sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Um milhão.

Eu passo todos os meus dias lendo um milhão de textos, ouvindo um milhão de músicas, sugando um milhão de palavras que possam me fazer lembrar de você. Eu leio tanto, ouço tanto e lembro tanto que acabo te amando mais que tanto e querendo escrever sobre você só pra deixar regristado o quanto você foi, é e vai ser sempre tudo na minha vida. Só pra mostrar pro mundo todo o quanto eu sou feliz por ter te encontrado, ainda que os desencontros sejam comuns. Eu escrevo tanto sobre você porque tenho medo de te esquecer um dia, tenho medo de que outras pessoas surjam e eu acabe esquecendo o que a gente sentiu um dia. Você não merece isso. Por isso eu escrevo um milhão de palavras pra você. Porque se daqui a trinta anos a gente se perder pelo mundo, ainda vai ter um lugar onde seremos eternos. E é pra onde eu corro toda vez que a vida cisma em pegar pesado, quando eu começo a pensar que você não me merece e o nosso amor nunca existiu, é pras minhas palavras que eu recorro. Pra lembrar que, apesar dos desencontros e sentimentos diferentes e tudo o mais que possa aparecer na nossa frente, ainda é você que eu espero. Ainda é você que faz as pernas tremerem, o coração pular e todas essas coisas que a gente acha que só acontecem nos filmes, até que surge alguém assim como você. Que não tem cavalo branco coisa nenhuma. Que não tem nada do que aquele cara perfeito tem. Que tem uma porção de defeitos, mas tem outra porção de qualidades que compensam todos os defeitos do mundo. Que mesmo com todas as imperfeições é um milhão de vezes melhor do que o cara perfeito. Porque o cara perfeito deixa de ser perfeito se não tiver o seu jeito de andar engraçado, o seu sorriso bobo e a sua mania de rir da vida alheia. O cara perfeito pode ser o que for, mas se não for você é jogar fora toda a perfeição. O cara perfeito vive nos meus sonhos, não nego, mas você é um milhão de vezes melhor do que ele, você é real. E faz todas essas coisas serem reais na minha vida. Eu nem sei como você consegue isso tudo de mim. Ninguém nunca conseguiu isso antes, ninguém nunca chegou tão perto. Ninguém nunca me viu tão eu como você me vê. Ninguém nunca conheceu a nicole que não tem medo de dizer o que sente e que conta tudo o que acontece na vida dela. Ninguém nunca foi tão merecedor quanto você. Todos aqueles outros caras, perfeitos ou não, foram só figurantes na minha história. É seu o papel principal. No meu filme, na minha história, na minha vida. E é seu pra sempre se você não se assustar. Por um milhão de dias, de meses e de anos. Se o mundo acabar hoje ou daqui a um milhão de dias, o papel é seu - e o coração também. Pode ser que um dia eu não saiba mais o que escrever, pode ser que um dia a fonte de inspiração mude, pode ser que tudo, pode ser que nada. O papel principal é teu. Por um milhão de anos.
Porque todas as vezes em que eu não sei mais o que sentir por você, eu começo a fazer textos como esse na minha cabeça e a lembrar que o que eu sinto é amor mesmo. Daquele tipo verdadeiro que a gente passa a vida toda procurando sentir.
E quando estou prestes a terminar esse texto, percebo que estou com a terrível mania de terminar textos escrevendo que te amo.
Então é isso, eu te amo.
Um milhão de vezes.
Eu te amo, eu te amo, eu te amo...

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Palavras ao vento.

Sabe, já faz algum tempo que a vontade de escrever se resume a você. Eu queria começar isso aqui dizendo que é pra você, mas não faria sentido já que cada palavra que sai de mim tem o objetivo de te encontrar. Já que eu não posso ir, minhas palavras vão. E eu fico sonhando que elas te encontraram e te fizeram sorrir e chorar e lembrar de um tempo bom e sentir até uma saudadezinha. Não importa onde, quando, com quem, o que eu quero mesmo é que minhas palavras te alcancem e toquem no teu íntimo, só pra ter certeza de que todas essas palavras valem a pena.
Então escrevo mais esse texto que nem parece um texto, só pra agradecer mesmo. Porque eu tive certeza de que minhas palavras chegam até você. Porque desde então tudo tem ganhado um novo sentido, uma nova forma, uma nova maneira de valer a pena. Coisas pequenas viram coisas grandes, bilhetinhos de gaveta viram anúncios em outdoors, tudo porque minhas palavras te encontraram e te trouxeram até aqui. Eu tenho tanto pra te falar, tanta coisa pra te contar, sobre tudo o que eu descobri em você, sobre tudo o que eu guardei pra te dar, sobre coisas que me fizeram ir e voltar tantas vezes. Eu queria te falar sobre toda saudade que eu senti, sobre os dias em que nada parecia ter cor, sobre as noites que viraram dias, sobre um amor tão grande que eu nunca senti. Eu queria te contar sobre mim, sobre você, sobre nós. Eu queria te contar tanta, mas tanta coisa que eu nem sei mais o que dizer. Então, por hoje, eu escrevo só pra agradecer. Por ter tirado todos os medos e angústias que estavam em mim. Por ter sido capaz de amar alguém que eu já não era capaz de amar: eu mesma. Por ter me feito acreditar, insistir e dar tudo de mim.
Eu quero sempre ser o seu porto. O lugar pra onde você corre quando precisa se sentir salvo. O livro ao qual você recorre quando precisa de palavras. A noite que você procura quando precisa de silêncio. Eu vou estar ao seu lado no início, no meio e no fim. Incondicionalmente. Mesmo que isso tudo acabe daqui a uns dias. Mesmo que amanhã minhas palavras te procurem e não te achem. Mesmo que você corra, fuja e desista de mim. Eu nunca vou te abandonar. Passem dias, meses ou anos, o abrigo que eu construí pra você é indestrutível. Te socorrer, te apoiar e te fazer acreditar na vida é o mínimo que eu posso fazer pra retribuir tudo o que mesmo sem saber você tem sido pra mim.
Fica aqui pra sempre, é só o que eu peço.
Te dou minhas palavras, meu silêncio, meu riso, minha alegria.
Te aqueço, te envolvo, te deixo livre.
Permaneço aqui, permaneço pra sempre.
E te dou essas palavras que te trazem pra cada vez mais perto de mim: eu te amo.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Espera(nça).

Deve haver um trem que não chega, um telefone que não toca, uma mensagem que não vem. Deve haver alguma coisa a ser dita, outra a ser ouvida. Deve haver um grito preso na garganta e um coração sufocado no peito. Mas deve haver sobretudo algum fio de esperança que te mantenha de pé. Deve haver alguma coisa dentro de você que a faça insistir nessa espera. Alguma coisa que é verdadeira o suficiente pra te manter presa aí enquanto o resto do mundo continua a girar. O mundo girando e você aí alimentando esperanças, vivendo de esperas e acreditando em tudo o que te faz permanecer aí. Esperando. E Espera quieta no seu canto, com medo de sair andando por aí e ir se perdendo aos poucos em outras vidas, outras histórias. Você tem medo de se tornar irreconhecível pra ele. Por isso espera do mesmo jeito de antes. Com aquele mesmo jeito de falar, aquela mesma risada e todas aquelas manias que ele conhecia tão bem. Você espera com uma esperança que não morre nunca. E quando sua esperança ameaça morrer, você a alimenta falando pra si mesma que ele também está a sua espera e que no tempo certo vocês irão se encontrar em suas esperas. Você alimenta sua esperança com as palavras ditas anteriormente, afinal, estava escrito que seria pra sempre. Você incessantemente alimenta suas esperanças porque tem medo que o fim da esperança seja também o fim do amor. No fundo você quer provar o gosto de uma vida sem espera, uma vida em que acordar não seja sinônimo de correr pro celular pra ver se tem mensagem; uma vida em que o telefone seja só mais um objeto na casa. Você quer uma vida sem esperas, mas você tem medo de que ele venha e te encontre de qualquer jeito, sem esperar por ele. Então você espera. Você espera porque apesar de todo o sofrimento, ainda é ele aquele que te faz feliz. Ainda é nas palavras dele que você precisa se encontrar. Ainda é do sorriso dele que você precisa pra saber que suas palavras valem a pena. Você espera sempre disposta a dizer sim, a aparecer em restaurantes, cinemas, pracinhas. Você espera com uma porção de obrigados e eu te amos presos na garganta.
E enquanto o telefone não toca, você escreve. Enquanto o amor não é declarado, você deixa claro nas entrelinhas. Porque enquanto houver telefone, enquanto houver alguém do outro lado, enquanto houver esperança, você não arreda o pé do seu ponto de espera.
E se o telefone não tocar nunca? Aí quem perde é ele, porque é sempre bom saber que a gente é amado desse jeito como ele é por você...
- Alô?

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

sobre janelas.

Eu sei, você não aguenta mais me ver por aqui, mas deixa eu te contar o que aconteceu ontem: Minha amiga disse que eu preciso de alguém que pule janelas. Idiota, eu sei, mas me fez pensar e me perguntar se você pularia janelas, enfrentaria gigantes e venceria maratonas pra ficar comigo. É uma metáfora pobre, daquele tipo que você odeia, mas é o tipo de coisa que eu te contaria com um sorriso no rosto porque saberia que você ia imediatamente procurar uma janela pra fazer uma gracinha e me dizer que eu já encontrei alguém assim. Não sei se o cara que faria isso ainda existe aí em você. Não sei se você é você ou se é uma invenção da minha cabeça. Esqueci de te contar, ando inventando coisas. Inventei nosso (re)encontro, inventei um abraço, umas palavras meio sem jeito, inventei tanta coisa que já nem sei o que é real ou não. Inventei também uma janela, e foi só começar a pensar nela que de repente apareceram uma porção. Sentimentos, pessoas, manias e mais um monte de janelas que precisam ser puladas, trancadas, arrancadas do caminho, pra que o amor possa crescer. Todas exigirão trabalho, cuidado, dedicação. Ninguém nunca disse que ia ser fácil, mas ninguém nunca disse que janelas apareceriam. Isso tudo é trabalho nosso: identificá-las e unir forças pra pulá-las.
Não nego: um dia tive medo. Medo de que as janelas fossem maiores do que nós. Tive medo de pular e ficar sozinha do outro lado te esperando. Mas hoje não. Hoje eu pulo, me jogo, me dou por inteira, porque alguma coisa me faz acreditar que você vai estar lá do outro lado me dando a mão pra eu pular. Pode ser que não dê em nada, que todo esse trabalho seja em vão, mas vai valer a pena enquanto você estiver comigo.
Por isso preciso que você venha logo. Pra me dar forças, me impulsionar e pular comigo. Preciso que você venha pra ter certeza de que inventar tudo isso não foi mera loucura. Se do outro lado fizer frio, eu te aqueço. Eu vou estar do seu lado todos os dias. Sempre vou querer ser aquela pra quem você corre quando precisa rir, chorar ou conversar. Eu vou ser o que for melhor pra gente. Eu vou pular janelas que existem dentro de mim. Eu pulo. Se você prometer que pula também. Se você prometer que está disposto. Se você for eu vou. Se você cair eu te levanto. Se a janela for muito alta eu te impulsiono. Se você for de verdade não haverá nada capaz de impedir o nosso salto. O outro lado da janela pode não ser o paraíso, mas vai ser o lugar mais lindo do mundo enquanto o amor estiver ali. E se do outro lado tiver outra janela e depois outra e outra e outra, nós não temeremos mal algum, porque depois que o primeiro passo é dado, depois que a primeira janela é vencida, o resto das coisas são tiradas de letra, porque o amor que a gente tem se mostra maior do que tudo.
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não gostei nem um pouco, mas resolvi postar porque faz muito tempo que não posto nada. meus textos estão todos ficando pela metade, sinto um monte de coisa, mas não sei escrevê-las. devo avisar que apesar da falta de criatividade, as coisas andam bem.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Desde quando você se foi.

Não tenho, e não sei, o que escrever. Mas ainda assim alguma coisa aqui dentro pulsa, grita e incomoda, me fazendo escrever essas palavras soltas, talvez desconexas, que saem de um lugar tão profundo quanto eu jamais imaginei existir em mim. Desde que eu te expulsei de dentro de mim, as coisas andam assim. Sem sentido, soltas por aí. Mas penso que se me sobram palavras é porque algum resquício seu deve existir ainda em mim. Talvez esteja bem lá naquele lugar profundo, enraizado, me fazendo escrever coisas que já deveriam estar esquecidas. Coisas que eu já tinha prometido pra mim e pra tanta gente que não escreveria mais. Coisas que já estavam ficando conhecidas como passado. Aquele tipo de passado que a gente consegue deixar pra trás e seguir a vida. São coisas que já foram ditas um bocado de vezes, que agora soam repetitivas, mas ainda assim precisam ser ditas, ou reditas, não importa. Coisas não tão importantes assim, mas com uma urgência que não cabe em mim. Eu me sinto impulsionada a escrever que você é tudo o que eu vejo e faço e procuro e sinto e vivo. Nas ruas, em casa ou fora do país, ainda é você que eu procuro encontrar. Quando alguém me chama em algum lugar, meus instintos insistem em achar que é você, mas não é. Nunca é você, em lugar nenhum, em pessoa nenhuma, mas ainda assim, tudo é você. Quando eu faço alguém feliz, quando conto uma piada sem graça ou quando choro por qualquer motivo, tudo é você. Um topete, um sorriso, um abraço, tudo é você. Quando eu canto no chuveiro, quando leio um livro ou vejo um filme, tudo é você. Eu fui mais você do que eu fui qualquer outra pessoa da minha vida*. Eu sempre esperei te encontrar em qualquer lugar, a qualquer hora, com qualquer humor, só pra lembrar de como era me sentir em sua presença tão intimidadora. E eu sempre estive disposta a dizer sim, a aparecer em restaurantes, cinemas ou parques. Eu sempre estive pronta pra dizer todas aquelas coisas que sempre existiram e nunca saíram do papel. Todas aquelas coisas sobre as quais eu já escrevi uma porção de vezes e ainda assim torno a repetir agora, talvez porque acredite que haja em você alguma mudança de pensamento, de sentimento, e agora você esteja pronto pra compreender todas essas melodizes que te escrevo sempre. É, te escrevo o de sempre, mas não como a de sempre. A de sempre te esperava e vivia em função disso. A de agora te espera, mas entende que lá fora há bilhões de pessoas que merecem ser vistas. A de sempre te escreveu uma porção de palavras na esperança de que você as lesse um dia. A de agora escreve porque esse é o único meio de pôr pra fora coisas que estavam acumulando, quase como um lixo, do lado de dentro. Embora as duas te amem, a de agora aprendeu uma forma diferente, e mais forte, acredito eu, do amor. A de sempre se zangava com seus silêncios, esperava sempre teu bom humor e um eu te amo meio jogado no fim da conversa. A de agora te entende quando as palavras calam, te anima quando o humor falta e te oferece amor mais do que aquele que só existe na palavra. Sim, eu precisava escrever só pra deixar isso claro: agora, que você foi embora e certas expectativas também, eu aprendi a amar você e a entender o teu amor. Era preciso que fosse assim, veja bem, era preciso que a sua partida me fizesse descobrir essas coisas a respeito do amor.
Reencontros estão sempre por aí, recomeços também. O fim nem sempre é o fim. O amor não é só risos, abraços e palavras bonitinhas. E como já dizem por aí: o destino é a ponte que a gente constrói até a pessoa amada**.
Agora, pare e escute: eu amo você, mais do que nunca, com um tipo de amor que eu nunca senti. E toma esse texto. É a minha ponte até você.
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* essa frase é da Tati Bernardi.
** essa frase é do filme as ironias do amor.
Enfim, só resta agradecer a todos vocês pela paciência, pelo carinho, pelo incentivo. Vocês são os caras.
Obrigada também a Mandy pelos selos, assim que tiver um tempinho os coloco aqui.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Sobre amizades (e pessoas) que valem a pena.

Há quem diga que amizades não duram pra sempre, que sempre nunca existiu e que no momento em que as pessoas se afastam elas estão inevitavelmente perdidas uma da outra. É por isso que hoje eu escrevo. Porque eu, que sempre acreditei nessas coisas, me peguei questionando. O que me fez questionar foi o fato de um amigo que não vejo há algum tempo ter me mandado uma mensagem. Eu sei, deve haver alguém pensando: "Nossa, uma mensagem! Você deve receber dezenas delas por dia". Peço perdão e licença pra responder com um belíssimo clichê: o que me importa não é a quantidade, mas sim a qualidade. Não tem como descrever o que passa aqui dentro quando eu vejo que alguém lá longe se importa comigo e com o que eu faço. Receber essa mensagem me fez perceber que, na minha vida, afirmações como essas não são, e eu jamais permitirei que sejam, verdadeiras. As pessoas que dizem isso, dizem baseadas em relacionamentos que não foram feitos pra durar, que não foram verdadeiros o suficiente pra sobreviver. Foram baseadas em relacionamentos que nós temos, tivemos e sempre teremos. Relacionamentos que são verdadeiros, sim, que têm tudo pra sobreviver, mas que, por algum motivo que contraria a lógica, não sobrevivem. Mas hoje a minha atenção não é pra esse tipo de relacionamento, hoje a minha atenção vai pra aqueles relacionamentos que surgem de uma hora pra outra, têm tudo pra não dar certo, mas dão. Dão e duram. São o que eu chamo de relacionamentos verdadeiros, com pessoas que valem e sempre valerão a pena e que simplesmente têm de existir pra sempre. E eu, cada vez mais, acredito neles. Acredito que quando é de verdade, quando todas as pessoas envolvidas se importam, relacionamentos podem ser levados adiante enquanto houver força, paciência e dedicação. Dias ruins existem e sempre existirão. Se já é difícil manter uma amizade com quem tá perto, imagine então com quem tá longe. Com quem vive coisas que não te conta, conhece pessoas que não te apresenta e tem sentimentos que não te empresta. Nenhuma dor pode ser comparada à da saudade. À dor de precisar do abraço, do colo, do sorriso, da presença daquela pessoa que não está do seu lado. Mas tudo isso vale a pena quando, acima de toda e qualquer dor e dificuldade, há uma pessoa por quem vale a pena lutar e um sentimento que não pode ser explicado.
E é justamente quando os dias ruins chegam, a saudade aumenta e suas forças estão no fim. É justamente quando te resta apenas um fiozinho de esperança que uma mensagem chega. E te mostra que alguém se importa com você e que por algum motivo você também vale a pena. Aí suas esperanças ganham nova força e te darão vontade de acreditar num possível reencontro, onde, por mais que sejam pessoas diferentes agora, não haverá nenhum estranhamento, o seu amigo ainda estará ali no fundo dos olhos daquele estranho à sua frente. E vocês se reconhecerão e amizade continuará como se nunca houvesse sido interrompida.
Isso tudo me faz ver que eu só escrevi essas coisas pra contar a minha mais nova descoberta: o pra sempre existe sim, não importa o que dizem. O pra sempre existe e é você quem faz. O pra sempre é bem ali dentro de cada um de nós.

Texto carinhosamente dedicado (e inspirado) nos caras que vez ou outra me lembram que eu valho a pena.
É só pra dizer que eu me importo muito com vocês.
E sinto saudade todos os dias.
E amo pra caramba!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O que restou de nós.

Eu estava decidida, aquele seria o dia em que eu ia te dizer tudo o que faltou, tudo o precisava e tudo o que nunca havia sido dito. Eu te esperei naquele café pra te dizer coisas que te fariam largar tudo e ficar comigo. Eu ia te dizer que por causa dos meus medos, eu deixei de te falar quando eu senti saudades, quando eu desejei mais do que tudo você aqui e quando eu precisei ouvir de você que aquilo tudo era e sempre foi a maior verdade que existiu em você. Eu ia te contar que eu tive medo de me mostrar demais e depois sobrar. Medo de que você saísse correndo e que eu só estivesse confundindo as coisas. Eu ia te contar sobre todas as folhas e folhas que eu escrevi sobre, e pra, você. Eu ia te dizer que eu nunca disse uma porção de coisas porque sempre achei que você soubesse. E talvez você soubesse, mas ainda assim era preciso que eu houvesse dito. Pra tirar toda a dúvida, preencher todo vazio ou só fazer um afaguinho na alma, não importa. É sempre bom a gente saber que existe de uma forma completa em alguém. Eu sempre esperei que fosse você a pessoa que dissesse o quanto eu fazia falta, o quanto amava e o quanto me queria por perto. Eu sempre esperei que você fizesse as perguntas, ditasse as regras e te sobrecarreguei.
Eu ia assumir toda a culpa. Afinal, a culpa foi minha por não ter feito nada. Por não ter gritado pra te chamar de volta. Por achar que fosse só uma fasezinha e que já fosse passar. A culpa foi minha se algum dia você ficou triste por minha causa. A culpa foi minha por ter economizado palavras, exagerado em medos e amado pra dentro. A culpa foi minha por ter medo de que você me achasse maluca demais e entregue demais. Eu ia te contar que tive medo de que o meu amor fosse grande demais pra você. Medo de que aparecesse alguém melhor e você desistisse do seu brinquedinho pras horas vagas. Eu ia te dizer sobre todos os medos que existem em mim. Medos que eu esperava que você fosse tirar de mim, mas hoje eu vejo que não existe passe de mágica, era preciso que eu abrisse mão deles e arriscasse de vez em quando e escancarasse o coração pra que você pudesse se enxergar lá dentro, no maior lugar que existe.
Eu ia te dizer sobre tudo o que faltou pra dar certo. Faltou dizer, faltou ser pelo menos metade do que você era pra mim. Faltou olho no olho. Faltou te surpreender como você me surpreendia. Faltou puxar conversa, inventar assunto, pra você ver que eu me importava. Faltou te contar sobre os meus medos e pesadelos e fantasias sobre a gente. Faltou te pedir ajuda e te ajudar e saber sobre os seus medos também. Faltou perguntar, faltou responder. Sobrou espaço, sobrou brincadeira, sobrou um bocado de quase. De repente, no tempo que era tão apertadinho e que não dava pra quase nada, ficou sobrando uma porção de espaço que faltou ser preenchido por palavras certas e esclarecedoras. Faltou esclarecer. Faltou dizer que o meu medo era te perder. Faltou dizer que eu preferia ficar assim pra sempre do que não ter nada de você, nem a sua amizade. Sobrou desconfiança e ciúme. Faltou eu e você descobrindo nossos vazios, preenchendo os espaços e completando um ao outro.
Faltou de te dizer tudo isso. Você não apareceu. E eu fui embora. Mais uma vez. Com aquela porção de coisas não-ditas guardadas aqui dentro.
Restou uma xícara de café esquecida numa mesa qualquer. Restou eu sozinha, esperando por alguém que não vem nunca. Restou você fazendo alguma coisa mais importante do que eu. Restou você de um lado e eu de outro. E entre nós aquele velho silêncio, aquela velha distância e aquela velha saudade.

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