terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Bandeira branca, amor.

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Você passa parte da sua vida apaixonada por um certo alguém. O dedica versos, poesias e pores-do-sol. Sua vida gira em torno dessa paixão, desse amor, desse seja-lá-o-que-for. Você dedica horas do seu tempo pra pensar no que ele está fazendo, com quem está e se está bem. Investiga o que ele gosta, descobre seus gostos, manias e desgostos. A música dele preferida, de repente, torna-se a sua também. Aquele livro que ele leu e comentou, de repente, toma um valor especial e você se põe a ler. Na maioria das vezes, esse certo alguém não te dá a mínima. Não entende o que você quer e se entende sai de mansinho. Mas, nos casos mais raros, se você for uma pessoa de sorte, ele resolve retribuir o teu olhar e, quem sabe, o teu amor. Uma possibilidade de amor, você pensa. Finalmente, poderá encostar sua cabeça no ombro de alguém e contar sobre o seu dia. Finalmente, encontrará um abrigo. E é assim. 
Vocês estão felizes. Ninguém fala sobre isso, mas tudo bem, você até prefere assim, é melhor não dar nome às emoções. Você fica feliz quando ele aparece e ele, aparentemente, fica feliz ao falar contigo. Vocês se falam todos os dias, ele é sempre fofo, aquele tipo de cara que você apresentaria pros seus pais com a cabeça erguida. Seus dias ficam cor-de-rosa, seus textos viram textos de menininha apaixonada. Andar na rua vira uma busca interminável por um olhar que possa ser o dele. Você se veste todos os dias como se fosse encontrá-lo. Mas não se encontram. E assim passa o tempo. O seu amor cresce, cada dia mais irresponsável. Sai abrindo janelas, portas e lugares nunca imaginados. De repente, vira uma coisa louca que te consome e te vence todos os dias. O amor dele? ninguém sabe. Talvez nem ele. Mas vai dar tudo certo, você repete toda manhã. As coisas acontecem quando devem acontecer, você aprendeu assim. 
Mas e quando não acontecem nunca? E quando o seu amor continua ali, implorando retribuição? E quando as dúvidas, medos e desconfianças surgem e te fazem desistir? Aí dói. É como se a vida tivesse te avisando que o amor e, quem sabe, até a felicidade, não são pro teu bico. Aí você desiste. Junta os pedaços do coração, recolhe as palavras e vai. Dói ir. Dói olhar pra trás e ver que poderia ter dado certo. Dói olhar e ver sentimentos que nunca foram postos pra fora irem para o lixo. As pessoas tentam te consolar. Falam coisas como "vai passar", "o melhor ainda está por vir. Você não quer se recuperar. Se recusa a mostrar que está bem pra esfregar na cara. Mas isso não importa pra você. Você se recusa a deixar isso passar e o melhor. O seu amor se transforma em lágrimas. Que mancham sua maquiagem. Incham sua cara. Te desconfiguram. Mas no final, te deixam incrivelmente mais leve. Você escreve uma carta, sobre tudo o que você achava que ele sentia e a envia. Envia sem esperar resposta, mas no fundo, acreditando que ela vá chegar. Mas não chega, nem a carta, muito menos a resposta. Na verdade, você não envia. Você escreve e deixa naquele cantinho que é só teu. Aí, então, se um dia ele vier a ler e responder, vai ser porque algum dia ele parou pra pensar em ti, sentiu saudade das suas palavras e correu pra onde sabia que estaria escondido uma parte bem grande de você. Aquela parte que você sempre escondeu, porque sempre te disseram que assustaria as pessoas. Mas aí, enquanto o dia não chega, o tempo vai passando e a sua vida seguindo.
No primeiro dia você pensa o tempo todo, no segundo só antes de dormir e, de repente, quando você vai ver, pensar nele deixou de ser uma necessidade. Seu coração está leve, quase pronto pra amar de novo. Seus olhos estão limpos. Saiu a maquiagem, saiu toda lágrima, saiu tudo o que te prendia ao passado. Ano Novo, Vida Nova, você pensa. E, de repente, quando você menos espera, você olha pro lado e vê alguém que te vê há muito tempo. Ele não faz teu tipo, não tem quase nada que te atraia, mas ele te ama. E ele te observou o tempo todo. Enquanto o seu mundo estava fechado e se resumia àquele outro, o mundo desse aqui estava aberto, mas se resumia à você. Enquanto você só tinha olhos pra um, o outro esperava no canto dele, te observando e te desejando cada vez mais. O cara te valoriza, valoriza o que você diz, valoriza teu caráter e se preocupa com sua opinião. Não diz que te ama, mas prova. Mas você não quer se envolver com ninguém, é claro. Seu coração ainda dói um pouco e uma parte dele ainda insiste em querer aquele outro alguém. Você decide não se deixar levar por meia dúzia de palavras bonitinhas, daqui em diante as provas deverão vir juntas. Daqui pra frente, só cara a cara, olho no olho, branco no branco. Chega de alimentar ilusões. Chega de fantasiar a realidade. Chega do amor. Na virada do ano, nada de calcinha vermelha, nada de qualquer coisa que faça lembrar paixão. Vai ser tudo branco, você decide. Branco como a paz que você tanto quer. Branco e claro como as coisas deverão ser daqui pra frente. Mas se por acaso, assim sem querer, uma mancha vermelha em forma de flor, poesia ou abraço, surgir no teu caminho, você saberá imediatamente que chegou a sua vez. O amor pode não ser pro teu bico, mas ninguém nunca disse sobre não ser pro teu coração. Um ano novo, uma vida nova e quem sabe, um amor novo, que te tire dessa confusão. De repente, até um amor velho, mas renovado. Limpo. Sem impureza. Sem restrições. Sem nada que o impeça de ser real.
Branco. Limpo. Impecável. Como a paz.
Como a sua tentativa de paz em meio à guerra.
Bandeira branca, eu peço paz. Em forma de amor.
Bandeira branca, só quero paz pra esse pobre coração.


quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Onde terminam os arco-íris.


A gente já se perdeu um do outro tantas vezes. Eu já morri pra você. Você já morreu pra mim. Mas por algum motivo que contraria a lógica, por algum motivo que nem eu, nem você, nem ninguém consegue entender, a gente sempre se encontra em algum lugar, em algum sorriso, em alguma palavra. E assim, por algum motivo oculto, a gente começa a se lembrar. A gente lembra daqueles dias em que éramos só nós dois. Lembramos de nossas conversas sobre tudo, sobre nada. A gente lembra de como a vida era mais fácil sabendo que todos os dias, mesmo que fosse só pra se olhar, a gente se encontraria. Lembramos de tudo o que descobrimos sobre nós ao longo dos anos. E lembramos de como ninguém se compara a gente. Do quanto a gente merecia estar junto. De tudo o que a gente sonhou pra gente. De todos os abraços que não foram dados, de todos os beijos guardados, de todos segredos não revelados. A gente lembra e, de repente, não mais que de repente, vem uma saudade irracional. Uma vontade de abraçar, beijar, congelar o tempo, a imagem, só pra gente não se perder nunca mais.
Certos dias a gente anda na rua, você aí onde está, eu aqui onde estou, e, de repente, uma música, uma pessoa, um assobio faz lembrar e, assim, ao mesmo tempo, lembramos um do outro e, imediatamente, começamos a sorrir. Nesses dias a gente se relaciona sem saber. Nessas horas a gente transforma o mundo num lugar melhor sem se dar conta.
Não, nem sempre é assim. A gente sente medo de ser esquecido, abandonado no meio do caminho. A gente pensa em desistir. E, às vezes, porque o tempo é cruel mesmo, a gente esquece de lembrar que a gente existe. E, de repente, começamos a pensar, que o outro também não lembra mais. São os famosos maus-dias. Ah, nesses dias eu sinto vontade de sumir, não aparecer nunca mais, pra ver se assim você sente minha falta. Nesses dias eu viro uma megera. Odeio meu cabelo, minhas mãos, odeio tudo em mim por não ter sido capaz de te fazer ficar. Mas se não ficaram perto do outro é porque assim tinha que ser, dirão alguns. Esses são aqueles que não acreditam nessa história de amor. São pessoas que não acreditam mais em alguma coisa que vença barreiras porque possuem o coração retalhado, machucado. Eu já fui assim. Você já foi assim. Mas um dia a gente conhece alguém que nos faz (re)acreditar em tudo. No amor, na felicidade, até em príncipes encantados. Quando esse alguém surge a gente até acredita que a vida é como um arco-íris. Multicolorida. Tem dias escuros e dias claros. Dias azuis e dias cor-de-rosa. E no final, quando você vence todas as cores. No final do arco-íris, tem muito mais que um pote de ouro, tem algo mais valioso que o ouro, mais formidável que a prata, tem o amor. Aquele tipo de amor que mostram os filmes. Quando esse alguém surge, a gente acredita que o amor é a recompensa por tudo o que a gente já passou. Só que aí, a caminhada não pode parar. Você descobre que existem muitos mais arco-íris do que a gente imagina, e vencer todas as cores, sair ileso no final, é trabalho duro, mesmo com um amor, é difícil manter a postura. Vem o ciúme, a desconfiança, a dor. E se a gente não for forte o suficiente a gente não chega até o final.
E assim eu fiz. Eu não consegui vencer os dias de céu nublado. Eu parei no meio do arco-íris. Desisti. Eu só queria que você fosse forte o suficiente pra não desistir. Mesmo que me desse vontade, mesmo que os ventos fossem fortes demais, te ver correndo, te ver não desistindo faria com que eu não desistisse também. Mas eu te vi recuar. E agora estamos assim, parados no meio do arco-íris, perdidos nesse turbilhão de cores. Ninguém sabe o que fazer, ninguém sabe o que dizer.
Ontem, ganhei uma caixinha de giz-de-cera. Me disseram pra pintar o céu da cor que eu quisesse. Ando pensando em pintar de cor-de-rosa, como ele era quando você esteve aqui, talvez isso te faça não querer desistir. Se você precisar, eu tenho giz suficiente pra mim e pra você. Se você quiser eu vou aí pintar o teu céu. Tem me dado uma vontade louca de não desistir. A gente já sobreviveu a tanta coisa, a tanta gente. Por que desistir agora se a gente tem um ano inteirinho pra fazer valer a pena?
Pintei meu céu, pinto o seu se você deixar. Se você prometer correr até o fim, até onde terminam os arco-íris. Porque, eu sei, o seu arco-íris termina em mim. O meu arco-íris termina em você. Só a gente que não pode terminar nunca.
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Bom, acho que ficarei um bom tempo sem postar alguma coisa.
As coisas estão muito confusas, eu tenho medo de escrever o que não devo.
Enfim, continuarei vindo aqui só pra visitar vocês :)
Feliz Ano Novo, como diria Caio Fernando: que seja doce.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Avesso.

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Ontem a sua carta chegou. Você não imagina o quanto eu fiquei feliz quando vi e o quanto eu fiquei triste ao lembrar de quando você disse que havia uma porção de cartas escritas pra mim, mas que só seriam entregues se um dia não pudéssemos mais nos ver. Mas essas cartas não chegaram, o que chegou foi quase um bilhete colocado embaixo da porta, que avisa a gente do perigo que estamos correndo. A gente está esquecendo, sabendo que está esquecendo e sabendo que está sendo esquecido. E dói.
Lembra quando você me disse que escrever uma carta é um ato de desmedida coragem, e que se um dia alguém fizesse isso por você, você seria capaz de qualquer coisa? Aqui estou. Escrevi essa carta uma porção de vezes na minha cabeça. Enquanto eu estava fora eu mastigava, absorvia e engolia as palavras só pra não esquecer tudo aquilo que eu tenho pra te falar. Desisti de tentar dormir, as palavras pesam na minha mente e não me deixam relaxar. Eu tenho tanto a te dizer. Se adiantar pedir, posso te pedir pra ficar mais um pouco? Vamos dar mais uma chance pra gente. Não vamos ser idiotas a ponto de deixar todo esse amor construído durante todo esse tempo ir pro lixo. Lembra que era pra sempre? Lembra que nós lutaríamos até o fim?
Mesmo que você tenha mesmo que ir, deixa eu te pedir pra antes me dizer onde foi que eu errei? O que eu fiz? O que eu não fiz? O que eu disse? O que eu não disse? Já até imagino, vai dizer que o problema não sou eu, é você. E se for você, o que mudou em ti? O que a fez desistir? Ou será que é um outro alguém? Quem te fez sorrir quando eu não estive aí? Quem falou quando eu me calei? Quem te protegeu quando eu fugi? Quem te abraçou quando meus braços enfraqueceram? Ele é melhor pra você? Você tem certeza? Porque se for melhor pra você, eu prometo sair do caminho. Eu só quero o seu bem, você sabe. Eu só espero que ele seja esperto o suficiente pra nunca te deixar ir embora. Que ele saiba que quando você não ri a cada minuto é porque você tem alguma coisa importante a dizer. Que ele nunca te convide pra assistir filme de terror e te convide pra ir no futebol com os amigos dele. Que ele saiba rir das suas piadas e chorar o teu choro. Que ele saiba que você tem uma fixação por mãos e que elas são seu ponto fraco. Que ele saiba que você gosta de piadas em tom de segredo e segredos em tom de piada. Que ele saiba te entender nos dias de tpm, saiba o que dizer e saiba, principalmente, não te tratar como mais uma.
Ninguém te ama como eu te amo. Eu nunca amei ninguém como eu te amo. Eu tentei te fazer entender isso. Usei minhas melhores palavras, minhas melhores piadas, meus melhores sorrisos. Você não acreditava nunca, lembra? Eu tentava falar sério e você disfarçava com uma piadinha inteligente. Era difícil saber o que existia por trás daquela menina. Tudo bem, eu entendo, você tinha medo de que eu não correspondesse, mas eu juro que eu nunca riria da sua cara por ter se declarado, e eu achava que você soubesse isso. Eu achava que você me conhecia o suficiente pra saber que sentimento pra mim é muito sério e que eu só digo o que eu digo pra você porque eu tenho certeza. Porque todo aquele tempo longe me fez ver que o amor que a gente tem vence qualquer coisa, é só a gente querer. Você desistiu. Quando um não quer, dois não brigam.
Peço licença a "seja-lá-qual-for-o-nome-dele", pra dizer eu te amo demasiadamente. Que cada palavra que eu te disse saiu junto com uma coleção de sentimentos inéditos. Eu também quis que desse certo. Eu quis mais do que tudo, ser aquele cara que chegaria onde ninguém nunca havia chegado, no seu coração. Eu acho que estava quase lá. Na verdade, eu acho que eu cheguei lá. Mas aí quem se assustou foi você, não eu. Eu saberia lidar com todo o amor que você me desse. Eu esperei todo esse tempo por ele. Quem se assustou foi você. Você não sabia, não tinha noção de que pudesse amar tanto alguém como você me amou. Você teve medo de se decepcionar e ficar sozinha com o amor na mão. Você deveria saber que eu nunca iria fazer isso. Que se um dia eu tivesse mesmo que ir embora, eu ia pegar o amor da tua mão, com todo o cuidado e o fazer entrar novamente no teu coração, aos poucos, e eu ia fazer questão de levar a maior parte da tua dor comigo, só pra não ter que te ver chorar. Você teve medo de me decepcionar. Medo de que eu descobrisse aquela porção de coisas que você sentia e que ninguém fazia ideia de que exista. Você teve medo de não ser "boa o suficiente" pra mim, o que você não sabe é que você é mais do que suficiente pra mim. Antes que você vá embora de vez eu quero que você saiba que se a gente tiver que ficar junto, a gente vai ficar agora ou quando for. Eu não vou desistir. Talvez não seja o momento. Talvez ninguém esteja pronto ainda. Talvez tudo. Talvez nada. Eu estive tão disposto a tentar. Eu sei que durante um certo tempo você achou que eu estivesse diferente, até que eu houvesse desistido de você. Mas não era isso. Eu estava analisando a situação. Eu queria ter certeza do que a gente sentia pra poder oficializar, levar a sério. Eu queria, definitivamente, que você perdesse seus medos, sua vergonha. Eu queria que você tivesse entendido que era sério, que era pra valer. Mas você preferiu fugir. Tudo bem, eu aprendi a concordar contigo, principalmente, quando se trata da sua felicidade.
Apenas amigos? Discordo de você. Não vai ser fácil pra mim. Eu sempre achei que nós tivéssemos um algo mais. Desde os tempos de escola. Até agora. Até sempre. Seja lá como for, esteja com quem eu estiver, eu sempre vou olhar pra você e vou ver a pessoa que eu mais desejei do meu lado. Nós nunca fomos apenas amigos, sempre fomos esse quase. Nossas piadas sempre tinham segundas intenções. Nossas brincadeiras sempre tinham um poço de verdade. Nossos olhares sempre tiveram cumplicidade. Nossas mãos sempre se buscaram. Nossos corações sempre se atraíram. Mas nós fingimos bem durante aquele tempo, certo? As pessoas desconfiavam, mas e daí? a gente queria mesmo que elas pensassem. Eu topo fingir de novo, se é assim que você quer, A.M.I.G.A. Por você eu tenho enfrentado monstros gigantes durante todos esses anos. Eu tenho convivido com a responsabilidade que é "ser teu príncipe". Ser teu amigo não vai ser fácil, mas por você eu consigo. Eu vou continuar sempre aqui. Pra quando quiser rir, quando precisar conversar, quando precisar bater em alguém. Meu status é sempre disponível pra você, você sabe. Sempre foi assim, sempre vai ser.
Obrigado por ter sido a minha vida. Por ter me feito acreditar em algo verdadeiro. Por ter me feito valorizar sorrisos e olhares. Por ter me ensinado o que é o amor e o que é a saudade.
Obrigado por todos aqueles dias em que eu acordei pensando em ti e fui deitar assim também. Obrigado pelas vezes em que saí na rua e te procurei em cada sorriso, em cada trejeito. Obrigado por ter feito um sorriso surgir no meu rosto com todas as suas palavras. Obrigado por ter me dedicado palavras e frases inteiras. Eu sei o que elas significam pra você. Obrigado.
Me transforma em texto, caricatura ou em estátua. Qualquer coisa que seja eterno pra você. Eu só preciso saber disso: que em algum lugar desse mundo existe alguém que não vai esquecer de mim. Eu nunca vou esquecer de você.


"Meu amor, aonde você for
Me deixe ir contigo
Porque eu te faço bem.
E se vierem os maus dias,
Eu vou buscar de volta aqueles dias
Em que eu te fiz feliz. "
(Viva-Voz @Jonathas Iohanathan)

domingo, 20 de dezembro de 2009

Eu queria te dizer que.


Eu te amo. É isso, eu queria te dizer feito um segredo bonito: amo mesmo. Amo mesmo, como nunca havia amado antes. Só tô desistindo, me despedindo desse sentimento porque, apesar de doer admitir, não acredito em nós dois.
Eu nunca gostei de despedidas, você sabe, por isso saí devagar, sem fazer alarde. Arrumei minhas coisas e saí de mansinho, fechei as portas do meu coração e me tranquei ali dentro. Desculpa se foi covardia demais, eu só quis te proteger de uma possível dor quando eu avisasse que ia embora, quem sabe assim, aos pouquinhos, você vá se acostumando com a minha falta. Hoje eu tô indo embora disso tudo, mas eu sei que, de alguma forma, eu sempre vou estar aqui, ali ou acolá pra você. Eu sempre vou desejar o melhor pra ti, seja comigo ou com seja lá quem for. Te ver feliz vai ser sempre a minha prioridade. De um jeito bom, você foi a coisa mais bonita que me aconteceu. O meu melhor sorriso foi quando eu estive contigo. O meu melhor abraço foi o seu. O meu melhor (e maior) amor foi por você. E a minha melhor dor é ter que ir embora. Eu digo melhor porque é como se eu merecesse sofrer mesmo por não ter me agarrado àquelas oportunidades que eu tive pra te mostrar o quanto a gente merecia estar junto. Essa dor é meu prêmio por não ter aproveitado o dia em que você disse que preferia a mim a qualquer outra amiga minha pra dizer que eu preferia você a qualquer outro cara no mundo. Mas eu não disse. Na verdade, eu nunca disse nada, eu sempre tive medo. Eu sempre preferi ficar calada a dizer tudo o que eu sentia e acabar com esse elo misterioso que sempre nos uniu. Você não queria defeitos? então. Estão todos pulando na sua frente: covarde, medrosa, insegura, romântica insuportável. Não se parece em nada com aquela garota super segura que você conheceu um dia, certo? Desculpa se eu te decepcionei, mas é que você chegou a lugares fundos e a consequência é essa: conhecer os mistérios que as pessoas escondem naqueles lugares onde pouca gente consegue chegar.
Eu só queria que você não tivesse se assustado. Não tivesse tido medo de virar só mais um texto meu, de não ser nada além de mais uma fonte de inspiração. Você não sabe, mas eu só transformo em texto aquelas coisas que por algum motivo precisam ser eternas. Você não soube porque estava ocupado demais se assustando com o tamanho do meu coração. Desculpa se eu exagerei no sentimento.  
Sabe, com você eu quis tanto que desse certo. Eu quis, com todas as minhas forças, que você fosse o cara que o coração daria um pulo ao me ver e que se espremesse quando eu fosse embora. Eu quis tanto que você fosse tudo o que eu sonhava pra você. Eu quis tanto ser aquela pra quem você corre em qualquer situação. Eu quis, de uma maneira absurda, que eu fosse aquela que você apresenta pros seus amigos e diz: "É ela" e eles imediatamente entendem que você quis dizer: "É ela. A garota que eu escolhi no meio de toda essa gente. É ela que eu quero ter do meu lado". Eu quis tanto ser escolhida por você. Mas eu acho que me perdi nas tentativas.
Então eu vou embora pra deixar o teu caminho livre. Dói em lugares que eu nem sabia que eu tinha. Exige de mim uma força que eu jamais pensei que coubesse em mim. É mais que difícil saber que se eu me arrepender, como eu já fiz várias vezes, pode ser que você não esteja mais de braços estendidos pra mim. É insuportável pensar numa vida sem você. Mas eu cansei de não arriscar, eu prefiro correr riscos e falar de uma vez o que eu sinto. E eu sinto uma dor avassaladora por ter que deixar a melhor coisa do mundo. Então, é isso.
Tô indo embora dessa bagunça que era sentir essa mistura de sentimentos. Tô indo embora de uma vida que girava em torno de você. Tô me despedindo de um sentimento que me dominava todos os dias. Só não pense que eu tô me despedindo de você. Não. Não, ouviu? Eu quero permanecer pra sempre nas tuas memórias, no teu coração e na tua vida. Você ainda me aceita como amiga, certo? Eu sei, essa história de "ainda podemos ser amigos" é tão clichê e é tão não cumprida. Mas no meu caso é verdade, juro. Eu vou fazer acontecer. Eu vou estar sempre aqui. Não mais como alguém que espera o teu amor por inteiro, mas estarei aqui como mais uma de suas amigas, mais uma daquelas que disputam sua atenção, dão risada das suas piadas e se contentam com migalhas de você. Só porque depois de fazerem tudo isso, a vida delas continua. Só porque você não é a pessoa que elas mais amam no mundo. E, principalmente, porque elas sabem separar as coisas. Meu sonho sempre foi ser uma dessas garotas grandes, fortes o suficiente pra não se deixarem levar pelo coração. Agora parece que eu vou conseguir, graças a você. 
Enfim, eu te amo. Mais do que antes. Mais do que nunca. Não esquece de mim, enquanto eu não esqueço de você. Pode me tratar como mais uma, eu mereço. Mas me trata como aquela uma que conseguiu, ao menos uma vez, fazer com que você sentisse algo perto da felicidade e muito, muito perto do amor de verdade.
Tchau, maior amor do mundo.
Olá, querido mais um ser humano do planeta.

"A minha vida continua,
Mas é certo que eu seria sempre sua.
Quem pode entender?
Depois de você,
Os outros são os outros.
E só."

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

A velha novidade.

Mais um ano ameaça acabar e eu continuo aqui, correndo pra você que parece não chegar nunca. Eu corro contra o tempo, venço barreiras, ultrapasso distâncias pra tentar chegar em você. Não levo nada nas mãos, mas trago um coração transbordante. Tem uma coisa aqui dentro que pulsa, grita e incomoda. Um tipo de saudade sufocante que misturada com o amor que eu sinto, me vence e me domina a cada dia que passa. Essa saudade, esse sentimento que me vence dia após dia, fez com que esse ano fosse seu. Eu vivi esse ano em função disso tudo o que eu sentia. Eu te escrevi, te desenhei, te vivi, como se você estivesse ao meu lado. Eu suguei cada pedaço que eu tive de você. Eu absorvi suas palavras, guardei o teu abraço e vivi a tua espera. Eu te procurei em cada esquina e em cada um que se aproximava. E eu me decepcionei todas as vezes que vi que o sorriso não era o seu, o abraço não era tão forte como seu, e a capacidade de me fazer feliz nunca esteve nem perto de ser a sua. Mais um ano se passou e toda aquela história de ser uma pessoa forte e não se deixar abalar por você foi por água abaixo, literalmente. Todas as lágrimas derramadas foram como uma espécie de chuva que lavou toda a dúvida, todo o medo e toda a expectativa. Eu vou terminar esse ano sem esperar nada de mais, nem de você nem de ninguém. Só assim eu não me decepciono, só assim o que vier será sempre lucro. Qualquer palavra sua vai ser como um texto pra mim. Qualquer demonstração de afeto de sua parte, será como um amor sem fim pra mim. E se não tiver nada disso, tudo bem, ano novo sempre traz essa vontade de ser forte, de mostrar que eu consigo começar o ano fora disso tudo. O meu coração ainda é seu, só seu, mas esse ano eu já decidi: ele não vai ser seu. Vai ser meu. Não vou me permitir chorar, mostrar fraqueza ou qualquer outro tipo de absurdo. Escrever vai ser o meu máximo. Porque apesar de tudo, apesar de quase desacreditar em você, algo grita na minha cabeça pra que eu continue acreditando nas palavras. Essas palavras que me fazem companhia quando você não tá por aqui. Palavras que são o mais próximo que eu posso chegar de você. Palavras que dizem todas aquelas coisas que eu sempre sonhei em te dizer. Palavras que levam junto a esperança de que um dia você as leia e descubra e não se assuste com o tamanho do amor que eu tenho dentro de mim. Esse ano vai ser diferente, eu já disse pra mim mesma. Vou aproveitar esses quinze dias de ano velho e vou fazer uma limpeza. Vou tirar tudo o que me fez mal, tudo o que me prende ao passado. Vou limpar meu coração, torcer, espremer, até que só sobre o que for verdadeiro. Se você tiver que ir, vai doer de uma forma avassaladora, mas dizem por aí que o melhor sempre está por vir. O meu maior problema é achar que você é o melhor dos melhores. Apesar de te odiar às vezes, de achar que eu mereço alguém melhor, eu insisto em achar que o melhor já veio, e é você. Seja como for, vou fingir acreditar que o melhor está por vir, sendo assim, que venha o ano novo com suas devidas novidades. Pode ser que uma delas seja você, a esperança insiste em não ir embora. Pode ser que você resolva se tornar realidade. E aí então, o ano novo terá me trazido você em forma de velha novidade.

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Eu acho que ficou mega confuso, mas por algum motivo eu gostei e eu estava com saudade de postar, então vai esse mesmo :)
Gente, fiquei tão feliz com os comentários no último texto rs *-*
Obrigada gente, são vocês que me fazem insistir em escrever.

Ao bom velhinho.

Querido papai noel, eu sei que já faz tempo que eu não te escrevo, mas esse ano eu resolvi fazer diferente, porque eu preciso quero que as coisas sejam diferentes daqui pra frente, então resolvi pedir uma ajudinha. Eu sei que eu já passei da idade, mas existe uma criança imortal aqui dentro, papai noel. E essa criança insiste em acreditar que o senhor existe. Ela sonha com um mundo cor-de-rosa, príncipes encantados e felicidade pra todo mundo.
Eu poderia te pedir, papai noel, que o senhor tornasse o mundo um lugar melhor, que as dificuldades fossem superadas, as crianças ficassem na escola, os errados na prisão e os sonhos no coração, mas essas coisas quem tem que consertar somos nós que estamos aqui todos os dias do ano. O senhor é um homem muito ocupado e só aparece aqui no natal, justamente quando as pessoas jogam o lixo embaixo do tapete, graças ao tal espírito natalino. Então, papai noel, eu te peço que, por favor, o senhor coloque pilhas extras em todos os sapatinhos que encontrar nas janelas. Quem sabe, com essas pilhas mágicas, a vontade de mudar o mundo permaneça durante o ano todo, não apenas no natal.
Eu nem sei se eu mereço sua atenção, papai noel, deve haver uma porção de crianças fofinhas, bonitinhas e bem educadas pedindo a sua ajuda, eu sou apenas uma criança grande, feia, que não sabe se comportar. Eu tentei fazer tudo certo, papai noel, dei lugar pra velhinhos no ônibus, esvaziei meu guarda-roupa e dei pra quem precisava, mas mesmo assim, eu fiz pouco. Sem contar que eu sou teimosa, estresso as pessoas e o pior, destruo corações. É, papai noel, as pessoas se aproximam de mim com as melhores intenções do mundo, mas eu vou lá e destruo seus corações. Eu queria pedir que o senhor colasse de uma forma bem firme esses corações que eu despedacei, mas eu sinto que já que fiz a besteira, é minha obrigação juntar esses cacos. Então, papai noel, na meia pendurada na minha lareira, coloque uma capacidade de aquecer maior do que a normal, pra que as pessoas possam se sentir aquecidas e protegidas do frio quando eu me aproximar e assim terem seus corações curados.
Sabe, papai noel, dessa vez, eu até montei uma árvore de natal. E pendurei nela tudo o que tem direito. Uma estrela no topo, sinos, anjos, coisinhas coloridas e tem até você, papai noel, brincando no seu balanço que eu sempre imaginei que ficasse no seu quintal. Passei a adorar essas coisas de natal, papai noel, tudo tão colorido, brilhante, nessa época eu realmente chego a acreditar que o mundo todo pode ser feliz.
Ah, papai noel, faz tanto tempo que eu não te escrevo que eu não consigo nem lembrar quantos pedidos a gente pode fazer. Seja lá como for, eu acho mesmo que todos os meus pedidos se resumem num só: Eu desejo que o espírito natalino seja mais que natalino, que seja carnavalesco, pascoal, que seja diário. Na feira, no shopping, na rua, que as pessoas ajam como agiriam no natal, como se fosse obrigação delas presentear os outros, com bonecas, roupas ou só com o amor mesmo, daquele jeito que só o natal consegue fazer.
É isso, papai noel, se sobrar um espacinho na sua agenda, põe a minha casa no seu roteiro.
E... papai noel, agora eu já sou uma "menina grande", eu acho que já posso entender o que eu sempre quis saber: "Como é que o senhor consegue entrar na minha casa, se eu não tenho chaminé?"

Beijos, Papai Noel, Feliz Natal.

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eu sempre quis fazer uma carta pro noel, o PostIt! foi só uma desculpa rs :)

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O amor no armário.

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Já vai fazer um tempo que eu saio de casa sabendo que estou esquecendo alguma coisa. No primeiro dia, eu tentei viver como se não estivesse faltando nada, me diverti com as pessoas certas, fiz todas aquelas coisas de sempre, mas minha mente estava sempre em casa, pensando no que eu havia esquecido. Olhei minha bolsa, meus bolsos, meus papéis. Tudo ali. Só quando cheguei em casa e olhei pra sua foto, aquela em que você sorri e que eu sempre achei que aquele sorriso fosse meu. Aquela que eu olho todo dia e sempre sinto como se me pertencesse e tudo fosse uma questão de tempo pra transformá-la em algo real. Naquele dia, ao olhar pra foto, o seu sorriso me pareceu o sorriso de alguém que sorri amarelo, sem forças, como alguém que pede desculpas por ter mudado tanto. Você me pareceu alguém que olha pra trás e vê que está deixando alguma coisa no meio do caminho e sorri, tentando consertar a situação. Foi justamente assim que eu me senti ao olhar pra você. Uma coisa que não importa mais, um brinquedinho que saiu de moda. Um filme de mistério que de tanto ser assistido perdeu o tal do mistério. A minha maior surpresa foi me pegar pensando todas essas coisas, coisas que se fossem pensadas há um tempo atrás, me trariam grande dor, mas que hoje não fizeram nem sequer um cocéguinha no meu coração. Eu me peguei pensando nisso tudo e aceitando. Como se fosse fácil aceitar que a pessoa que você mais amou na vida está indo embora, aos poucos, pra que a dor quase não seja sentida. Eu comecei a lembrar de todas as suas palavras e elas não me pareceram mais tão sinceras assim, o seu medo não parecia ser me perder e a minha vida não parecia ser parte da sua. Eu me peguei olhando pra tua foto e me perguntando quem era aquela pessoa que eu sempre achei que conhecia melhor do que a mim mesma. Eu olhei pra você, olhei pro tempo que passou e pra distância que nos separa e gritei: parabéns, vocês venceram! Joguei seu porta-retrato no chão, rasguei sua foto, e quando eu abri meu armário pra pegar a caixinha em que eu guardava um pedaço de você, eu percebi o que eu estava esquecendo quando saí de casa naquele mesmo dia. O meu amor por você. Era culpa da falta dele o vazio que eu senti durante o dia todo e toda a frustração que eu senti ao olhar pra aquela foto.

O meu amor estava lá, se aquecendo entre os meus casacos, agarrado às coisas que estavam naquela caixa, como alguém que está sendo levado pela correnteza se agarra à primeira coisa concreta que vê pela frente. O meu amor temia morrer. O meu amor temia sair dali de dentro e morrer com a visão, dura e fria, da realidade. O meu amor, teimoso que só, se recusava a morrer assim. Com palavras não ditas, com dúvidas não esclarecidas e com amor não declarado. O meu amor, mesmo surrado, com as pernas fracas e com coração remendado, insiste em querer se agarrar a você. Ele quer você. Eu quero você. Mas e você? Você quer a gente?
É esse o grande xis da questão: entender o que se passa dentro da sua cabeça. Entender o que existe por trás de todas aquelas suas palavras super bem escolhidas. O meu amor tá aqui feito louco, gritando no meu ouvido que ele não quer ser o seu brinquedinho pras horas de carência. Ele quer mais. Eu quero tudo. Ele quer ser sua alegria num dia triste, sua festa num dia feliz e seu abrigo num dia chuvoso. O meu amor que conhecer todos os teus mistérios e mesmo assim nunca compreendê-los, só pro filme não perder a graça nunca. O meu amor que sentir o gosto do teu amor, do amor que ele jura de pés juntos que existe em você.
Desde aquele dia, o meu amor tem passado horas e horas dentro daquele armário. Vez ou outra, ele vem aqui fora tomar um ar, mas aí os ventos sopram forte demais, então ele volta pra onde seja seguro. Pra onde a única realidade seja aquela que ele sonhou pra gente. Desde então, tenho tido um amor contido, retraído. Um amor que, ao invés de enfrentar a realidade e mostrar que é forte o suficiente, a teme com todas as forças. O meu peito não é o mesmo sem a droga desse amor. A vida lá fora, o resto do mundo, perde a graça quando o amor não está aqui.
Sinceramente, eu não sei quanto tempo nós (meu amor e eu) aguentamos. Então, vem antes que seja tarde. Antes que o meu amor morra sufocado. Antes que eu resolva de uma vez por todas, ficar no meio do caminho. Vem e traz contigo o teu amor, pra ele servir de agasalho pro meu amor medroso. Vem, you're gonna be the one that saves me.

"E se um dia eu pedi demais.
Foi o teu abraço que eu pedi demais,
aquele sorriso que me trazia paz.
Mais daquelas coisas que eu sempre amei,
a velha pessoa por quem eu me apaixonei"
(Ausência - Jonathas Iohanathan)

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Amor quando chove.

Chove lá fora e chove aqui dentro. E essa chuva me faz lembrar que eu não te tenho aqui debaixo do meu guarda-chuva. E em nenhum outro lugar. Essa coisa que é a chuva só serve pra aumentar a saudade que sempre existiu, mas que vem crescendo loucamente nos últimos dias. Uma saudade idiota e indomável. Saudade de te ver sorrindo, de tentar descobrir o que existia por trás daquele garoto idiota que você fingia ser. Saudade de olhar pra você e disfarçar no momento seguinte, quando seus olhos encontravam os meus. Saudade de ter do meu lado e poder, ao menos, te oferecer um lugar embaixo do meu guarda-chuva. Saudade de te oferecer o som da minha risada pra te fazer esquecer os sons que te perturbavam. Saudade de te oferecer a minha companhia, o meu silêncio, a minha paciência. Saudade de ver você do outro lado da rua, fazendo cara de estressado, só porque eu tinha medo de atravessar e esperava o sinal fechar. Saudade de quando eu tinha você toda manhã e, às vezes, em incríveis horas extras, quando o garoto que você sempre escondeu, mas que eu sempre soube que existia, começava a se mostrar.
A chuva me lembra que assim como ela arrasta folhas, papéis e tudo o que estiver na sua frente, o tempo também o faz e tenta fazer com você a cada dia. Mas eu me recuso. Me recuso a te deixar ir, me recuso a olhar pra trás e lembrar de você como mais uma formiguinha no mar de gente que já passou por mim. Me recuso a lembrar de você eventualmente quando por coincidência aparecer alguém com um jeito de andar igual ao seu. Eu não quero isso. Eu quero ter você inteiro, nem que seja em lembranças, desde que seja inteiro. Ainda que eu te odeie às vezes, ainda que o tempo tente te levar embora, ainda que tudo comprove que é burrice continuar insistindo, eu quero te ter inteiro. E eu me recuso a ter uma lembrança ruim de você. Quando os dias maus chegarem tentando me fazer desistir de você, quando a dúvida, a insegurança e o medo tentarem te tirar de mim, eu vou lutar com todas as minhas forças pra te manter intacto na minha mente e no meu coração. Quando eu estiver prestes a duvidar das suas palavras, eu vou lembrar daquele dia em que você olhou nos meus olhos e me fez sentir todas as emoções misturadas. Quando a distância me desanimar, eu vou lembrar que você disse que lutaria por mim. Quando eu estiver certa de que você diz tudo isso pra todas as outras garotas, eu vou fingir que não me importo, vou fingir que não tenho ciúmes, que não me importo em dividir você. Enquanto fingir for a solução pra conservar você, eu finjo. Porque por você vale a pena, ainda que doa um, dois ou três dias, depois passa. Depois eu esqueço e só lembro que você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida.
Tenta entender essa saudade, essa vontade de te oferecer o que há de bom em mim. Tenta entender essa loucura que é te amar tanto assim. Tenta entender essas palavras, que saem mais que do meu coração, saem da minha alma ou de uma coisa mais lá dentro, se é que existe. Tenta entender essas palavras e as grava em você porque, por enquanto, elas são tudo o que eu posso te oferecer. Não tenho guarda-chuva, mas tenho essas palavras.
E tenho eu. Eu tô aqui ainda. Eu sou pequena e frágil, mas tenho um coração do tamanho do mundo e ele é todo seu, e sim, claro que sim, ele aceita ser seu abrigo quando a chuva começar.



"Mesmo não estando em perigo,
quero que você proteja meus olhos cansados de te esperar.
Mesmo em um abrigo,
quero estar contigo quando a chuva chegar."
(Caio Fernando)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O dia em que eu limpei o óculos.

Hoje foi o primeiro dia, depois de muito tempo, que você não foi o meu primeiro pensamento pela manhã. Hoje, foi a primeira vez, depois de muitas, que eu entrei na internet e não desejei com toda a força que existe em mim pra que você estivesse pelo menos no meu msn. Hoje eu experimentei uma vida sem você e eu vi que, se não fosse essa coisa que me consome chamada amor, eu poderia me acostumar com a ideia de viver de sem você. Hoje eu descobri que sem você as coisas vão ser tristes, vai doer de uma forma arrasadora, mas eu posso sobreviver.
Veja bem, não é que eu queira te esquecer, não é que você não me faça feliz e, jamais pense que é porque eu não te amo mais. É só que hoje eu acordei realista, sangue frio, mesmo. Hoje eu vi que viver em função de alguém quase virtual, é burrice. Eu vi que acreditar em alguém que não olha nos olhos quando diz é pura estupidez. Hoje eu segui o exemplo da Tati e, finalmente, limpei o óculos. Com minhas lentes limpas, eu vi a realidade que existe por trás do conto de fada. Eu vi que a altura da torre que separa a rapunzel do príncipe é muito maior do que eu pensei que fosse, imagina como deve ser pra mim que nem sequer tenho uma trança pra jogar. Eu vi que a fada madrinha não foi capaz de ajudar o príncipe a encontrar a dona do sapatinho de cristal, o príncipe que, por iniciativa própria, correu cidades, enfrentou barreiras, só pra encontrar a dona daquele sapato e, coincidentemente, a dona do seu coração, aí eu vi que eu tenho um príncipe mas não sei se o príncipe tem motivação e força suficiente pra correr cidades, enfrentar barreiras, pra me encontrar, eu que nem tenho um sapatinho de cristal.
Hoje pra mim, foi como a meia noite pra cinderela: o encanto acabou. Hoje eu, que sempre penso com o coração, deixei a razão falar mais alto. E a coisa mais triste que eu tenho a dizer: Hoje eu quase desisti de você. Eu quase me rendi aos meus medos, à todas as barreiras que existem entre a gente e que me impedem de te chamar de amor. Hoje eu quase te odiei. Por me deixar aqui sozinha, por não subir em torres, por não atravessar cidades, só pra me encontrar. Hoje eu quase odiei sua mania de me fazer rir de tudo e não me deixar sentir raiva de você. Hoje eu quase odiei o seu jeito de andar engraçado, sua voz viciante e seu sorriso fofo. Hoje eu quase odiei o tempo em que eu te tive ao meu lado. Mas aí, quando eu estava prestes a gritar pro mundo que, finalmente, havia conseguido te tirar de dentro de mim, passou um filme na minha mente. Eu lembrei que é justamente na sua mania de me fazer rir que eu encontro conforto. Eu lembrei que é no seu jeito de andar engraçado, na sua voz viciante e no seu sorriso fofo, que eu encontro a felicidade. Eu percebi que me privar de coisas assim, coisas tão simples pra muita gente, mas que significam tudo pra mim, que, enfim, me privar de você seria me privar de uma parte gigante da minha felicidade. O meu óculos, que, por incrível que pareça, permanece mais limpo do que nunca, me fez ver que você é peça fundamental na minha vida. Depois de tudo isso, eu finalmente entendi que por mais difícil que fosse, o príncipe conseguiu subir na torre, a cinderela foi encontrada. Não, eu não tenho trança pra jogar, mas eu pulo se souber que você não vai me deixar cair ou, se você estiver disposto, pode construir uma escada pra chegar até a mim. Eu também não tenho uma fada madrinha nem um sapatinho de cristal perdido por aí, mas eu tenho um coração e, adivinha só, ele tá com você e você ainda pode vir correndo até mim ou se preferir, eu saio correndo até você se tiver certeza de que você estará me esperando de braços abertos.
Meu óculos limpo me fez ver que, além das barreiras, além até da própria realidade, há sempre um final feliz. Basta só você a gente querer.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Almost Lovers.

Quase. É tudo o que nós somos. Quase amigos, quase amantes. Quase.
Só que, olha a loucura, poderia ser diferente. Você, eu, nós poderíamos tentar. Nós poderíamos ser mais diretos e objetivos pra, quem sabe um dia, nos tornarmos alguma coisa inteira. Eu + você = tudo, não seria bom? Eu sou aquela que fica esperando todo o dia só para, pelo menos, ver seu rosto. Aquela que, quando você se aproxima, começa uma festa com direito a borboletas no esômago. Aquela que suga cada momento contigo pra ter com o que se nutrir durante seus períodos longe. Sou ainda aquela que vive se perguntando onde e com quem você está, com medo de que você esteja com alguém sem medo de ser inteira pra você. Você que é a minha alegria, a minha possibilidade de amor. Você que faz o mundo virar um lugar melhor pra se viver. Você que me faz ter pena dos outros caras por não terem a sorte de ser como você. Você que tem tudo pra ser meu tudo, mas é só o meu quase.
Naquele dia que estávamos juntos e sua amiga perguntou o que nós éramos e você, com seu sorrisinho sem graça, disse que não éramos nada, eu tive vontade de gritar: "Hey, menina, nós somos mais que nada mas não somos tudo. Nós somos quase". Naquele outro dia, quando nós fomos naquela festa cheia de pessoas que te conheciam e todos ficaram nos olhando de forma desconfiada, com interrogações escritas na testa, eu tive vontade de pedir, quase implorar, pra que eles começassem a pensar um monte de coisa. Pensem que nós somos namorados. Pensem que nos encontramos todos os dias. Pensem que não conseguimos mais viver longe um do outro. Pensem que planejamos ter dez filhos, morar numa mansão e passar férias na Disney. Eu quase implorei pra que eles pensassem que nós fôssemos tudo aquilo que eu sempre sonhei pra gente. Mas não somos. Nós não somos quase nada.
Eu fico aqui, você fica aí. Estamos bem assim, é claro. Você me liga quando precisa desabafar ou quando sente vontade da minha risada que te desarma. Eu fico aqui, te odiando por me usar assim, mas amando demais cada vez que você estende seus braços e sai correndo na minha direção. Mas, claro, não somos nada. Ontem eu vi um casal andando na rua, tão lindos, tão juntos, tão tudo um pro outro. Naquela hora eu te odiei. Por brincar comigo assim. Por não me convidar pra sair. Por deixar esse quase nada que a gente é escondido. Mas aí no instante seguinte você me deixou uma mensagem daquele jeito que só você sabe fazer, com suas palavras super bem escolhidas, querendo falar difícil. Então eu esqueci aquilo tudo. Nós não somos nada. Não saímos por aí de mãos dadas. Você não diz coisas bonitas olhando nos meus olhos. Mas e daí? você me faz feliz e enquanto isso acontecer eu continuo disposta a ser sua quase. Prefiro ver assim: nós somos um copo meio cheio. Eu vejo assim, as pessoas também, e você? o que nós somos pra você? não demora muito a decidir, por favor. As pessoas podem deixar de pensar e começar a falar, e você sabe o poder que as palavras tem sobre mim. Por favor, não deixa elas, nem sequer pensarem, que somos um copo meio vazio. Me dá da sua água pra encher nosso copo. É fácil, é só você querer. Eu? eu quero tanto.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

aqui onde o tempo não passa.

Se tem uma coisa que eu aprendi ao longo dos anos, foi essa: o tempo não para. O tempo não espera as coisas melhorarem, a única coisa que ele faz é passar. Passa e, na maioria das vezes, leva sonhos, vidas e pessoas que tinham tudo pra dar certo. Comigo não foi diferente. Eu vi o tempo passar, cruel, impiedoso e devastador, inúmeras vezes. Foi assim durante a minha vida toda. Mas enquanto eu ficava aqui odiando o tempo o tempo todo, eu ouvia muita gente dizer que haviam conseguido encontrar alguém que tinha feito o tempo parar. Sabe, eu não acreditava muito nessa história, mas mesmo assim resolvi sair por aí e procurar alguém que tivesse esse dom. E encontrei. Encontrei pessoas que, aparentemente, conseguiam mesmo fazer o tempo parar, mas isso nunca durava tempo o suficiente, era sempre rápido demais, e quando o tempo voltava a se mexer, a bagunça que ele fazia em mim era milhares de vezes maior. Um dia eu cansei de procurar, desacreditei nessa história e me conformei com tudo de ruim que o tempo representava na minha vida. Até que, quando eu menos esperei, ele apareceu. Ele apareceu e, na mesma hora, tudo parou. O tempo, a minha vida. Tudo parou. No começo eu desconfiei, afinal, toda essa freada brusca poderia causar danos muito maiores no futuro. Resolvi não apressar nada, fiquei mesmo com um pé atrás, resolvi esperar pra ver. Então, eu vi. Vi um sentimento lindo, como nunca havia visto tão de perto. Vi um amor digno de um livro, um filme, de muito mais que isso. Vi alguém que realmente me amava e estava disposto a esperar o meu tempo e desvendar todos os meus mistérios. E vi, com tamanha felicidade, que já se passava um mês e nada havia mudado. Na verdade, toda essa história de tempo parado me fez perder as contas, deve ter passado muito, muito mais, talvez anos e anos, o que importa mesmo, é que, dessa vez o tempo não conseguiu levar embora nenhuma migalha do amor que a gente sentia. Finalmente, eu havia encontrado alguém capaz de fazer o tempo parar. E, hoje, o meu coração, o lugar onde o tempo não passa, é o lugar onde não existe vida sem o único que tem esse poder.

Pauta pro OUAT.

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