quarta-feira, 26 de maio de 2010

Para a menina da bolsa furada.


Eu sei, menina, eu estive ali o tempo todo te observando. Vi você chegar com aquela sua bolsa enorme e pesada. Vi seu sorriso sincero no início e que ao longo do tempo passou a ser um disfarce de tudo o que passava por dentro. Vi você se apaixonar, fazer planos, realizar alguns e perder outros. Vi suas decepções, seus recomeços, suas dores e alegrias. Estive aí naquela vez que parecia ser pra sempre, naquela outra que foi só um passatempo e naquela que parecia ser a verdadeira. Vi seus sentimentos se misturarem e virarem uma bagunça. Vi você fazendo o que não combinava contigo e o que eu jamais imaginava que você pudesse fazer. Vi seus erros e acertos. Vi corações sendo partidos, reconstruídos e partidos novamente. Vi quando ele chegou e quando ele foi embora. Vi seus olhos brilharem pra no momento seguinte derramarem lágrimas. Vi sua bolsa se enchendo, esvaziando, enchendo e esvaziando novamente. Vi até aquela vez em que ela simplesmente furou. E de uma só vez foram jogados ao chão um milhão de esperanças. Vi pessoas te virando as costas quando você precisou, mas vi amigos do seu lado escutando a sua dor.
Até me vi em você algumas vezes, afinal, todo mundo passa por alguma dessas coisas um dia. É aquela velha sensação de choque, banho de água fria, como dizem por aí. Devem chamar assim porque é coisa que acorda, desperta a gente pra viver a realidade, que nem sempre é do jeito esperado. A realidade é dura, menina, acostume-se com isso. Aprenda a ter um sorriso no rosto mesmo quando o coração estiver em prantos. Aprenda que a felicidade deve ser mais do que um objetivo, ela tem que ser um estilo de vida. Não deu pra ser feliz no amor? tente ser feliz em outra coisa. Compense decepções com sorrisos, amigos e canções. Caiu? Levante. E essa é a hora, menina, levanta. Sacode a poeira, cabeça pra cima, passado pra trás. A hora é agora. Decepções todo mundo tem, o tempo todo, a diferença é forma como você decide superar. Eu sei que dói e parece que não vai passar nunca, mas passa. Sempre passa. O amor é assim mesmo. Ninguém nunca disse que seria fácil, ninguém nunca disse que daria sempre certo. Amor não é equação matemática com um só resultado. Amor é uma porção de incógnitas e variáveis. Você tentou, ele também. Talvez não fosse o tempo certo, talvez não fossem as pessoas certas. Aproveite pra aprender, pra tirar lições para uma próxima vez. Se proponha a ser uma pessoa melhor, a perdoar seus próprios erros, a começar do zero, a não fazer o que foi feito dessa vez. Reescreva seu caminho, de repente o leve até ele novamente, dessa vez sem desvios e buracos. Chore, grite, esperneie, escreva, desabafe, ponha pra fora tudo o que ainda existe aí dentro até que só sobre um vazio, aquele tipo de vazio que é um preparo pro que ainda virá. Recolha sua bolsa do chão. Sua bolsa furada que foi despejando os sonhos ao longo do caminho. Recolha-a, costure-a e a encha novamente, dessa vez de sonhos maiores.
Vai ser dada a partida, não perca mais tempo, comece uma nova rodada. E se o resultado não for bom, lembre-se que sempre se pode recomeçar, aproveite enquanto ainda somos jovens.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Sobre tripés, amigos e saudade.

Lembro de ter ouvido uma vez que um tripé oferece um equilíbrio máximo e com ele é quase impossível que o que esteja apoiado caia. O vento bate, dá uma balançada, mas não cai. É assim que eu me sinto ao olhar pra vocês, meus amigos, meus caras, minha maior saudade. Vocês são o meu tripé. Toda vez que o vento sopra forte demais e quase perco o equilíbrio vocês aparecem, pra me lembrar de coisas que eu nem lembrava mais. São vocês que me fazem acreditar que amizade a distância existe, que o sempre é a gente quem faz e que eu tenho vocês de verdade. Toda vez que o barco quase afunda, eu quase caio e o equilíbrio ameaça ir embora, chega um recado, a janelinha pisca, surge um emoticon sorrindo na minha tela. Vocês me salvam. E me lembram que a nossa amizade vale muito mais do que um dia imaginamos. A saudade vem, o esquecimento tenta tomar conta, mas o amor que eu tenho por vocês não os deixa ir nunca. Disseram por aí uma vez que a saudade é a maior prova de que o passado valeu a pena, e quer saber? é isso mesmo. Valeu cada milésimo de segundo com vocês. Dá vontade de ter aproveitado mais, de ter gritado pra cada um de vocês o quanto o amor que tem aqui dentro é grande, de não ter desgrudado nunca. Dá vontade de ter abraçado mais, conversado mais, conhecido mais. Mas ainda temos tempo. Temos todo tempo do mundo. Enquanto o amor existir aqui, a saudade vai ser só um ingrediente a mais. Enquanto houver vocês em qualquer canto do mundo pra me lembrar vez ou outra que eu ainda existo em vocês, eu me equilibrarei aqui. Enquanto houver um emoticon sorrindo, uma janelinha piscando, um 'tudo bem?' nos meus recados, eu não caio. Eu me mantenho firme porque o tripé que vocês construíram em mim é indestrutível. Haja o que houver, sopre o vento que soprar, estarei firme e manterei vocês comigo. Tem uma saudade que não me larga nunca, mas tem um amor maior que o mundo. E o tripé mais lindo do mundo, feito do sentimento mais lindo do mundo, a amizade, e a certeza de que não estamos sozinhos nesse mundo.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Para a menina da cadeira ao lado.


Era uma vez uma menina. Calada, comportada, ilegível. Dona de sorrisos sinceros, ideias mirabolantes, pensamentos secretos. Menina-Moleca, Moleca-Menina. Vivia num mundo roxo e preto, regado a rock'n'roll. Só dela. Ninguém ia lá. Ninguém nunca sabia o que acontecia naquela terra de ninguém, só dela. Mas a menina, ainda que ilegível, tinha uma marca que denunciava o que sentia. A menina tinha um sorriso. Daqueles que são mesmo a janela da alma (ou do mundo roxo e preto). Por onde passava a menina sorria e se deixava lembrar por aquele sorriso e fazia dele um convite àquele mundo até então impenetrável. Um dia aquela menina, quieta que só, permitiu que eu me aproximasse. E eu, que nada tinha a oferecer, ofereci apenas um lugar pra que ela pudesse colocar sua cadeira. E ali eu soube que, embora ainda houvesse um abismo entre nossas cadeiras, o meu mundo e o mundo dela um dia seriam amigos. Nossas cadeiras viviam na casa 2106, uma casa grande, cheia de estrelas. E, aos poucos, o mundo daquela menina, que era roxo e preto, ficou roxo, preto e estrelado. A menina, que sempre foi pequenininha, foi crescendo. E se tornando mais amiga, mais legível, mais estrela. Um dia, depois que nossas cadeiras já haviam mudado de casa duas vezes, eu lembrei daquele espaço. Aquele pequeno abismo que nos separava. Nesse dia eu me dei conta que ali havia uma pequena semente crescendo, não só a sementinha do mal que em breve a menina se tornaria, mas também a semente da amizade. E hoje, dois anos depois, agora que nossas cadeiras habitam na casa 1305, eu olhei pra aquele abismo e me dei conta de que ele não existe mais. Evaporou, foi morrendo aos pouquinhos, virando nada. Aquele abismo foi sendo soterrado ao longo dos anos porque nós fomos depositando ali sorrisos, conversas, abraços e canções. A menina do mundo roxo, preto e estrelado, havia permitido que eu entrasse naquele universo só dela através da nossa ponte de estrelas. E agora que nossas cadeiras se uniram, agora que a menina se tornou tão sementinha do mal quanto eu, agora que descobrimos aos poucos o mundo uma da outra, só me resta parabenizar a menina. Que cresceu, não no tamanho e além da idade, cresceu dentro de mim. Que seu mundo roxo e preto, menina, continue dando milhões de motivos pra que seu sorriso exista. Que nosso mundo estrelado sirva cada vez mais pra iluminar o seu mundo. Que nossos mundos permaneçam unidos mesmo quando os caminhos forem separados. Parabéns para a menina que hoje se torna mais menina, mais mulher, mais moleca. Parabéns pra dona do mundo que é só dela, mas que vai se abrindo um pouco mais a cada dia. Parabéns pra menina do sorriso colgatiante. Pra dona da cadeira ao lado. Pra uma de nossas chiquititas. Pra integrante indispensável do nosso quarteto. Pra mais nova sementinha do mal. Parabéns pra menina que hoje se torna mais estrela. Parabéns pra menina Laura Barbosa. A amiga que eu descobri um pouco tarde, mas que quero descobrir mais enquanto é cedo. Feliz aniversário, menina, eu amo você. E a minha cadeira permanece aqui do seu lado, é só chamar, pro que for.

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