sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Diálogo.

- Alô?
- Alô. Olha, escuta até o fim e não diz nada, por favor. Mesmo que você me ache uma louca - o que provavelmente vai achar - não desliga. Mesmo que a campainha toque, o despertador apite e a casa pegue fogo, me ouve até o fim, é só o que eu peço. Não desiste de mim de novo. Por favor, pelo menos dessa vez, me deixe ir até o fim. Você não sabe o quanto eu me preparei pra esse dia, quantas vezes eu ensaiei tudo o que eu ia te dizer. Eu sei, já faz bastante tempo era pra eu ter esquecido que você existe, mas não consigo. Queria saber como você está, com quem está e o que está fazendo. Queria saber se você ainda dobra aquela esquininha e se, pelo menos um vez, lembra de mim ao passar por lá. Queria saber se você ainda tem aquela mania chata de fazer piada de tudo e nunca falar sério e nunca deixar mostrar o que sente. Talvez continue, talvez não. Não precisa responder, seu silêncio me basta. Eu continuo a mesma, se você quiser saber. Continuo com a terrível mania de falar demais, escrever demais, dramatizar demais e amar demais. Ainda tenho aquela risada que você dizia adorar. Ainda tenho aquele livro que você ria só de olhar a capa. Ainda ouço aquela música ruim que só é boa porque me lembra você. Ainda não sei atravessar a rua. E ainda tenho aquela péssima mania de te procurar em outras pessoas. Eu sei que você disse pra eu parar com isso, eu tentei, juro. Mas é mais forte do que eu, me domina. Andar por essas ruas cheias de pessoas comuns e sem graça só me serve pra lembrar a falta terrível que você me faz. Lembra quando você disse que isso era uma bobagem porque ninguém nunca é igual a ninguém e que cada um é especial de um jeito diferente? Pois é, você estava certo, de novo. O sorriso nunca é o seu, o abraço é sempre menor e mais frouxo, o olhar é sempre mais vazio. O jeito de andar nunca é tão engraçado, a mania de me fazer rir nunca é a sua e nem as piadas se aproximam das suas. Eu sei, eles devem ser especiais de alguma forma, mas não pra mim. E isso é culpa sua, culpa sua e dessa sua mania de ser a melhor pessoa do mundo e não deixar nada de sobra pra esses pobres coitados. Sinto tanto a sua falta, você não tem ideia. Eu olho pro sol e lembro de como ele brilhava quando eu estava contigo. Eu olho pras estrelas e lembro daquilo que as pessoas sempre dizem que sempre é possível que duas pessoas estejam contemplando-as e pensando uma na outra e se relacionando sem saber, e começo a pensar em você e se você também pensa em mim e se você vez ou outra para assim em meio a afazeres rotineiros como assistir televisão, comer ou jogar futebol, e fica lembrando de mim, da gente, de qualquer coisa que te faça me sentir aí perto de ti. Tudo aqui fora me lembra você, parece loucura. A matemática, as palavras, até o semáforo me lembra você. Isso deve ser bom, penso sempre, dessa forma eu nunca estarei sozinha. Meus amigos dizem que isso é coisa de
apaixonado e talvez seja isso mesmo o que eu sou: apaixonada. Por você. Pelos seus silêncios. Pela nossa esquininha. Pelo seu senso de humor. Por qualquer coisa que seja sua. Por tudo o que me faz sempre insistir em te procurar por aí. Me ocorre agora que paixão é uma coisa meio fraca, meio sem sentido e meio passageira. E isso o que eu sinto aqui dentro não parece que vai acabar um dia, por isso, talvez seja amor. Eu sei que essa palavra, amor, te assusta, mas agora não tem mais problema, você tá longe mesmo, já fugiu da garota encrenca, agora eu digo sem medo de ser feliz, de assustar ou de parecer uma doida varrida: EU TE AMO. Eu te amo mesmo sem você fazer nada, como se só saber que você existe em algum lugar do mundo fosse suficiente pra manter esse amor de pé. Eu te amo acima do tempo, acima da distância, acima de qualquer coisa que possa aparecer no meu caminho. Eu te amo mesmo, pra caramba, de verdade e sem freios. Eu te amo e talvez essa coisa de amor seja imortal. Já vou terminar, mas antes guarda isso contigo: Eu te amo pra sempre! Mas agora, dá licença que vou ali fora viver a minha vida e te procurar em outros caras e me alimentar de paixões. Eu te amo, mas nem por isso eu deixo de viver a minha vida. Vai que um dia, de tanto te procurar eu acabo te achando. Ou você me achando, tanto faz. A gente ainda se encontra, eu sei.
Tchau, não precisa dizer nada. No silêncio te sinto. No silêncio te sei. No silêncio me amas.
Beijos no coração.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Carta para o homem que morreu.

Eu matei você. Porque eu não suporto morrer pras pessoas. Porque me apavora a ideia de que possam desistir de mim. Dói pensar que eu perdi a graça, virei qualquer coisa. Eu não sei lidar com o fato de que uma hora ou outra, a gente precisa morrer pra alguém. Por isso, eu evito todas as minhas possíveis mortes. É por isso que sempre que eu percebo que as coisas não são como antes, eu mato as pessoas. Assim como eu matei você. Eu jamais saberia lidar, nem sequer com a ideia, de morrer pra você. Eu não suportaria olhar pra você e perceber que havia desistido de mim. Foi por isso que quando a sua voz enfraqueceu, eu percebi que era a hora de entrar em ação. A hora que eu mais evitei na minha vida, a hora em que fosse necessário matar você. E o fiz. Esmaguei suas palavras, enterrei suas promessas e fugi de você todas as vezes possíveis. Eu treinei viver sem você. Eu treinei viver uma vida que não girasse em torno de minhas esperanças na gente. Eu fui te matando da pior forma possível, aos poucos. Tentando não sentir, tentando não sofrer. Mas senti demais. Senti por todas as vezes em que não falei com você. Senti pelas vezes em que me perguntavam sobre a gente e eu dizia que não existíamos mais. Senti e sofri por todas as oportunidades que perdemos durante esse tempo. Senti por tudo o que nós fomos e poderíamos ter sido. Senti e sofri de maneira incalculável. Mas um dia aconteceu. De tanto treinar viver sem você, de tanto ensaiar a sua partida, eu me acostumei. Um dia as minhas músicas não fizeram mais sentido. Aquele friozinho na barriga sumiu, as expectativas também. Você simplesmente morreu. Morreu de morte matada. Não nego que ainda sinto e ainda sofro só de pensar que você também possa ter me matado. Sou egoísta, covarde e calculista. Por medo de morrer primeiro, matei você. E junto com a sua morte, morreu o brilho que havia nos meus olhos, morreu aquela porção de esperança que eu insistia em guardar em mim. Junto com a sua morte, morreu um pouco de mim. Morreu aquela parte de mim que acreditava em amor acima do tempo e da distância. Morreu aquela parte que você tanto adorava que acreditava e ficava de pernas bambas diante de qualquer palavrinha bem escolhida. Enfim, te matei e te enterrei no lugar mais fundo de mim. As mesmas mãos que um dia procuraram as suas, se sujaram com toda a terra que foi jogada em cima de ti. Os mesmos olhos que um dia se apaixonaram pelos teus, se apaixonaram hoje por mim. Aquele velho e ingênuo coração que bateu tanto por você, hoje bate por ele mesmo. Por saber que ainda há muito lá fora. A mesma pessoa que um dia lutou por um começo, agora luta pra que o fim seja mesmo o fim. Eu sei que a sua morte em mim vai ser o seu nascimento em outro alguém. E, hoje, com toda essa baboseira sobre morte, eu só quero mesmo desejar que você seja feliz. Porque você merece, mais do que eu até. E eu serei eternamente grata a você. Eu sempre me acharei a pessoa mais sortuda do mundo por um dia ter sido escolhida por alguém como você. Eu te amei muito, de verdade. E a sua morte doeu mais em mim do que em você, pode ter certeza.

sim, foi baseado em alguns textos da Tati Bernardi, inclusive o título.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Sobre esquinas, saudade e finais.


Eu sei que tinha dito que não ia te escrever mais nada, mas hoje eu escrevo porque eu não consigo parar de pensar em você. Não sei ao certo o que eu pretendo te dizer com tudo isso, mas eu só quero que você ao menos saiba que eu me importei com cada centímetro do que aconteceu e do que não aconteceu entre nós.
Não tivemos culpa, tentamos. Eu sei que é difícil aturar alguém tão insegura quanto eu. Eu sei que parecia burrice insistir em algo que sabe-se lá quando se resolveria, ou resolveria acontecer de verdade. Não nego, foi difícil também conviver com uma possibilidade, com um talvez. Foi difícil conviver com sua aparente indiferença e com o seu aguçado senso de humor. Mas sabe, apesar disso e de tantas outras coisas, eu acreditava que fosse dar certo um dia. Eu sei, sonhos de uma menina-inocente-que-ainda-acredita-em-contos-de-fada. E talvez seja bem por aí mesmo. Eu acho que depositei em você esperanças demais e te sobrecarreguei. Esperei que fosse o príncipe que me resgatasse dessa torre, me acordasse desse sono profundo e me levasse pra passear no seu cavalo branco. Esperei que você enfrentasse maratonas e destruísse monstros pra no fim ficarmos juntos. Esperei e desejei com todas as minhas forças que você fosse ele. O cara que me resgataria dessa solidão sem fim, dessa espera sem chegada e desses medos e monstros internos. E, pensando bem, talvez você tenha sido mesmo. Não da forma que eu esperava, mas foi. A vida é assim mesmo, dizem por aí, as coisas são como têm que ser, não como a gente quer. E com você foi bem assim mesmo. Percebo agora que escrevo também pra te dizer que, mesmo sem nunca ter te dito, você foi meu príncipe. Você me resgatou de crises "ninguém me ama, ninguém me quer", você me amou, você depositou também suas esperanças em mim, eu sei, o que eu mais poderia pedir de você, se o que mais importava pra mim era o seu amor? E esse, ah, esse eu tive. Talvez até ainda o tenha guardado em algum pedaço teu. Você destruiu monstros e medos em mim que insistiam em não se mostrar, em não dar amor. Como quem acorda de um sono de muitos dias e precisa correr pra alcançar o tempo perdido, eu acordei de um longo tempo sem amar e despejei sobre ti todas as minhas reservas e limites de amor. Eu fui até o fim. Eu dei tudo de mim. E eu daria um pouco mais, se isso não tivesse te assustado. Você me ensinou, me mostrou alguns caminhos até então desconhecidos. Você me abriu portas, abriu meus olhos e tirou toda aquela sujeira do meu coração. Sabe que ainda lembro de você ao virar aquela esquininha? Faz tempo que passamos por lá, rindo de qualquer besteira, felizes por termos um ao outro. Faz tempo, eu sei. Mas olha a loucura: de vez em quando, eu ainda te vejo do outro lado da rua, esperando por mim, esperando com aquela sua cara de bobo, fingindo estar de saco cheio da minha demora pra atravessar ruas. E, então, eu chego do outro lado e não te vejo e começo a te procurar em qualquer olhar, em qualquer jeito de andar, enquanto percorro aquela nossa ruazinha. Mas nunca é você. Às vezes eu fico realmente feliz por nunca ser você, afinal, o que eu faria ao te ver? Te cumprimentaria com os habituais dois beijinhos ou sairia correndo pra te abraçar? Na verdade, é mais provável apostar que eu passaria do outro lado da rua e fugiria de te encontrar e depois pensaria dias e dias sobre o que poderia ter acontecido se eu parasse e ouvisse a tua voz e risse do teu bom humor. 
É, escrevo também pra dizer que ando pelas ruas querendo e não querendo te encontrar e querendo e não querendo te contar um bocado de coisas que te fariam compreender toda essa maluquice. Coisas que te fariam entender porque eu fugi, porque eu saí sem adeus, sem aviso prévio. Quem sabe um dia eu te envie uma carta, um e-mail, um qualquer coisa e te diga todas essas coisas, sem olho no olho, sem corpo a corpo. Mas se antes disso acontecer, eu te encontrar e parar pra te cumprimentar, então essas coisas serão ditas automaticamente por meus olhos e sorrisos e gestos e até lágrimas. Antes de terminar preciso pedir pra que não se assuste e pra que não seja você a pessoa que passa do outro lado da rua quando me vê. Isso destruiria totalmente o carinho que ainda reside em mim. Não se autodestrua dentro de mim.
Seja sempre aquele que me espera do outro lado da rua enquanto eu tomo coragem pra enfrentar meus medos, seja sempre aquele que me acompanha enquanto viro a nossa esquininha. Seja sempre aquele por quem eu devo uma série de agradecimentos, seja sempre a-melhor-coisa-que-me-aconteceu. Seja sempre o cara por quem eu vou esperar encontrar em qualquer dia, só pra, pelo menos, relembrar a cor dos olhos, o jeito que penteia o cabelo e o modo como atravessa a rua. Seja sempre aquele que meus olhos vão procurar em meio a um milhão de pessoas, melhores ou não. Seja sempre aquele que por mais que me faça chorar, me dá uma centena de motivos a mais pra sorrir. Seja sempre aquele que eu nunca vou esquecer e pra quem eu sempre vou ter um algo mais a dizer. Seja sempre aquele sobre quem eu falo pras pessoas com o maior orgulho do mundo. Seja sempre aquele que povoa todos os lugarezinhos escondidos em mim. Seja sempre o cara que me fez amar de uma forma completa. Inteira, sem medos, sem restrições. E, por favor, seja sempre aquele que vai lembrar de mim e de tudo o que nós fomos um pro outro. Quem sabe um dia, aqui, na nossa esquininha, ou em qualquer outro lugar, a gente se encontre e descubra que o fim nem sempre é o fim.
E como chega ao fim mais um texto pra você, eu preciso te dizer que escrevo também pra lembrar da saudade que eu sinto de te ter do meu lado e de ler suas palavras e de desejar seu sorriso. Saudade de lembrar que eu tinha você. Saudade de lembrar que eu tinha motivos pra escrever e cantar e amar. Saudade de sentir saudade, mas saber que no dia seguinte eu teria você de novo. Saudade principalmente daqueles dias em que fazia sentido sonhar com você. E como a gente, textos chegam ao seu fim. Mas meu desejo é que sejamos como esses textos e recomecemos outro dia, em uma folha de papel em branco.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Os outros.

Tem tanta gente interessante por aí. Tem tanto coração pedindo pra ser adotado. Tem tanto abraço guardado, tanta vontade de pertencer a alguém. Tem tanta gente enviando sinais, apostando todas as fichas em mim. Em mim. Que continuo aqui, dizendo nãos, mas querendo sins com todas as forças. E exigindo mais do que eu sei dar. E racionalizando demais. E voltando sempre pra mesma tecla: você. E machucando uma porção de gente que não merecia e machucando a mim mesma.
E eu sofro sendo assim. Sofro quando escondo do mundo lá fora todos os segredos que existem dentro de mim. O mundo é moderno demais e eu antiquada demais, não sei viver romances fáceis, que começam num piscar de olhos e acabam noutro. Eu não quero isso. E eu fujo disso. E eu sofro por isso. Sofro porque quando alguém se aproxima eu começo a racionalizar. Sofro porque machuco pessoas sendo assim. E, sendo assim, eu sempre desisto antes de tentar. Eu fiz assim com você. Eu te racionalizei até o último centímetro. Eu pesei cada palavra que você disse. Eu pus na balança todos os sorrisos, todos os olhares, todas as partes de você. Eu pesei, somei, dividi, multipliquei, subtrai, te transformei numa equação cujo resultado foi uma incógnita. Eu não sei se é verdade. Eu não sei se você é tudo o que eu acho, ou se tudo é resultado de uma imaginação fértil. Eu sei tanto sobre você que isso só faz lembrar que eu ainda não sei nada. Eu só sei que é com você que eu quero perder esse meu medo de me relacionar. E me entregar. E amar. É com você que eu quero dividir meus pesadelos e segredos. É só com você que eu quero dividir minha coca-cola, meus arco-íris, minhas estrelas de estimação. É com você, não com os outros. Não com aquele que pode me carregar de uma ponta a outra; não com aquele que me pagaria bilhetes rodoviários pra encurtar distâncias. Não com aquele que me levaria pra praia e andaria comigo sobre o azul do mar. Não com aquele que me dedica músicas, nem com o que me dedica solos de guitarra, nem com o que sempre me atraiu. Nem com nenhum outro alguém que possa estar nesse segundo me dedicando pores do sol, versos singelos ou batidas do coração. Se esse alguém não for você, eu não quero que seja nenhum outro. Porque todos esses outros só me fazem lembrar o quanto eu tento me enganar dizendo que não me importo mais contigo. Então hoje, eu decidi acabar com essa história. Eu só quero você. Eu quero que você me carregue pro outro lado do mar, pra onde exista uma história pra nós dois. Eu quero com você encurtar nossas distâncias. Eu quero andar pela praia de mãos dadas contigo. Eu quero versos, chuvas e textos inteiros dedicados por você. Eu quero ser cafona e antiquada do teu lado. Eu quero, com você, mostrar pras pessoas que mesmo nesse mundo instantâneo, é possível, sim, ter um amor verdadeiro, que dure mais que um dia. Eu quero que os outros vejam o quanto valeu a pena esperar todos esses dias por você.
Eu não quero um, eu quero o. Eu não quero outros, eu quero aquele. E aquele, entre indas e vindas, lágrimas e sorrisos, continua sendo você.

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talvez esse texto não faça muito sentido pra vocês, mas pra mim faz todo sentido do mundo.
é cheio de "piadas internas", se é que podem ser chamadas assim rs.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Pra ler ouvindo: a bailarina e o soldado de chumbo.


Eu sempre me preparei pra hora em que isso fosse acontecer. Eu sabia, as pessoas viviam me dizendo que essa história de pra sempre era coisa de quem acredita em contos de fadas e papai Noel. E, definitivamente, eu não era uma dessas pessoas. Então, numa tentativa de evitar a dor quando ela chegasse, eu me preparei. Pensei nas milhões de formas de saber que havia acontecido. Nos sinais, nas frases não terminadas, nas palavras que perderam o seu valor. Pensei no que eu te diria, escolhi minhas melhores palavras e guardei comigo. Eu lembro, eu ia te pedir pra não se perder de mim, nunca. Eu ia agradecer por tudo o que você foi pra mim. Por ter me feito acreditar que apesar de ser extremamente romântica, ter TPM e ser meio chata, algum maluco no mundo podia gostar de mim. E, sim, eu ia agradecer muito por esse maluco ter sido você. Enfim, eu sabia, você sabia, todo mundo sabia que esse dia ia chegar. O dia em que aquilo que nunca começou acabaria.
Eu, tão preparada, tão decidida a não sofrer, tão decidida a ficar agradecida por ter conhecido alguém assim. Eu, que sempre tenho respostas prontas pra tudo, sempre sei o que dizer e quando dizer, não tive noção do que fazer quando eu finalmente percebi que o dia havia chegado. A única coisa que eu sei é que doeu mais do que o esperado. Mais do que as pessoas haviam me alertado um dia. Mais do que palavras e lágrimas conseguem definir. Doeu de uma forma que só sabe quem sente. Só quem sente sabe a dor de ter sido deixada pra trás. A dor de ter sido esquecida. A dor de saber que alguém que poderia ter sido tudo, foi um quase, e desistiu de todo esse mistério. Eu não sei como eu soube, eu só soube. Eu estava tão determinada a falar contigo, a te mostrar que eu me importava com tudo o que acontecia. Eu estava tão disposta a fazer isso acontecer e durar. E, então, no meio do caminho, as cores começaram a ficar escuras. Os ventos começaram a soprar forte demais e todas as milhas que nos separavam ganharam um novo tamanho. De repente, eu não era mais quem você buscava quando precisava sorrir. Não era mais na minha palavra que você procurava se encontrar. Não era mais pra mim que as suas palavras mais bonitas eram ditas. Aconteceu. Tinha que acontecer um dia. Na verdade, já estava acontecendo há algum tempo. Não foi coisa de uma hora pra outra, eu via nossos pedacinhos ficando ao caminho, pouco a pouco. Mas eu me recusava a ver. Eu ainda acreditava que, um dia, assim sem mais nem menos, você ouviria uma música, eu leria um livro, ou vice-versa, não importa, e a gente se lembraria um do outro e daria aquela saudade que a gente conhece tão bem e viria junto uma vontade louca de ligar pro outro e dizer olha-tô-aqui-não-me-esquece-nunca-me-leva-contigo-gosto-muito-de-ti-tenho-sentido-saudade. E aí a gente se encontraria, numa praça qualquer, nossos braços se atrairiam e a gente não ia precisar falar nada. A gente só ia ficar lá, presos num abraço, enquanto as pessoas estivessem passando e os pombos brincando no chão e o sol contemplando nossa felicidade. A gente não ia dizer nada, mas íamos saber de tudo. Creio que todas aquelas coisas difíceis de serem ditas e que por isso nunca são, seriam descobertas e não causariam dor, nem espanto, nem medo. Seria como se tudo já tivesse sido planejado, calculado pra acontecer. Mas não foi. É bem assim com a gente, com esse sei-lá-o-quê que a gente sente. Era perfeito, tinha todas as chances de dar certo, mas não foi e não deu. Nem sequer aconteceu. Não aconteceu, mas acabou.
Acabou pra mim. Acabou pra você? Você sentiu que alguma coisa havia sido perdida? Você percebeu que a gente estava lá, mas foi como se estivéssemos em outro lugar? Percebeu, eu sei. Sentiu também. Não adianta negar. Não adianta dizer que não sofreu. Não diz que não sentiu, que não vai morrer de saudade do meu jeito engraçado de falar querendo chamar sua atenção. Não diz que minhas palavras desajeitadas de quem não quer mostrar tudo o que sente não vão fazer falta. Não diz que foi fácil. Nem difícil. Não diz nada. Não faz com que as palavras que foram as minhas, talvez nossas, melhores amigas, estraguem o carinho que eu tenho por você. Não faz com que esse pulo que o meu coração dá quando você aparece acabe. Não diz nada que estrague a fantasia que eu tenho de você, um cara tão educado, que jamais faria algo pro meu mal. Não diz nada que me faça ter certeza de que eu fui só mais uma na sua vida.
Continua aí, por favor. Não, não continua, segue sua vida. Conhece quem você quiser conhecer. Diz tudo o que você disse pra mim pra quantas você achar que merecem. Eu vou fazer também. Vou conhecer gente nova. Deixar que entrem no meu coração, na minha vida. Vou abrir portas, janelas, qualquer coisa que faça com a que luz entre nesse pobre coração. Mas no fim do dia, quando você perceber que nenhuma outra te entende como eu; quando o sorriso delas não tiver nem metade do poder que o meu tinha pra te fazer sorrir; quando você perceber que é comigo, e só, que você deveria gastar seu vocabulário. Quando, enfim, o tão esperado dia chegar. Pode ligar. Pode chamar. Vai ter sempre espaço pra você. Vai ter sempre uma parte de mim à sua espera. Na esperança de que um dia o telefone toque, a janelinha pisque, e seja você. E então a gente vai dizer aquela porção de coisas e a gente vai enfim se amar e o pra sempre vai enfim existir.

"De repente toda mágica se acabou
E na nossa casinha apertada
Tá faltando graça e tá sobrando espaço
Tô sobrando num sobrado sem ventilador"
(o teatro mágico - a bailarina e o soldado de chumbo)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Replay.

Primeiro dia do ano. O que foi mesmo que eu prometi? Começar o ano sem sentir nada? Sair de uma vida que me levava à você? Prometi? prometi.
No momento em que a minha vida deveria virar, quando eu finalmente iria me sentir leve, foi justamente aí que eu vi o quanto todas as minhas promessas fracassaram. Esquece aquelas coisas de ser uma garota forte, conseguir viver sem ter que pensar em você. Esquece todas aquelas coisas sobre te esquecer. A minha vida virou, é verdade. Mas girou pro lado errado. Girou pra parte que me entrega de bandeja a você. Primeiro pensamento do ano? você. Primeiro desejo do ano? você. Primeiro arrependimento do ano? você. Mais uma vez, tô presa nesse replay. Sentir que você é tudo o que eu preciso, te amar com tudo o que sou e depois te odiar, odiar suas promessas, suas palavras. Em vão. Depois eu me pego pensando o quanto eu fui burra, o quanto eu merecia estar contigo. Vai ser sempre assim. Você chega, diz que me ama e se afasta e volta e diz que me ama mais uma vez e foge de novo. E eu continuo aqui. Fugindo, me entregando, perdida entre o que eu deveria sentir e o que eu sinto.
Hoje eu te amo. Hoje eu te desejo aqui do meu lado mais do que qualquer coisa. Hoje eu só queria chegar no fim do dia, encostar a cabeça no teu ombro e te contar sobre todos os gigantes que eu enfrentei pra poder chegar até você. Hoje eu queria que você me ligasse pra poder ouvir tua voz e te fazer rir, pra ter certeza de que você é mais que um sonho bom. Hoje eu queria te levar pra ver estrelas, te mostrar o quanto as coisas são mais bonitas quando a gente tem alguém. Hoje eu ri daquele cara por quem eu era apaixonada porque ele não chega nem aos teus pés. Porque
ele não tem o som da tua risada. Não tem aquele jeito de andar divertido. Não tem nada que pareça contigo, coitado. Hoje foi o seu dia. E eu te entrego o ano todo que começou se você quiser. Eu não sei o que vai ser amanhã. Pode ser que amanhã eu te odeie, odeie o jeito como você anda. Pode ser que eu odeie essa vontade de ouvir tua voz, essa necessidade de saber que você presta atenção em mim. Pode ser que amanhã apareça outro cara e que, dessa vez, eu não ria da cara dele por não ser igual a ti. Quem sabe, dessa vez eu fique feliz e caia nos braços dele, justamente porque ele não tem nada de você. Não tem a sua risada viciante. Não tem seus abraços maiores do que eu. Não tem seu senso humor. E não tem a capacidade de me fazer amar de uma forma tão inteira, tão cem por cento. Talvez esse seja o relacionamento perfeito pra mim: sem entregas, sem exagero.
Amanhã eu tô indo viajar, tô indo pra mais longe ainda de você. Eu sei, uma ótima hora pra não pensar em você e me acostumar com isso. Mas eu não sou tão decidida assim. Já fiz minhas malas e entre tantas roupas, entre tanta coisa que eu coloquei pra tentar chamar atenção de alguém que não seja você e enfim, encostar minha cabeça no travesseiro e não pensar em você, não pensar que pode ser injusto conhecer alguém e não te avisar, lá está aquele livro que você tanto gosta e que tem tantas frases que me lembram você; lá está aquela porção de músicas e filmes que eu separei especialmente pra aquelas noites que eu conheço tão bem. Aquelas noites em que a solidão bate na porta e eu não tenho forças suficientes pra espantá-la. Nessas noites pensar em você é certo. Nessas noites eu vou pra cama com minha munição anti-qualquer-coisa-nova e com milhões de pensamentos sobre você e o tempo. Eu sei que essas noites vão chegar, eu me conheço mais do que eu gostaria. Mas fico bem, não se preocupe.
Acordo renovada. Acordo pronta. Abro as janelas, deixo o sol entrar. Abro a cabeça, o coração e os braços pro novo dia, pras novas coisas. E as novas coisas chegam. E as novas coisas vão. No fim do dia, só me resta você e suas lembranças. Você e a lembrança da maior felicidade que eu tive na vida. E aí, apesar de ter que te odiar pra me mostrar que sou uma garota forte, eu continuo esperando por você. E continuo fechada pro novo. Continuo sorrindo, fingindo que não sinto, procurando por alguém novo que não chega nunca.
Só o que chega é você.
Meu velho.
Meu novo.
Meu Replay.
Meu pra sempre.
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pessoas queriidas *-*
estava eu viajando feliz da vida e sem internet quando chego em casa e me deparo com esse blog cheeeio de gente nova e cheio de coisas lindas que vocês escrevem :)
muuuuuuuitíssimo obrigada, de verdade.

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