quinta-feira, 3 de junho de 2010

Carta para um (des)amor.

Hoje faz um ano desde o dia em que mandei você embora. Hoje, com céu nublado, vento frio e chuva que não passa, daqui da minha janela enquanto escrevo olho pra mesma porta pela qual um dia você saiu. Faz um ano que minhas palavras se recolheram, meu coração murchou e o cara que eu mais havia amado foi embora. Foi embora porque eu o expulsei. Lembro que foi difícil tomar a decisão, enrolei enquanto pude, dei outros nomes a emoção, camuflei, fingi que daria certo assim. Tentei até o último minuto, mas um dia aconteceu. Num desses dias de chuva e céu nublado, exatamente como hoje, eu decidi que o seu lugar não era ao meu lado. Se doeu? ah, doeu. Além do que eu imaginei que pudesse sentir um dia. E te contar talvez tenha sido a parte mais difícil. Depois de tanto tempo sem poder te ver, te encontrar justamente pra dizer que não haveria mais nós foi o sacrifício maior. Talvez pra você tenha sido normal. Agora, de longe, parece que o sentimento sempre foi unilateral. Pra você talvez tenha sido só mais uma apaixonada pelo cara que sempre conquistou todo mundo. Só que pra mim nunca foi assim, talvez você saiba. Pra mim, sempre foi mais que coisa de momento, mais que diversão. E por mais que você fingisse não estar dentro, eu sabia que você estava. Quando precisava de alguém pra sorrir era a mim que você procurava. Quando pensava em saudade era meu o primeiro nome que vinha a sua cabeça. Não adiantava fingir na frente dos seus amigos que você era o cara mais esperto do mundo, eu sempre soube que tudo aquilo era só um disfarce, um disfarce do que havia dentro de você e só eu conheci. Mas agora já faz um ano e lembrar disso tudo não é mais difícil. Um dia desses eu até lembrei de você, sem querer, enquanto alguém mencionava alguma coisa sobre seu time - ele sempre foi sua maior paixão, eu lembro. E lembrei da gente, de como ríamos juntos, do quanto nos divertíamos e nos sentíamos a vontade pra nos livrar de nossas capas. Senti um aperto no coração, confesso, por estar te esquecendo, aceitando a inevitável ação do tempo: arrastar tudo da nossa memória. Mas hoje, no aniversário de um ano da sua ausência, te transformo eterno nesse texto e escrevo pra agradecer, você me ensinou muito. Sobre tempo certo, pessoa certa e propósito certo. Aprendi que não adianta a vontade, existe antes uma coisa chamada propósito, e os nossos seguiam caminhos diferentes demais. Você me ensinou que existem milhares de caras certos por aí, mas não adianta se não for o cara certo sob medida pra você. Você, sem dúvidas, é um cara certo. Não o meu. Mas de alguém melhor. Alguém que possa seguir contigo esse caminho que pra mim não teria jeito. Você me ensinou a sentir. A não parar diante de qualquer barreira, a ir além ainda que doa, a não abrir mão de opiniões por ninguém. Você incentivou minhas palavras, as ensinou a se desprenderem e saírem por aí livres, de encontro ao destinatário certo. No começo a sua ausência quis doer, mas aí eu lembrei de você e você é uma dessas pessoas que fazem a gente sorrir por ter conhecido e sentir um orgulho besta por ter sido escolhida. Te escrevo também pra dizer que todas as palavras eram verdadeiras, talvez não façam sentido agora, mas na época transbordavam dele. O sempre ao qual me referi um dia ainda existe, o amor vai mas O amor fica. E a amizade é a maior prova que ele existe. Guarde isso sem dor, mágoa ou ressentimento: nossas linhas eram tortas demais pra seguirem o mesmo caminho. Siga o caminho que você escolheu e encontre a pessoa certa pra você. E que te faça sorrir, cantar, desenhar arco-íris e quem sabe um dia me escrever algo assim. Que seja doce a sua vida, enquanto a minha eu vou fazendo questão de adoçar. Porque agora o céu clareou, saíram as nuvens, voltou o sol. Agora eu já posso ir lá fora, porque você me ensinou que arriscar é o grande segredo da vida e que se der errado, se a gente cair, por mais que doa, um dia passa, assim como a chuva. Vou sair pela mesma porta que naquele dia você saiu e procurar alguém que possa entrar por ela e permanecer aqui, seguindo o mesmo caminho que eu. Abra sua porta, deixe o novo entrar também e seja feliz fazendo o que você sabe fazer melhor: provocar sorrisos.

______________
Da coleção dos cadernos antigos rs, encontrei perdido e resolvi postar :)

6 comentários:

Sulivan disse...

Nossa muito corajosa você!
bela "volta por cima"

gostei do blog!

Mandy disse...

"Senti um aperto no coração, confesso, por estar te esquecendo, aceitando a inevitável ação do tempo: arrastar tudo da nossa memória." :( Eu não quero que isso aconteça comigo não. As vezes eu acho que esse é o meu problema. Tenho medo de isso acontecer mesmo.
Ficou lindo viu, e que bom que agora já ta tudo bem.
Beijão Nick
Mandy

Melodias de uma garota nada normal !!! disse...

ain amei o texto ..
um novo recomeço sempre bom
bjinhos

Emme disse...

Nossa, que vontade de chorar..
Na verdade estou passando por coisas um pouco parecidas, e sinceramente eu amei o texto.
Beijo !

Olga Durães disse...

é belo e verdadeiro

Emi disse...

''Vou sair pela mesma porta que naquele dia você saiu e procurar alguém que possa entrar por ela e permanecer aqui, seguindo o mesmo caminho que eu. ''
Isso aí, menina! Até me encorajou também!
Aliás, seus textos sempre me passam uma mensagem muito boa, principalmente de coragem, esperança e amor próprio! É por isso que eu adoro aqui!
Beijooos!

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