quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Ironias do amor.


Ela olha.
Ele devolve o olhar.
Ela sorri. Venha aqui, puxe um assunto, só não venha com cantadas. Pergunte se pode se sentar, me ofereça uma bebida. Converse sobre o tempo, sobre a festa, sobre o aquecimento global, sobre a novela, sobre qualquer coisa desde que não vá embora. Fique, mesmo que o assunto acabe e deixe que o silêncio fale por mim. Espere um pouco, para não me assustar, e enfim, me convide pra ir lá fora, onde tenha menos gente. Diga que espera por essa oportunidade há muito tempo. Diga que vem me observando há dias. Diga que eu sorrio quando estou com vergonha, que falo demais quando estou nervosa e fico quieta quando estou com medo. Diga que eu falo engraçado, que não consigo deixar minhas mãos paradas e que faço caras e bocas pra contar uma história. Diga que se arrepende por ter tomado uma atitude só agora, quando o colégio está prestes a acabar. Nessa hora olhe pra mim, estará escrito nos meus olhos que se depender de mim, nosso fim não será aí. Fique em silêncio e continue me olhando. Deixe que o silêncio fale tudo o que há para ser dito. Então, como quem não quer nada, me abrace.
- Oi – diz ele.
- Oi – ela responde.
- Eu estava te olhando e... queria saber se você quer ir ali fora comigo. – diz ele, meio encabulado.
Rápido demais, rápido demais. Essa era a hora em que você pediria pra sentar. - Sim, está mesmo meio quente aqui dentro.
- Então... quer dançar?
Dançar? Não, obrigada. Tudo MENOS dançar. Eu sou desengonçada, sem ritmo, vou passar vergonha. Além do mais, isso não estava nos meus planos. Definitivamente, NÃO. - Claro, por que não?!
Ela não estava gostando nem um pouco desse garoto que a conseguia convencer apenas com um meio sorriso tímido. Quem ele acha que é pra desdobrá-la assim com tanta facilidade? Chegou agora e já quer mudar os planos dela?
Ele estava achando engraçada aquela garota que pensava muito antes de responder, que levara um susto quando ele a chamou pra dançar, como se fosse o seu pior pesadelo.
Começaram então a dançar, primeiro uma música agitada, agitada demais na opinião dela, que não estava gostando nada, nada, daquele monte de gente pulando suada. Pensou em sair dali, mas quando olhou pra ele mudou totalmente de ideia, porque ele, o garoto do sorriso encantador, a olhou e lhe bombardeou com sua arma fatal. Ela continuou então, fingindo gostar, só olhando pra ele, a verdadeira razão dela estar ali. A próxima música, para a surpresa dela, foi uma lenta.
Me diz quem em sã consciência põe uma música lenta numa festa em pleno século XXI? Esse mico eu não pago mesmo.
A pista começou a esvaziar, as pessoas se achavam moderninhas demais para aquela música. Ela ficou sem ação, não sabia se deveria sair como o resto das pessoas, ou se deveria ficar ali e obedecer à mão da única pessoa que realmente a interessava naquela festa, que estava estendida a convidando pra uma dança careta.
Mais uma vez, ficou bastante claro o poder que aquele garoto e aquele sorriso tinham sobre ela. Quando caiu em si, já estava no meio da pista, apenas eles dois, dançando como se não existisse mais ninguém ali. De repente, estavam os dois lá, se beijando. Sem antes terem trocado nenhuma palavra, sem nada ter saído como ela planejara, e mesmo assim sendo infinitamente melhor do que ela imaginara.
Quando acabou a música, os dois saíram da pista, ovacionados pela multidão, e foram para um lugar reservado.
- E aí, gostou da noite? – perguntou ele
Gostei? Não acredito que você esteja me perguntando isso! - Gostei sim, obrigada – disse ela.
- Sério? Achei que você não gostasse de dançar.
Pois é, pra você ver o que o seu sorriso faz comigo. - É, só você pra me fazer pagar um mico daqueles, espero que ninguém tenha percebido o meu jeito desengonçado.
- Eu não queria te dizer, mas já que você tocou no assunto, você pisou algumas boas vezes no meu pé – disse ele, rindo de um jeito mais fofo ainda.
- A culpa é toda sua, eu nunca teria ido lá, se você não tivesse me chamado. – disse ela, dando tapinhas nele.
Os dois riram, de um jeito sincero e gostoso, que parecia não ter mais fim. Depois ficaram em silêncio. Sabe aquele momento em que você tem um monte de coisas fervendo na sua cabeça, mas a felicidade é tanta que não se sabe ao certo o que dizer? Era isso o que se passava. Impossível escrever aqui os pensamentos de ambos, tamanha a mistura de sensações.
- Sabe, essa noite foi totalmente o contrário do que eu planejei. – disse ela depois de pensar mil vezes se quebraria aquele silêncio.
- Então você está decepcionada?
- Jamais. Eu faria tudo isso mil vezes, se em todas as vezes você terminasse aqui comigo.
Não. Não sorri assim. Eu não agüento.
E terminaram assim, abraçados, após um longo e apaixonado beijo.
Algum tempo depois, após uma briga que os levou ao término do namoro, ela escreveu assim no seu diário:
“De tantas mil coisas que eu aprendi com ele, a mais importante foi que o amor não segue regras, não é previsível, e se fosse, perderia toda graça. O amor sempre vai te surpreender, vai vir de formas diferenciadas, sempre ao contrário do que você imaginou um dia. E nem por isso vai deixar de ser especial, na verdade, é aí que ele vai ganhar todo sentido do mundo, porque vai te surpreender a cada dia, e cada dia você irá se apaixonar novamente, pela mesma pessoa.”

4 comentários:

little dreamer disse...

Como vc consegue heim?!Achei alguem finalmente a minha altura...(brincadeira ta?!)
se eu te falar q escrevi um texto semana passada meio q nesse estilo desse seu tu acredita?! Nossa...era inevitavel virar sua seguidora. :)
Bjus - PARABENS!

• Jualves ♫ disse...

Nicole, a cada dia me surpreendo mais com VocÊ e com seus pensamentos, amiga

Gabi Costa disse...

ai meu Deus! nossa, Nicole! como vc escreve bem! Ler seus textos é mto bom!
Esse então é lindooo! Quero q isso aconteça comigo! hahaha

Parabéns pelo blog! beijos!

Luiza disse...

desde sempre seus textos foram assim: recheados de sensibilidade e meiguice. beijos!

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