terça-feira, 30 de março de 2010

Trem da alegria.


Ele sorri feito bobo, é feliz por nada, é tão meu sem que eu mereça. Ele é melhor do que tanta gente lá fora, mas não é pra mim. Não é. Não é. Não é. Repito um milhão de vezes em frente ao espelho. Ele não é o que você sempre quis, uma voz dentro de mim me diz. Onde foram parar todos os seus sonhos, todos os seus pré-requisitos e exigências? Você já está na estação há tanto tempo, vai entrar agora no primeiro trem que parar? E eu me esvazio de esperanças, de tentar fazer valer, de tentar corresponder um amor tão bonito. Eu desisto de entrar num trem que possivelmente me levará até a tão sonhada alegria.
Mas aí ele aparece. E faz a corrida do meu cérebro parar e meu coração falar mais alto. Você vai perder essa oportunidade? Se for o trem errado, é simples: desce na próxima estação e recomeça. Não dispensa essa oportunidade, não deixa o trem passar direto por você.
Mas cérebro e coração se misturam. Essa história de saber separar nunca foi pra mim. Arriscar muito menos. Eu gosto de segurança. Segurança, entendeu? Eu entro nesse trem se você prometer que vai valer a pena. Que vai tentar mudar. Que se não valer a pena, a amizade não vai mudar em nada. Você tem que prometer que vai comigo até o fim. Que o nosso trem será o da alegria. Que a nossa viagem será a mais feliz. Você tem que prometer que nosso trem passará direto por todas as pessoas que aparecerem no caminho. Você tem que prometer assim: olho no olho, cara a cara, coração com coração. Me venda sua viagem. Me conte sobre tudo o que nos espera lá na frente. Conquiste meu coração, seja digno de chegar onde ninguém nunca foi capaz de ir. Faça valer todos meus esforços. Mostre-me o que há em você e eu ainda não vi.
Ele aparece, sorrio. O coração venceu. Ele diz qualquer besteira, desfaço o sorriso. O cérebro venceu. É sempre assim. Uma montanha-russa. É só chegar em casa pra eu colocar tudo na balança. Repetir os defeitos, dizer pra mim mesma um bilhão de vezes que ele não é o que eu quero. Lembrar o quanto ele falha, o quanto deixa a desejar. O transformar num monstro, mesmo que de monstro ele não tenha nada. Mas o transformo, faz parte do meu exercício de racionalização. Faz parte do medo que samba no meu peito e grita no meu ouvido que não vai dar certo, não tem nada a ver, vocês não vão a lugar nenhum. E se é pra ir a lugar nenhum, é melhor nem se mexer do lugar. É melhor não pagar a passagem à toa, não se preocupar com o tempo, não se preparar em vão.
Mas é o trem da alegria, a vozinha aqui dentro grita. Não se pode deixar ir embora assim. Não sem saber aonde ele poderia ter te levado. É medo de ser feliz que você tem? Pois isso não te leva a lugar nenhum, ao contrário do trem. Você só vai saber quando tentar. Quando seus pés levantarem e marcharem rumo à felicidade. Você só vai saber quando seu sorriso se abrir sem restrições, quando seu coração ganhar de vez. Uma oportunidade dessa não se vê todos os dias. Pode ser o que você espera e não sabe. Pode ser que no sorriso dele, no jeito de abraçar, no modo como fala contigo, pode ser nele que você encontre a paz que faltava no seu olhar.
O trem tá te esperando, vai fazer suas malas. Não leve muita coisa, deixe pra enchê-la ao longo do caminho. Leve só o que for bom, os medos, as dúvidas e o passado, deixe onde estão. O trem vai partir e aí? Prefere esperar pra sempre ou vai estender as mãos e tocar nas do maquinista que te espera com um sorriso enorme e o coração aberto, esperando o momento de poder de te mostrar a alegria de ser só dois?
Corre, não perde tempo, não deixe que o maquinista se canse. Vá até o fim dessa vez.
Permita-se arriscar.
Permita-se fazer diferente.
Permita-o que se mostre.
Permita-se esse presente da vida: uma possibilidade de amor.

"E ri, o tempo todo, ele ri, como é feliz! E eu embarco em mais um trem (às vezes fantasma, dessa vez da alegria) mesmo odiando viajar. Eu vou porque é preciso ter histórias, viver coisas, sair de casa, mas nunca vou realmente (...) Ele ri mais um pouco, segura firme na minha mão, eu quero contar, ele merece saber, eu estou amando e super feliz de brincar de amar e ser feliz (...) Mas agora acelera aí, apita, solta fumaça, sei lá como é andar de trem, mas sempre ando. Vamos ver até onde eu aguento dessa vez".

Tati Bernardi

sexta-feira, 26 de março de 2010

Mais uma de amor.

Acabo de chegar em casa e vou logo procurar o amor. Já faz um tempo em que essa é a minha rotina. O amor existe aqui dentro de mim e vai comigo pra todos os lugares, eu sei, mas ultimamente é como se ele estivesse dormindo o tempo todo e precisasse de algo pra estimulá-lo, cutucá-lo, dizer: ei, acorda, a vida não é a mesma se você não me ajuda a enxergá-la. Então, insistentemente, num exercício pra não te perder, não te deixar pra trás, eu começo a estimular meu amor. E a contar histórias com final feliz, e dizer calma, tudo bem, vai passar, a esperança ainda é sua amiga, não tenha medo. Mas no amor a gente não manda, todo mundo sabe. Amor é o bicho mais teimoso do mundo, só aparece quando quer e vai embora sem avisar. Por mais que todas as histórias, todas as esperanças, todas as palavras, por mais que todos os incentivos do mundo o digam pra ficar, o amor cisma em ir. E voltar. E ir de novo. E transformar a vida numa verdadeira montanha-russa. Hoje aqui, amanhã não se sabe.
Eu queria te ligar pra te contar essas coisas, pedir pra que mesmo que você não viesse agora, que você dissesse bem baixinho pro meu amor, em tom de segredo, o segredo mais secreto do mundo, que você vai voltar, que é pra ele ser forte, agüentar até o fim, que você volta. Mas não dá. Não dá pra pedir uma coisa dessa. Eu queria mesmo é que você percebesse. E que chegasse um e-mail seu, ou que você chegasse pessoalmente. E que dissesse pra mim, olho no olho, verdade com verdade, olha, eu sei que é difícil, pra mim também é, mas espera, o fim sempre vale a pena, não deixa isso se perder, não deixa o amor se esconder tanto assim. Eu ia te abraçar então, e pedir pra que você não desse motivos pro meu se esconder e fugir e deixar de acreditar nele mesmo. Porque que a gente deixe de acreditar no amor até vai, mas o amor perder as esperanças nele mesmo é caso grave. Caso grave que não pode ser o nosso.
Eu queria ter noticias do seu amor. Saber como ele está sobrevivendo a todo esse frio, se é que faz frio pra você. Saber com o que ele se distrai enquanto eu não chego pra completá-lo. Eu queria ver o mundo com seus olhos, pra saber se a minha falta surte o mesmo efeito no mundo que a sua falta causa em mim. Mas de tudo o que eu queria, eu só queria você. Em texto, poesia ou canção. Mas você quem? Será que você, o meu você, ainda existe aí? Faz tanto tempo que eu nem sei. Eu também mudei, você sabe. E mudo a cada dia que passa, acredito que você também. Tenho medo de que nos tornemos irreconhecíveis um pro outro, depois de tanto tempo é normal que isso aconteça? Me ensina então, me conta sobre o seu novo estar em si mesmo. Me conta sobre o que você aprendeu durante esse tempo. Deixa eu te mostrar o que eu aprendi, te falar o que ouvi e te escrever o que senti. Faça com que meu amor tenha motivos pra andar por aí dando a cara à tapa. Os outros não acreditam? E daí? Faça com que meu amor acredite e isso será o bastante pra mim. Mude o quanto for necessário, mas volte sempre pra me contar sobre o novo você, mantenha sempre o meu lugar aí dentro. Aloje outras pessoas, mude a cor da casa, reforme os cômodos, mas nunca, nunca me retire do lugar em que estou. Abra as janelas pro sol entrar, feche-as quando chover. Limpe a casa, faça a faxina regularmente, tire todas as pragas, mantenha a porta aberta pra que quando a hora chegar eu possa entrar e me abrigar permanentemente em ti. Num lugar limpo, sem impurezas e sem motivos pra temer.
Se cada coração é uma casa, você ocupa a sala principal. Os outros ficam com quartinhos de visitas, porque nunca duram mais que alguns dias. Se cada coração é uma casa e você ocupa a sala principal, é provável que o meu amor esteja escondido no armário ou embaixo do tapete. E se quer saber? Deixo ele lá. Só assim ele não se suja, não se corrompe com o mundo aqui fora.
Quer saber mais ainda? A porta tá aberta, a janela também, venha quando quiser, o amor tem medo, mas quer. E quem quer espera. Tô sentada na primeira fila pra te receber.

quarta-feira, 24 de março de 2010

História que nos contam na cama,

antes da gente dormir.

Eram amigos. Sempre foram. Daqueles amigos que contam tudo um pro outro, estão ali pra qualquer hora, pra rir da cara de um professor ou pra falar sobre a nova dor de cotovelo. As pessoas diziam que havia um algo a mais naquela amizade. Havia uma forma de amor escondida, com medo de se revelar e acabar com uma amizade como aquela. Foram três anos juntos, afinal. Não se constrói uma amizade assim tão fácil quanto se destrói. E seguiram assim. Três anos de sorrisos sem motivo, gargalhadas a qualquer hora, lágrimas compartilhadas, segredos sussurrados, brigas bobas por ciúme, paixão não-declarada. No primeiro ano não foi assim, ainda estavam se conhecendo, examinando os costumes, os jeitos e trejeitos. No segundo ano, o que começou meio sem jeito, foi ganhando forma, cor e um significado que não cabe a nenhum dos dois definir, a vida se encarrega dessas coisas. E agora o terceiro ano, o último ano de colégio, depois dali o que seria daquela amizade? E-mail, telefone, sms, tudo frio demais, distante demais. Ambos sabiam que aquele ano seria decisivo, mas mesmo estando cientes, não ousaram arriscar. Não ousaram usar palavras como amor. Não ousaram usar frases como eu-te-amo-além-dessa-amizade-vem-comigo. E acabaram por se afastar. Deixaram o medo falar mais alto. Se afastaram logo pra evitar um sofrimento maior quando precisassem se afastar até sabe-se-lá-quando. Mas hoje, no dia da formatura, decidiram que iriam deixar claro tudo o que aconteceu. Hoje seria o último dia de colegial, o último dia pra dizer obrigado por ter aparecido, o último momento pra dizer assim, olho no olho, eu te amo.
Se arrumaram na expectativa, ensairam suas frases em frente ao espelho, ela ia dizer que embora não o tivesse amado da mesma forma que sabia que ele a amava, ainda assim amava. De um jeito só dela, de um jeito meio torto, meio às avessas, mas do único jeito que o coração dela se atrevia a amar. Ia agradecer por ter acreditado nela, por a ter visto quando pro resto do mundo ela parecia ser invisível. Ia dizer que sabia o tempo todo, mas teve medo e que se ele quisesse agora, tudo bem, mas ainda teria que mudar algumas coisas. Mas que estava disposta a tentar, a não deixar algo tão bonito assim se perder.
Ele ia dizer de um jeito meio sem jeito que ela era aquela. A que havia merecido músicas, palavras, solos. Ela era a que o tempo todo o fez sorrir bobo e fazer coisas bobas procurando chamar a atenção. Era pra ela todas as ceninhas, pra tentar provocar um ciúme e quem sabe assim acender a chama de um possível amor. Ele ia pedir perdão por todas as besteiras ditas, por ter sido tão bobo o tempo todo e por não ter levado a sério. Ele ia dizer que amava, de um jeito novo, tão bobo, tão simples, tão verdadeiro. Ele ia pedir pra ela não sumir, pra não se perder nunca dele, pra não deixar algo tão bonito assim se perder.
E foram. Vestidos em trajes de gala e armados com as palavras mais poderosas do mundo. Não sabiam se ia adiantar alguma coisa, mas estavam dispostos a ir. Em frente, adiante, aonde o amor deles fosse capaz de chegar. E em meio a toda aquela gente conhecida. Em meio a tantos olhares comuns e sorrisos sem nada demais, eles se encontraram. E se abraçaram como dois amigos que não se veem a muito tempo. Então ele a puxou pra uma valsa, a primeira daquela noite, destinada àqueles que esperam uma mudança dali pra frente. Tentaram falar, mas não conseguiram. Parecia que as palavras tirariam a mágica do momento. E se a voz falhasse? E se não fosse nada daquilo? Entretanto, não precisaram falar. Aqueles olhos que tentavam se encontrar havia tanto tempo, finalmente se acharam. Aquelas mãos já cansadas de tocar sem tocar, finalmente se tocaram. Aquelas palavras há tanto tempo presas, finalmente se soltaram. Através daqueles olhos, através daquelas mãos, através daqueles corações que finalmente se encontraram em suas esperas.
- O que eu sinto por você jamais vai mudar. - disse ele meio sem jeito. É claro que eu amo você.
- Eu não consigo encontrar palavras pra dizer. - disse ela, com um sorriso em meio às lágrimas que insistiam em descer.
- Então não diz nada, só fica aqui pra sempre, que eu te carrego pra onde for.

Edição visual, edição musical, edição conto/história.


Cavalo branco em extinção.

Vampiros são a febre do século, sendo logo seguido pelos lobisomens. Olhe pra um lado e veja alguém esperando por um vampiro sexy branquelo e lindo surgindo num mágico volvo prata pra livrá-la desse mundo tão normal. Olhe pro outro e veja alguém suspirando por um lobisomem lindo, musculoso, tudo-o-que-eu-sempre-quis. É nessa hora, nesse momento sedento por sangue do mundo que eu me pergunto: onde ficam os príncipes nessa história toda? Foram eles que sempre fizeram as mulheres suspirar, eram eles os que venciam monstros, escalavam torres e surgiam magicamente direto do planeta conto de fada pra nos socorrer. Foram eles os responsáveis por tantos sonhos nossos, por tantas comparações, por tantas tentativas até encontrar o tal encantamento. Onde é que eles foram parar? Será que estão presos em seus castelos, esperando um chamado, ou será que andam por aí, tentando encontrar alguém a sua espera? E se o castelo desmoronou? E se o cavalo branco se perdeu, entrou em extinção? E se? Será que alguém ainda se importa com os pobres coitados? Será que alguém nesse mundo ainda prefere um príncipe? Onde foram parar os contos-de-fada?
Pois eu, ria o quanto quiser, ainda prefiro os príncipes. Nunca gostei do que me oferece riscos, o maior risco que eu preciso correr com alguém é o de me apaixonar perdidamente. Nunca gostei do que é proibido, do que pode me matar. Acho cavalos brancos e castelos um milhão de vezes mais atraentes do que volvos e casas em Forks. Não preciso de alguém que mate por mim, preciso de alguém que mate em mim alguns medos e defeitos. Não quero alguém que sinta desejo por meu sangue, mas que deseje a minha companhia, o meu abraço, o meu beijo e não o precise evitar em momento algum. Não quero que saibam o que eu penso porque podem ler meu pensamento, quero que me estudem e aí sim, saibam da maneira mais antiquada do mundo, o que eu penso, o que eu quero. Não preciso que me salvem de carros em alta velocidade, preciso que me salvem da solidão que há em mim. Não precisa nem ser bonito, brilhar no sol, me basta que seja de verdade e que brilhe de um jeito diferente e me faça brilhar também. Quero mais que força, atração, impossibilidade. Quero amor, romantismo, tudo como manda o figurino. Tudo o que eu encontro num príncipe, que, embora não tão comum assim, é ainda mais real do que um vampiro.
Num mundo que escreve vampiros, filma vampiros, incentiva vampiros, eu só queria de volta o mundo que esperava por príncipes, incentivava as crianças a esperar por eles. Pensamento antiquado, eu sei, mas mais antiquado ainda é dizer que meus filhos não lerão sobre vampiros, não criarão expectativas sobre vampiros, que, até lá, evoluirão, ganharão mais poderes, mais brilho, ou então serão substituídos por outro ser tão atraente quanto. Não importa, meus filhos ouvirão sobre princípes, que, espero eu, existam nessa época.
Quem sabe daqui a um dia os príncipes voltem, quem sabe, de repente, os vampiros voltem para o seu planeta, quem sabe as pessoas desistam dos vampiros e se toquem que um volvo pode até correr, um vampiro pode até salvar, mas no final, quem tá com a gente mesmo, é o príncipe. É ele que, com todo seu cavalheirismo, volta sempre no final do dia, pra ter certeza que a gente sobreviveu aos perigos. Cavalos brancos não ficam sem gasolina, príncipes não ameaçam nossas vidas, finais felizes são mais reais nos contos de fada. E vampiros, antigos ou não, bonitos ou não, só me fazem querer cada vez mais que apareça um príncipe diretamente do planeta amor e me resgate desse mundo moderno demais, não-sensível demais pra mim.

Acho muito que saí do tema, porém, essa é minha opnião sobre vampiros (que eu não gosto). Foi realmente difícil participar dessa edição temática do bloínques porque eu não gosto da saga dos vampirinhos felizes e só quase li um livro, porém, desafio é a minha palavra de ordem -n
Enfim, muitas coisas acontecendo e eu cada vez mais sem tempo pro blog, perdoem a demora pra responder comentários e ver as atualizações, prometo compensar o tempo perdido rs. Vou respondendo aos pouquinhos, obrigada por estarem sempre por aqui, vocês são os seguidores mais lindos do mundo *---*

quinta-feira, 18 de março de 2010

É que eu preciso dizer que te amo.

É isso. Leu ali em cima? então, é só isso mesmo.
É mais um dia comum pra mim, mesma rotina, mesmas pessoas. É só que, voltando pra casa, em mais um momento normal, eu deitei minha cabeça na janela do ônibus, deixei a paisagem correr e pensei demais em você. Cheguei em casa cheia de inspirações pra textos bobos, mas na hora H, só me veio a cabeça uma coisa: EU PRECISO DIZER QUE TE AMO. Porque se amor for isso mesmo, EU TE AMO. E se amor não for nada disso, eu não faço ideia do que seja. Há quem diga que a gente deve esperar a vida toda pra ter certeza quando disser que ama, pra não se arrepender depois. Mas eu não concordo. E se a espera não chegar a lugar nenhum? E se amanhã não der tempo? E se você for embora, a minha voz falhar, seu ouvido ensudercer? É hoje que eu te amo. E é hoje que eu te digo. Não importa se você vai embora quando eu terminar de pronunciar. Não importa se amanhã ou depois eu tiver chorando porque você não disse também.
Eu te amo e é suficiente pra mim. Eu te amo porque você me vê, me ouve e existe. Porque ninguém nunca me viu como você, todos olham, mas só você vê. Além da minha pose de durona, além das minhas ironias baratas, além dos meus medos. Você vê o que existe lá dentro. O que até então ninguém nunca havia conseguido enxergar. Eu te amo porque você ouve o que eu tenho a dizer e não se importa se eu falei demais ou calei antes da hora. Eu te amo porque você existe e traz vida à vida que até então não existia muito bem sem esse teu amor. Eu te amo porque você me viu quando era invisível, me enxergou em meio a multidão, encontrou em mim o alguém que você procurava. Eu te amo porque você sabe exatamente o que fazer, o que dizer e como agir quando está comigo. Eu te amo porque posso ser eu mesma, porque aprendi que o teu amor me vê de um jeito que não preciso me esconder ou disfarçar. Eu te amo porque suas palavras são minhas e minhas palavras são todas suas. Eu te amo até mesmo quando a voz faltar. Eu grito, escrevo em fumaça no céu, em neon no painel, tudo pra dizer que eu te amo. Eu te amo porque você entende minha maneira meio torta e sem jeito de demonstrar o amor que tem aqui dentro. Eu vou dizer que te amo por todos os meus dias. Gritando, sussurrando em seu ouvido, escrevendo em letras garrafais, as três palavrinhas mágicas:
EU TE AMO. Agora, depois e depois. Tanto.
EU TE AMO. Meio distante, meio perto, meio neutra. Tanto.
EU TE AMO. Um tanto cega, um tanto exagerada, um tanto contida. Tanto.
Se algum dia não der pra ouvir, ler ou perceber, me avisa.
Eu grito o mais alto que eu puder, pra quem quiser ouvir, que o amor que eu tenho aqui é teu. Pra sempre teu. Pra sempre tua.

terça-feira, 16 de março de 2010

Para o menino do meu coração,

da menina do coração dele.

Estamos sentados num banquinho olhando o mar. Já decorei a cena de tanto que a repassei e a revivi em minha mente. Costumo fazer isso com os momentos que tenho contigo, pra ter certeza de que não disse besteira, não fiz o que não devia e não esqueci nada o que tinha pra falar. Mas não adianta, sempre fica a impressão de que digo errado, faço errado e no fim resta uma porção de coisas a serem ditas. Coisas difíceis, mas que precisam ser ditas. Pra salvar vidas - e amores. Mas não digo nada dessa vez. Apenas te observo observar o mar. Me parece que você também tem algumas coisas a serem ditas, mas não diz nada. Ficamos em silêncio. E no silêncio eu ouço o barulho que nossos corações fazem. Observo seus olhos, sua boca, sua seriedade meio boba. E parada ali te observando eu descubro coisas em você que eu nunca havia visto antes. E descubro em mim sentimentos que eu nunca havia explorado antes. Eu te observo e te acho tão lindo, tão perfeito, que me vem uma onda de tristeza por querer ser muito mais do que eu sou pra fazer merecer toda a sua beleza. Mas não hoje, eu decido. Hoje com você eu vou fazer tudo direitinho. Sem estragos, sem reclamações, sem medos. Hoje eu quero te mostrar que eu me sinto segura ao seu lado e que mesmo no silêncio eu te ouço tanto. De repente você olha pra mim e eu me atrevo a não desviar o olhar. E te olhar assim, sabendo que mesmo sem dizer nada você é meu, me traz uma onda de alívio tão grande que eu sorrio. Você sorri também. E me abraça. Então eu sei que é a hora mais temida de todas, a hora de ir embora. A gente sempre vai embora, mesmo sabendo que sempre fica alguma coisa. Já? - eu pergunto. Você apenas sorri e afirma com a cabeça. Ambos temos medo dessas separações porque nunca sabemos o que nos espera lá fora e quando haverá um próximo reencontro. Você coloca um pequeno embrulho em minha mão. Ameaço abrir, mas suas mãos impedem e você diz que é pra eu prometer só abrir quando sentir saudade. Digo que sim. E nos levantamos pra ir embora. E vamos. Depois de um abraço forte. Ali percebo que compartilhamos de um mesmo medo: perder um ao outro. Em certo momento olho pra trás e vejo você parado, ao longe, olhando também. Nesses momentos não têm como não olhar pra trás e desejar ficar. Mas são coisas que a gente não entende e precisa mesmo seguir, porque lá na frente tudo se explica. Então sigo. Dessa vez sem olhar pra trás.
Chego em casa e imediatamente abro o embrulho. Esqueci de te dizer que eu tenho saudade o tempo todo, mesmo quando acabo de te ver, parece que nunca é o suficiente. Abro e encontro um cordão com um pingente de coração, junto com um bilhete. "Você carrega o meu coração. E é dele que você deve cuidar. Proteger da chuva e do frio. Não importa o tempo, a distância, a saudade. Enquanto o meu coração estiver com você, eu estarei também. Eu te amo. E o meu coração é tudo o que eu posso te oferecer nesse momento". Coloquei aquele cordão e chorei. O choro mais sincero da minha vida. Por tudo o que havíamos perdido e não recuperamos. Por o nosso momento parecer não chegar nunca. Por nunca ter dito todas aquelas coisas que estavam engasgadas na minha garganta. Adormeci e sonhei com você. Sonhei com aquele momento em que nossos olhos se encontraram. No meu sonho saíam palavras dos nossos olhos. Palavras como especial, pra sempre, amor, saudade, espero. Acordei feliz. Existem coisas que são ditas no silêncio e soam mais verdadeiras do que as faladas. Existem momentos que ficam pra sempre, existem pessoas que nunca se esquecem. Existem corações que foram feitos pra pertencer um ao outro. Teu coração tá comigo, carrego pra onde for. Meu coração tá contigo também, sempre esteve. Talvez não preso num cordão, mas preso na tua alma, agarrado à você. Por isso te escrevo, pra dizer que embora não tenha te dado nada, eu já te dei tudo o que eu tinha. Meu coração. Pesado, um tanto remendado, mas é teu. Cuida bem. Cuido do teu. Pra sempre.
Edição visual do Bloínques :)

segunda-feira, 15 de março de 2010

Exagero?

Depois de tanta procura, tanta espera, tanta demora, eu encontrei você. Depois de ter arriscado e quebrado a cara mil vezes, você apareceu. Depois de sorrisos amarelos, olhares vazios e promessas ao vento, você me encontrou. Depois de amores pela metade, de paixões de uma noite, de palavras escritas pra ninguém, o meu amor encontrou o seu. E ali permaneceu. Agarrado à ele. Muitas vezes não vendo, mas sentindo o bastante. Tantas vezes não sentindo, mas ainda assim oferecendo. E eu fui embora muitas vezes, caso você não saiba, mas em nenhuma dessas vezes eu sai desse mesmo lugar. Acho que você é dessas pessoas que não deixam outra escolha a não ser amar ou sair correndo. Eu tentei correr, escapar, fugir de um amor que ameaçava me consumir, mas eu não pude. O meu amor já estava agarrado a você. E ainda está. E vai sempre estar. Eu pra sempre estou. Agarrada à você. E você a mim, quem sabe. Eu não sei. Mas hoje eu quero acreditar que sim. Pra ter motivos pra sorrir, pra escrever coisas bonitas e acreditar no que escrevo. Hoje eu acredito porque eu preciso, pra acreditar que a gente vai acontecer. Eu vou tentar não estragar dessa vez, eu prometo. Vou fazer tudo direitinho como manda a minha cartilha. Sem exageros. Mesmo morrendo eu não vou ligar pra dizer que tô com saudade. Eu não vou dizer que o seu sorriso meio bobo é o mais lindo que eu já vi, pra você não me achar melosa demais. Eu queria não mais escrever tão abertamente sobre você, mas não dá. Então não vou te mostrar mais nenhuma dessas palavras, pra você não achar que eu sou uma louca, exagerada até o fim. Eu não vou te contar sobre a esquininha que eu já nomeei como nossa. Não conto sobre o mundo que eu criei pra nós e que é pra onde eu corro quando preciso sorrir, chorar, esquecer o mundo aqui fora. Não vou te dizer que você é lindo e que eu passaria o dia todo só olhando pra você e pensando: "O que é que você viu em mim?". Eu vou participar do teu jogo, jogar minhas cartas na mesa, só não mostro as escondidas na minha manga. Eu sei que você é diferente dos caras lá fora, e que eu posso te contar tudo sem medo de você me achar louca, melosa e exagerada, porque eu sei que você também é um pouco disso tudo. Mas eu vou seguir minha cartilha só pra fingir pra mim que esse tempo longe talvez não seja tão difícil assim. Preciso me afastar. Se sentir minha falta saiba que não é por opção, mas necessidade. Eu preciso ir, porque não quero ter metade de você, eu te quero por inteiro. E se não posso ter agora, eu volto mais tarde. Enquanto isso eu absorvo suas palavras pra ter com o que sobreviver sem você. Não me perca, não desista de mim, só tenta entender essa minha loucura. Tem uma parte tua comigo, tem uma minha aí contigo também, é só procurar, talvez nem esteja não difícil de encontrar. Se sentir saudade escreve uma carta, um e-mail, um sms, qualquer coisa pra que eu tenha motivo pra te escrever sem desrespeitar minha cartilha. Dobre a nossa esquininha e pense em mim. Penso em você também. Se assim como fiz com a esquininha, você também tornou alguma coisa nossa - uma música, um livro, um sonho - ouve, lê, vive, pra me sentir aí perto de você. O nosso amor é forte e eu acredito nele, não só hoje. Se depender de mim a gente vai até o fim. E eu não vou estragar. Não quero estragar a sua perfeição com meu jeito exagerado de ser. Não quero sujar o teu amor com o meu amor meio desastrado e sem jeito. Eu quero ser o melhor pra você. Sou dramática, intensa e exagerada. Dá pra me aceitar assim? Dá pra entender as regras da minha cartilha? Dá pra me ensinar a ser o que você precisa? Dá pra me amar mesmo sendo assim? Se a resposta for sim, me espera, amor, pra dar continuidade a uma história que nem mesmo o tempo - com sua força e sua mania de levar coisas embora - conseguiu destruir. O abrigo que tem pra ti em mim é indestrutível.
Desculpa se exagero, mas o meu amor é assim mesmo - exagerado que só. Tem lugar pra gente aí dentro?

quarta-feira, 10 de março de 2010

Sobre amor e verdade.

"O amor não é de palavrinhas ridículas. O amor é de grandes atitudes.
Amor é ir mais além mesmo que doa, deixando tudo pra trás.
Amor é encontrar dentro de si uma coragem que você nem sabia que tinha".

(Filme O ABC DO AMOR)


Ninguém consegue entender, definir ou explicar. Apenas o vivem, sentem e compartilham. Ninguém sabe nada, mas todo mundo sente tudo. Em textos, canções, outdoors, bilhetinhos de gaveta, num beijo, num abraço, num silêncio, num olhar, pulando na nossa frente, respirando o nosso ar, lá está ele: o amor. Eu também não sei nada sobre ele, tudo o que sei é que forte, é grande e me consome. E que existe em cada pedacinho de mim. E que tem que ser verdadeiro. Porque é fácil falar eu te amo sem saber o peso que se aplica a essa frase tão sonhada e temida por todos. Dizer que ama é provar que ama. É ter certeza que confia naquela pessoa, que está do lado dela incondicionalmente, que sua vida sem ela não seria mesma, e outra série de que's e responsabilidades que vêm junto. Eu te amo, pra mim, é coisa rara. Gostar é fácil, simpatizar mais ainda, sentir-se atraído é bobagem, querer estar com alguém é moleza. Mas AMAR, em maiúsculas, é difícil, requer preparo, coragem, disposição, verdade. Amar é saber que se corre o risco de ficar sozinha com o coração na mão, mas ainda assim amar. É saber que algum dia o relacionamento pode acabar, mas o amor continuará lá. Relacionamentos acabam, amor não. Amor é querer saber como a pessoa está, com quem está e se está feliz, mesmo quando o relacionamento acaba e vocês se separam. Amar é mais do que estar com alguém, é se dar pra alguém. É se entregar e se colocar a disposição de alguém pra qualquer hora. Morrer por amor? Não acredito. Morre-se e mata-se por loucura, obsessão, idolatria. Por amor não. Embora seja morte, o amor é muito mais vida. O amor é a morte de sentimentos como ciúme, insegurança, egocentrismo. O amor é a morte de costumes que não combinariam com quem se ama. Porque amar também é isso, é moldar-se a alguém, mesmo sem perder sua verdadeira essência. Amor é saber que aquela pessoa não combina em nada com você e ainda assim amar. Amar é não esperar nada em troca, nem mesmo o amor. Amor que é amor não termina com a distância, não se assusta com saudade, não se rende às dúvidas. Amar é acordar meio mal, atender o telefone e saber que alguém precisa de você. E ir. E deixar de lado suas dores, dúvidas e dívidas, pra cuidar da dor do outro. Porque amar também é isso, é, muitas vezes, colocar o outro antes de você. Amar é ser amigo, amante, cúmplice. É não entender, mas ainda assim apoiar. É se decepcionar, chorar, mas compensar tudo com o próprio amor. É emprestar o colo, o dinheiro, o coração. Quem ama não tem medo de ser mal interpretado, não tem vergonha de sentir, nem de declarar. Amor não olha conta bancária, condição social, aparência fisica. Amor olha o caráter. Amor não é vista. Amor é toque. Toque de corações. Ama-se namorados, amigos, ex-namorados, familiares, inimigos, professores, alunos. Ama-se quem é de verdade. Ama-se quem nos faz bem e muitas vezes quem nos faz mal, porque a gente não escolhe quem amar, o coração vai lá e pronto, toca no outro, mesmo quando não é tocado de volta. Ama-se até quem não nos faz nada, mas ainda assim faríamos tudo por eles. Amor é entrega, é verdade, é morte, é vida, é incondicional, atemporal, universal. É não estar perto e ainda assim sentir. É não sentir, mas ainda assim existir. A gente só sabe que ama alguém quando o coração aperta por estar longe e dá uma cambalhota por estar perto. A gente sabe que ama quando percebe que o coração tá mais pesado porque tá preso a um outro coração. A gente simplesmente sabe. Porque o amor, em qualquer de suas formas, traz um brilho especial pra vida, uma cocéguinha diferente no coração, um sorriso maior nos lábios, uma alegria em meio ao choro, uma vida pra outra vida. Pare e sinta seu coração. Quem você ama está seguro aí dentro? Quem você ama pode te ligar de madrugada só pra ouvir sua voz? Quem você ama pode te procurar pra conversar mesmo o quando quem precisa falar é você? Eu não sei muita coisa sobre o amor. Eu posso estar absolutamente enganada em tudo que eu disse. Mas o que eu sei me é bastante: EU AMO. E me entrego a quem amo. E me coloco a disposição. E ofereço meu sorriso, meu colo, meu silêncio. Porque pra merecer meu amor e aguentá-lo - exagerado que só - tem que ser gente de verdade. Porque o meu amor é de verdade. Não sei explicá-lo, definí-lo, enquadrá-lo, só sei que É. E ser pra mim só serve se for verdadeiro. Porque a verdade, assim como o amor, é o melhor que se pode oferecer a alguém - junto com um abraço, uma palavra, um sorriso, um olhar.

terça-feira, 9 de março de 2010

Diálogo II

- Lembra quando eu disse que ia me esforçar pra ser o melhor pra você?
- Lembro, claro. Eu disse que ia ser fácil porque é o que você faz o tempo todo.
- Então, é pensando na promessa que eu te fiz que, depois que eu levantar, eu só volto daqui a um ano.
- Isso é o melhor? não, não é.
- É sim, talvez você não entenda agora, mas é o melhor, confia em mim. Vou embora porque não quero te atrapalhar, tirar teu foco, impedir teu sonho. Você pode ser feliz sem mim, você sabe.
- Tá, mas eu não quero. Eu quero ser feliz e realizar meu sonho COM você!
- Não vai dar, em algum momento você vai deixar de lado um dos dois, por isso vou agora, pra que haja espaço de sobra pro seu sonho.
- O meu sonho é você!
- Esse você já conquistou. É seu. Agora faltam aqueles outros que estão guardados no fundo da gaveta. É deles que você deve cuidar agora.
- Mas posso cuidar de você também, juro.
- Não, não pode. Sonhos requerem tempo, dedicação, disposição. Tudo o que eu posso te exigir um dia e você não ser capaz de oferecer por já ter oferecido ao seu sonho. Pra evitar mágoas, decepções e qualquer outra coisa, eu vou embora hoje, mas daqui a um ano eu volto.
- Não vai, não. Como eu vou sobreviver sem você? Como sobreviver sem a pessoa que me anima, me conforta e me incentiva?
- Eu vou estar sempre lá, do outro lado, torcendo por você. Não é um fim, jamais será. É só um parêntese aberto pra que sua história possa existir também. É só um ano, a gente já passou por coisas piores. Não se preocupe, se vier a saudade, você tem estrelas; se vier o desânimo, você tem meu riso gravado em você e quando vier a hora do amor, você me terá por inteiro.
- Você acha mesmo que a gente consegue? E se surgirem outras pessoas?
- Eu te amo, você me ama?
- Jamais duvide.
- Então sim, a gente consegue. E não se preocupe com as pessoas, nenhuma delas se compara a você. Agora eu preciso mesmo ir.
- Não vai ainda, só me responde o que eu sempre quis saber: o que é que a gente tem?
- A gente tem a gente. E é isso o que importa, independente de qualquer coisa, de estar perto ou não.
- Eu te amo. Ainda não consigo entender a sua atitude, mas tenho certeza que você sabe o que está fazendo. Confio em você mais do que qualquer um.
- Em nenhum momento pense que foi uma tentativa de fugir de você ou dar um basta ao nosso amor. Daqui a um ano, eu volto. A gente se encontra nesse mesmo lugar, a essa mesma hora, pra recomeçar a escrever nossa história que, embora cheia de vírgulas, jamais conhecerá um ponto final.

Levantou-se e saiu ao encontro do ano mais difícil de sua vida, mas teve certeza de que dali a um ano estariam os dois juntos novamente, prontos pra viver um amor atemporal.
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Pra edição visual do Bloínques.
Voltei pro layout antigo do blog, não vivo sem meus seguidores lindos *-*
Lembrete: preciso aprender a não me entregar tanto nos textos rs.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Recado para o bolsinho da camisa.


Desculpa se te decepcionei, eu sei que eu parecia tão presente, tão disposta, tão pronta pra qualquer coisa. Mas é que as coisas estavam bonitas demais e eu tenho essa mania, quando tá bonito demais, eu sinto medo. Antes de você, eu não sabia sorrir sem me sentir pequena demais. Eu não sabia que havia em mim um mundo novo a ser descoberto. Antes de você, eu não sabia que havia no mundo um mundo novo a ser descoberto. Mas aí você surgiu. Me fez sorrir de bobeira, descobrir mundos, pular janelas, atravessar fronteiras. Você surgiu e deixou tudo bonito demais, tão bonito que me assustou. Como alguém que vive na escuridão e de repente vê um clarão de luz e seus olhos já não acostumados com a claridade, se recusam a abrir. Eu, eu, eu. Tive medo da quantidade de luz e de vida e de cor que você trazia pra minha vida. Tive medo de tocar em você e te ver murchando. E se depois não fosse nada disso? E se você fosse assim com todo mundo? E, temor dos temores: e se eu fosse só mais uma na sua inútil listinha? Quem iria me socorrer? Se não fosse você, quem me sustentaria e impediria minha queda? Por isso eu fugi. E voltei. E tornei a fugir. E escrevo isso hoje de um lugar distante. Mas vou voltar, eu prometo, promete me esperar? Eu só preciso ir ali fora, respirar o ar contaminado do mundo sem você, pra ter certeza de que eu não sei viver sem ti. Eu só preciso de um tempo sozinha pra ter certeza de que a minha solidão e a sua solidão nasceram uma pra outra. Nós dois sabemos que esse ano vai ser impossível, agendas cheias, uma distância cada vez maior. Espera por mim, por favor. Eu só preciso de um tempo pra arrumar a bagunça que eu sou. Preciso espremer meu coração, tirar todo ciúme, insegurança, deixá-lo limpo pra que haja lugar pra você e sua bagagem de coisas lindas. Não me esquece por aí. Eu vou voltar pra te contar de um mundo que é de mentira quando é sem você. Eu vou voltar pra te contar dos meus medos quando eles forem coisa do passado. Eu vou voltar pra dividir os medos que restarem com você. Eu vou voltar pra andar de mãos dadas, te escrever milhões de cartas e recados pro bolso da sua camisa. Coloca isso como post-it na sua geladeira, no seu espelho, na sua carteira: eu vou voltar. Pra fazer existir o nosso pra sempre. Eu só preciso me fazer acreditar que eu mereço um mundo bonito. Eu devo ter feito alguma coisa muito boa ao longo do caminho pra merecer, mas eu mereço. Eu só preciso enfiar de vez na minha cabeça que você é diferente daqueles outros caras. Me perdoa por te fazer esperar, mas prometo fazer valer a pena toda essa espera. Prometo fazer valer a pena todo seu investimento em mim, na gente, no nosso amor.
Vou ali fora mas não te perco de vista, não me perde também. Volta sempre pra perguntar, nem que seja assim meio de longe, como foi o meu dia. Mesmo distante eu ainda sou o seu refúgio, lembra?
Mas enquanto estou longe, guarda esse recado no bolsinho da sua camisa e leva no lado esquerdo do peito pra onde você for: eu amo demais você.
Me espera?
Te espero.

terça-feira, 2 de março de 2010

A viajante no tempo.

Eu sou cara mais sortudo do mundo, eu tenho ao meu lado a mulher mais incrível que esse mundo já conheceu. Eu sei que parece clichê da minha parte, mas se você a conhecesse, imediatamente concordaria comigo. Não, ela não tem nada de normal, não tem nada de comum e nem está aqui o tempo todo, mas ainda assim é incrível. Perfeita? não, não é. Acho que nenhum de nós jamais conheceu essa palavra. Somos imperfeitos e formamos um tipo de casal mais imperfeito ainda. Ela é uma viajante no tempo. Tem o poder de ir a qualquer época de sua vida, mas não escolhe quando nem onde, apenas está aqui e de repente pimba! não está mais. E, embora esteja lá, ela não pode mudar nada. O que acontece fica pra sempre e o que vai acontecer depende da gente aqui, não dela lá. No começo foi bem estranho me acostumar e acreditar nessa história toda. Acontece um bocado de vezes de estarmos num restaurante, no meio de uma praça, e de repente eu me ver sozinho com uma rosa na mão. Toda vez que ela vai, ela deixa uma rosa, pra que eu tenha com o que me consolar durante sua ausência. As pessoas me perguntam se eu não acho estranho, se não chega uma hora que cansa ser sempre aquele que fica, esperando sinais, notícias, qualquer coisa que sinalize sua volta, respondo sempre que sim. Cansa, angustia e dá uma vontade louca de sair correndo atrás dela - mesmo que isso seja impossível. Mas toda essa espera é compensada quando eu lembro de tudo o que ela tem sido pra mim. Mas se eu a espero todas essas vezes, sem dúvida, é porque a amo. Amo de um jeito impossível, tanto quanto nosso amor. Amo suas fugas sem aviso prévio e suas voltas que sempre me pegam desprevenido. Amo seus olhares que pedem desculpa por ter ido novamente. Amo o jeito como ela segura minha mão e diz que não pode controlar. Amo cada momento que passo com ela e aproveito ao máximo porque sei que a qualquer momento ela pode não estar mais aqui. Amo até seus momentos longe porque são eles que me fazem perceber todas essas coisas sobre o amor e o tempo. São momentos sem ela que me fazem perceber o quanto ela é necessária nessa casa, nesse tempo, nessa minha pobre existência. Quando ela não está aqui as coisas perdem o brilho. Faltam sorrisos verdadeiros, olhares cúmplices e meia-verdades sussurradas ao pé do ouvido. Ela me ensinou muita coisa, não há dúvida, mas o que mais me ensinou foi a sentir falta. Eu sinto falta dela até quando ela vai ali na esquina. E tenho medo quando ela demora a chegar porque sempre acho que foi levada pra outro tempo. Eu sinto falta todos os dias. O meu tempo presente sente falta do maior presente que já apareceu na minha vida. Escrevo essa carta durante uma de suas viagens. Não sei onde ela está, com quem nem o que está fazendo. Não sei ao menos se ela lembra de mim enquanto está lá, e nunca saberei porque, ao chegar aqui, ela imediatamente esquece de tudo o que vivenciou no outro tempo. Estou sentado na nossa cama olhando pela janela, gotas de chuva começam a cair, quando ela não está aqui até o céu chora de tristeza. Mas embora não a tenha aqui, a sinto presente o tempo todo. E a última rosa que ela deixou, continua aqui, vermelha, mais viva do que nunca, bem como o nosso amor. Ouço um ruído na sala e logo corro pra ver. Ela chegou.
Não sei o que seria de mim sem você . - Falou ela. Sem você pra me esperar durante todas essas vezes. Sem você pra lembrar todo dia sobre a importância do tempo presente. Sabe, é por isso que eu vou tranquila. Porque eu sei que, a qualquer hora que eu voltar, vai ter sempre alguém aqui de braços abertos pra me receber. Eu nunca sei pra onde vou, mas sempre, sempre mesmo, sei pra onde eu vou - e quero - voltar.

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Esse texto é culpa de conversas sobre o livro "A mulher do viajante no tempo" (que eu super indico). Aproveitei a edição do OUAT e juntei o útil ao agradável rs. Claro, embora seja uma estória, não podia deixar de ser melosa como os meus textos, nem de ter um pouco monte de verdade e de mim rs.
Espero que gostem, beijos :*

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