terça-feira, 22 de junho de 2010

Diálogo III

- Alô.
- Olha, eu sei que não faz muito sentido te ligar agora. Eu sei que o meu número talvez nem seja mais identificado no seu celular e nem a minha voz pelos seus ouvidos. Eu sei que a piada que nos fez rir já ficou ultrapassada. Eu sei que a porta foi batida, fechada, trancada, e que cadeiras, móveis e fechaduras se instalaram sobre ela pra que não seja aberta novamente. Eu sei que a nossa esquina agora é só mais um pedaço da rua. Eu sei que nenhuma palavra faz nenhum sentido agora. Eu só te liguei porque faz algum tempo que o sentido sumiu. Sumiu mesmo, tá vendo? Eu tô até te ligando. Lembra o pavor que eu tinha de conversar por telefone? Você sempre ria da minha cara quando via o meu pânico ao atender o celular. Na verdade você sempre ria de tudo. Lembra quando fomos ao cinema e acabamos expulsos porque não conseguíamos parar de rir do cabelo da tia da frente? E daquela vez em que eu estava em mais uma de minhas crises existenciais e você cismou em contar piada, lembra do fora que eu te dei na frente de todo mundo e depois saí correndo pra pedir desculpa e acabar rindo com você? Era sempre assim. Eu sempre largava tudo pra ir correndo atrás de você. Eu larguei meus medos, minhas crises, meu ciúme e fui atrás de você. Porque eu sabia que valeria a pena. Que, por mais que eu me cansasse, no final a gente ia acabar dando risada de tudo. Com a gente sempre foi assim, as pessoas olhavam pra gente e nos achavam malucos que não falavam sério nunca. Elas não sabiam que a gente falava sério e que as piadas e as risadas eram uma forma nossa de mostrar que a maior seriedade era o amor que a gente sentia e a felicidade que tínhamos por estar um com o outro. Acho que com tudo isso eu só queria saber se você ainda ri. Porque desde aquele dia em que você foi embora, fazia tempo que eu não dava uma risada daquelas que dava contigo. Mas hoje eu lembrei daquela cantada barata que você disse no meu ouvido no meio de uma de nossas brigas, aquela que dizia que se eu fosse um hamburguer, me chamaria x-princesa, eu lembrei e comecei a rir. Todo riso que eu havia prendido durante todo tempo, saiu hoje com a lembrança. Havia tempo que lembrar de você não me fazia tão bem assim, era sempre uma situação constrangedora, um sensação de ter sido deixada pra trás. Mas hoje eu acho que finalmente superei. Eu finalmente entendi que você veio até mim pra me ensinar a rir, a ser feliz mesmo de tpm, a inventar uma piada em dias de dor. E rir. Até o fim. Até encontrar o sentido ou fazê-lo sumir de vez. Por isso te ligo, pra te agradecer e pra perguntar se você ainda sabe rir. Alô? Você ainda tá aí? O quê? Tá chorando?!?! Eu aqui falando de risada e você chorando, isso é mais uma de suas piadas?
- Não, é sério. É que desde que eu fui embora, eu me sentia culpado por ter levado teu riso junto comigo. Eu te encontrava por aí e parecia que seu sorriso havia murchado. E agora você me ligar pra dizer isso traz um alívio imenso pro meu coração. Então, ria sempre, todos os dias, com motivo ou sem motivo. Ria quando for o fim e quando for o início. Ria quando estiver com vontade de chorar e chore, mas chore de tanto rir. Não deixe que ninguém seja o seu sorriso, ele é só seu, o máximo que você pode fazer é emprestá-lo e dividi-lo, jamais o entregue nas mãos de alguém. Seja do tamanho do seu sorriso, seja como ele, seja enorme, seja forte e brilhante. Não esqueça nunca, afinal, você teve o melhor professor do mundo.

(Risadas dos dois lados da linha)
O fim dessa história fica a critério de cada um.

Ficção.

9 comentários:

ThiJr. disse...

Nossa muito bom!
Inspirador. Só por ter lido essa postagem maravilhosa, já ganhei meu dia, rs.

Já que o final fica a nosso critério: Que seja um final de muito alegria e felicidade, demonstrado por um sorriso encantador!

Tentando me entender disse...

Engraçado como me encaixo em tds esses textos. Lindo!

Sarah Slowaska disse...

Tens a certeza de que isso é ficção? Ficção na vida de quem? Para quem? Não é possível. Isto tudo se encaixa tanto em mim. Você anda ouvindo as minhas conversas atrás da porta?


:D

LINDO!
Beijos querida

disse...

lindo lindo lindo *-------*

dianaBruna disse...

Lindo, mesmo.
Ria sempre, pois o riso ninguém pde tirar de você.
=*

Melodias de uma garota nada normal !!! disse...

perfeito,lindo ,maravilhoso...
amei mto.. ria forever ...

Luiza disse...

Que lindinho *--*
sim, o nosso sorriso tem que nos pertencer, ter a nossa cara, nosso jeito, então a gente conquista com ele, empresta, mas não pode mesmo é ficar sem.
beijos

Mandy disse...

Owwn que lindo *-* Bom, sei que demorei um certo tempo pra vim aqui e peço desculpas por isso viu Nick. Esse texto ficou lindo como os outros. Perfeito. Melhor, nem tenho palavras pra dizer como ele ta. :)
A respeito do sorriso tirado do rosto, 'ele' tem mesmo razão. "Não deixe que ninguém seja o seu sorriso, ele é só seu, o máximo que você pode fazer é emprestá-lo e dividi-lo, jamais o entregue nas mãos de alguém." :D La no fundo, nós só emprestamos nosso sorriso pra esse alguem, e deixamos ser o principal motivo. Mas na verdade, esse alguem é so mais um detalhe nessa imensidão.
Beijão
Mandy

Anônimo disse...

muito liiiindo ><

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