilado algumas vezes e dado mais valor a quem não merecia tanto assim, mas se ainda restar tempo, te coloco em lugar de honra. Pra quem acha que amizade entre homem e mulher é coisa de outro mundo, levantamos firmes e fortes pra provar que existe e é verdadeira sim. Obrigada por ter me deixado ganhar não só os jogos, mas a sua confiança, o seu respeito e a sua amizade, eu sei o quanto tudo isso é sagrado pra você. E é sagrada pra mim a sua amizade. A certeza de que você se importa comigo, com as minhas escolhas, com meus medos. Entre todas as nossas diferenças, descubro cada vez mais semelhanças. Nossos medos, nossa exigência, nossa mania em levar à sério as coisas do coração e não se entregar quase nunca. Tenho um coração bobo aqui dentro que pula feito criança quando vê um emoticon teu na tela, quando a janelinha pisca e é você, quando mesmo de longe você mostra que de alguma forma eu ainda existo pra ti. Eu também tive grandes perdas na minha vida e a sua companhia foi uma delas. Eu nunca vou esquecer de você, eu prometo. E sempre que você precisar vai existir uma 'certinha' aqui do outro lado pra te colocar no caminho certo. Se despedaçarem seu coração, tem alguém aqui pra tentar encontrar as palavras certas e te fazer acreditar de novo. Se der medo, se houver decepção ou qualquer outra coisa, é só chamar, paro meu mundo pra te encontrar. No meu casamento te quero lá, no seu estarei na primeira fileira, porque eu sei o quanto você é diferente dos garotos lá fora. Se nada der certo, a gente foge juntos pra formar uma bandinha e viver com o pé na estrada, lembra? E a gente ainda se encontra por aí, pra jogar nosso tão marcado e tão furado boliche. Nem precisa me deixar ganhar dessa vez, eu já vou estar feliz por estar contigo de novo. Até lá, continuarei te mandando scraps e esperando ansiosamente por um emoticon seu surgir na tela.
A borracha tá aqui. Com o espaço pro seu nome devidamente reservado. Da próxima vez usa aquela sua caneta permanente, a mesma que você usou pra escrever no meu coração. Onde eu te levo pra sempre, meu amigo. Saudade é o que há.

"É assim que as pessoas vivem pra sempre.
Porque alguém as leva consigo."

Dessa forma, te faço eterno em mim.

Dia vinte de julho.

Parabéns pra vocês que não perdem a foto, a piada, o abraço. Vocês que compartilham a família, o lugar, a pizza. Parabéns para os que sabem melhor do que eu quando a tpm bate à porta e medem as palavras sem que eu precise pedir. Parabéns pra vocês que ficam depois da festa pra arrumar a bagunça e da decepção pra arrumar o coração. Parabéns pra vocês que oferecem não só o ombro, mas o abraço inteiro. Pra vocês que provocam sorrisos e enchem a caixinha da minha memória de histórias incríveis pra contar pros meus netos. Parabéns pra vocês que preenchem todos os possíveis vazios que existem em mim. Pros sabem mais do que eu sobre os meus jeitos, gostos e defeitos. Parabéns pra vocês que me oferecem ouvidos e sabem entender quando eu prefero ficar calada. Pra vocês que não questionam minhas opiniões e me apoiam mesmo quando não concordam. Parabéns pra vocês que aturam todos os meus humores e jamais desistem de mim. Pra vocês que deram um sentido à chave no meu pescoço. Pra vocês que compartilham seus segredos, seus medos e sonhos. Pra vocês que ouvem meus conselhos, minhas broncas e piadas ruins às sete da manhã. Parabéns pros rostos que preenchem 90% das fotos do meu computador. Pros rostos que me fazem sentir segura em meio à multidão. Pros sorrisos que motivam o meu. Parabéns pra vocês que eu vejo todos os dias e pros que eu vejo uma vez ao ano (e que amo do mesmo jeito). Parabéns pra vocês, seres incríveis, que eu tenho a sorte de chamar de amigo. Amigo é calendário, bloco de notas e diário. Amigo é estranho que se faz irmão, irmão que se faz estrela. Amigo é base, cola mágica que firma nossos pés no chão, gps que mostra onde a gente quer estar. Tem amigo 5 anos mais novo e dez mais velho. Tem amigo que não fala, só ouve. Tem amigo que só fala, não ouve. Tem amigo do lado esquerdo e tem amigo longe dos olhos. Tem amigo que vai e não volta, mas deixa sempre um pedaço e leva outro consigo. Tem amigo que fica em forma de carta, poesia, letras apagadas numa borracha qualquer. Amigo que é amigo vai além do fim. Amigo não se esquece, fica sempre tatuado no peito. Amigo não se troca, não se substitui, não se vende. Mesmo que outras pessoas cheguem, o vazio que fica quando um amigo vai ninguém preenche. Amigo é estrela que brilha no nosso céu, é tatuagem permanente, presente que vem fora de época. Amigo é cumplicidade, sinceridade, lealdade. É a parte mais importante da canção, o trecho grifado no livro da vida, farol que mostra o porto. Amigo é coração que chega devagarinho e sem pedir licença fica preso ao nosso. Amigo é ser que te escolhe, mesmo com toda a sua bagagem de erros e defeitos. Amigo merece mais que um dia, merece um ano inteiro. Um ano inteirinho de mensagens carinhosas, subnicks em homenagem, outdoors que não nos deixem esquecer. Por isso hoje, dia vinte de julho, fica a esperança de que todo dia a gente acorde com aquela vontadezinha na alma de ligar pra alguém, mandar um sms, um scrap, um sinal qualquer que seja, só pra dizer obrigada, amigo, obrigada por escolher a mim.

sábado, 17 de julho de 2010

Porta-Retrato.

"Quando as estrelas começarem a cair, me diz, pra onde a gente vai fugir?"*

Noite. Noite estrelada. Você sabia o quanto elas mexiam comigo. As noites. E as estrelas, principalmente. Andávamos em direção a lugar nenhum, conversávamos sobre coisas desimportantes, sobre o novo corte de cabelo da vizinha, sobre a nova piada que você aprendeu. E, assim, andando sem rumo e falando coisas banais, você me levou até uma roda-gigante e disse que não podia me dar as estrelas, mas podia me levar até elas. Eu disse que tinha medo de altura e você respondeu que não fazia sentido querer as estrelas e ter medo de ir até lá. Então rimos porque pensamos na mesma coisa: eu sempre quis tudo, mas sempre tive medo de tê-lo. Embarcamos então. Lembro de ter agarrado sua mão e pedido pra você não soltar. Pra nunca soltar. Fomos subindo, subindo, até que lá em cima tudo parou. Vimos estrelas, sentimos estrelas, falamos estrelas. Quando descemos e sentamos na grama que ficava em frente à roda-gigante, eu disse que te amava demais e que as estrelas eram sim importantes, mas que não se comparavam à você. Se elas faltassem à noite, eu ainda teria a lua, mas se você faltasse a qualquer momento eu não saberia o que fazer. Você sorriu o seu sorriso mais bonito, me abraçou forte e disse que não ia faltar nunca e que me amava também. Lembro ainda de ter chorado, mas ter disfarçado logo pra não parecer uma boba. Ficamos em silêncio durante um tempo. Sabíamos que algum de nós ia acabar fazendo a tal pergunta. Resolvi que seria eu. Pensei em formas diferentes de perguntar e ensaiei mil vezes na minha cabeça. Acabei te perguntando se um dia as estrelas começassem a cair e não sobrasse nenhuma no céu, pra onde fugiríamos. E agora eu chego na lembrança mais importante da noite. Mais do que as estrelas ou a roda-gigante. Lembro da imagem que eu gravei naquele dia e que fiz questão de colocar num porta-retrato na estante da minha memória. Você de pé, em frente à roda gigante, rodeado por estrelas, dizendo que não importava. Se as estrelas caíssem ou aparecessem com menor frequência, ainda assim seríamos nós dois. E fugiríamos pra qualquer caminho que nos mantivesse unidos. Porque a estrela que mais importava, você disse que já tinha. Porque a estrela que mais importava, eu disse que já tinha. Porque éramos as estrelas que mais importavam em todo o céu, eu soube que não apagaríamos junto com todas as outras. O nosso brilho iria além. Nós iríamos além. Muito além das estrelas (dessa vez sem medo algum).

*Legião Urbana

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Detalhes.

Nada mais é igual. Não tem mais você aqui. Não tem seu sorriso no porta retrato do meu quarto. Não tem sua risada ecoando através das paredes ao ler aquela agenda dos meus doze anos. Lembro como se fosse hoje daquele dia em que você riu porque eu havia escrito que era o pior dia da minha vida porque "o amor da minha vida" não quis ficar do meu lado no recreio. Você riu e disse que nós mulheres desde pequenas cismamos em acreditar que qualquer um tem potencial pra ser o amor da nossa vida, aos oito, doze, dezessete ou cinquenta anos. Depois me perguntou se eu achava isso de você também e eu, super sem graça, fiz uma piadinha e disse que ainda estava avaliando seu potencial. Pura mentira, eu já tinha decidido que o homem da minha vida era você, mas não te contei pra você não achar que eu ainda era uma menininha a eterna espera do tal amor. Mas aí um dia você foi embora e eu não escrevi, mas se eu tivesse uma agenda, eu escreveria novamente que o pior dia da minha vida tinha chegado: o amor da minha vida desistira de passar o recreio, os tempos de aula, as horas extras comigo. O amor da minha desistira de mim. Depois de tanto tempo depositando esperanças em amores vazios, eu realmente achei que você honraria o título e escreveria o meu nome seguido de amor da sua vida em alguma de suas agendas ou em algum lugar no seu peito. Só que pra você isso é infantil demais, você já é um cara maduro. Mas eu sou criança e sendo assim, alimento todos os dias a esperança de que você volte. Um dia depois de conhecer outra pessoa e perceber que as agendas dela não são tão engraçadas como a minha, depois que você perceber que aquele seu retrato combina melhor com a parede do meu quarto e o seu sorriso com as minhas piadas, você vai voltar. Um dia enquanto dobrar a esquininha, enquanto ouvir aquela música que eu tanto amava e você dizia que era brega, aquela que diz que um grande amor não vai morrer assim, você vai lembrar que falta uma agenda na sua vida. Falta a pessoa que te oferecia colo, ouvido e palavras. Eu guardo a esperança de que um dia você perceba que a vida só tem sentido se for vista com olhos de criança, aí você terá coragem de escrever com tinta permanente as palavras amor da minha vida e fazer um coração com o meu nome. Mas hoje ainda habita a sua falta na minha casa. A agenda continua aberta na mesma página, a porta continua encostada, só o seu retrato que hoje tá na cabeceira de outro alguém. O seu sorriso não é mais meu, mas ainda assim você me sorri, eu sei. Lembra do nosso segredo, a frase daquela música que a gente usou pra selar o fim: viva todo o seu mundo, sinta toda a liberdade, mas quando a hora chegar, volta!, que o nosso amor está acima das coisas desse mundo? Pois é, te espero aqui. Revivo todos os dias os nossos detalhes. O fim é só mais um deles, um grande amor não vai morrer tão fácil assim.

"Eu sei que esses detalhes
Vão sumir na longa estrada
Do tempo que transforma
Todo amor em quase nada
Mas "quase"
Também é mais um detalhe
Um grande amor
Não vai morrer assim"

____________________
Viajei um pouco, mas adoro essa música, fiquei com vontade de usá-la rs :)

poderá gostar de:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...